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Onde irá parar minha infância?

28 set

Em algum lugar deste blog já comentei sobre pessoas queridas que vão desta para uma melhor_ bem melhor, espero eu.

Assim como já devo ter comentado que não concordo com essa ordem da vida: as pessoas que te acompanharam por uma vida inteira simplesmente morrem enquanto você passará a ser a pessoa que construirá uma nova família…

E se você quiser continuar com sua velha família? Não dá, não pode. Elas inevitavelmente morrerão.

(suspiro)

Uma tia muito muito querida morreu nessa sexta. Já estava mal, na UTI há algum tempo. Fui visitá-la, aliás, na UTI no domingo anterior. Fiquei muito triste ao vê-la cheia de tubos e fios. E já comecei a desconfiar que ela não fosse sair dessa… Como, de fato, aconteceu.

O velório foi sábado, na casa dela. Casa que conheço desde sempre. Casa em que passei todas as minhas férias inteiras (dezembro-janeiro-julho) todos os anos, desde criança até a faculdade. Tinha até o “meu” quarto, o quarto da caçulinha, como ela mesma me disse uma vez.

E ver aquela casa, cheia de parentes queridos,… não sei. Todos estavam tristes, mas cientes de que ela já havia sofrido muito na UTI. Conversas animadas lembravam da alegria de minha tia. Nâo havia ninguém desesperado_ o que foi ótimo. Todos bem, apesar de.

Não sei o que vai ser daquela casa. Talvez nunca mais entre nela caso ela seja vendida_ como a casa de minha avó, que virou um centro de análises clínicas. Talvez nunca mais reveja -fisicamente- a minha infância que está lá, em grande parte. Assim como só verei minha tia nas lembranças…

A sensação que tive, com a morte dela (somada à de outros parentes queridos), foi justamente essa: minha infância está morrendo aos poucos, junto com eles…

A grande família, outrora centrada na figura da avó e dos tios, está se multiplicando e se descentralizando, com cada primo formando seu próprio núcleo familiar. Isto é inevitável e natural, mas é triste.

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Nossas Raízes – Parte VII de VII

17 jan

Adalgisa Zanon

Tia Adalgisa foi uma linda moça de pele clara e olhos azuis. Era alegre e expansiva; curtia amizades, passeios, namoros, mas era acima de tudo uma batalhadora.

Além de ajudar sua mãe nos afazeres domésticos, costurava para uma exigente clientela em Machado. Era uma modista famosa e requisitada. Por isso, mesmo quando mudou-se para São Paulo, por ocasião de seu casamento com Nicanor, continuou atendendo às encomendas que suas freguesas, já habituadas ao seu talhe perfeito e bom gosto, lhe faziam.

Foi-lhe negada a alegria de ser mãe, mas Deus reservou-lhe outra missão, não menos nobre.

Por ocasião do falecimento de sua cunhada Hemengarda, deixando órfãs quatro crianças, ela não exitou e levou as duas meninas: Hilda e Dalva, para morarem com ela. Teve por elas carinho e dedicação de mãe. Preocupada com o futuro das meninas, ensinou-lhes a arte de costurar, no que era muito capacitada. As meninas, também habilidosas, tornaram-se grandes modistas em São Paulo.

À ela nossa homenagem.”

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E assim o livrinho do Primeiro Encontro Zanon acaba. Contei pra vocês a história de parte da minha família e, o que foi mais importante pra mim, registrei aqui essa história.

O Encontro propriamente dito foi muito bom: conheci várias pessoas que não conhecia e nem sabia que existia. Fui até uma das oradoras (chiquetérrimo, só porque sou sobrinha das idealizadoras do Encontro, mas o que é que tem, hein?)…

Depois desse, houve outros, mas nunca com todo o pessoal que estava presente a esse_ a distância e o dimdim são grandes empecilhos. Este ano o Primeiro Encontro completará 10 anos. Preciso perguntar pra minha tia se haverá um Encontro Comemorativo…

Encerrando o livrinho, temos essa foto clickaumentável, do castelinho construído pelo meu avô.

castelinho

 

Nossas Raízes – Parte VI de VII

15 jan

Leopoldo Lorenzzo Zanon (por seus filhos Derosse, Jesse, Saulo, Ronaldo, Arthur e Mirza)

Não, ele não era alto, porém o fato de ter sido sempre magro lhe conferia esta imagem. Olhos muito azuis, pele clara. O chapéu, que acompanhava nos canteiros de obras e andaimes onde trabalhava, lhe protegia a calvície.

O gosto pela música levou-o a tocar clarineta na banda, em Machado. Casou-se em 1933 com Mirza Andrade Pedroso, com quem compartilhou uma vida em que as dificuldades eram contornadas com compreensão e carinho.

Talvez a decisão mais difícil para ele, tenha sido a de mudar-se para São Paulo, dadas as dificuldades de trabalho. Exigiu coragem e determinação. Deixava para trás não apenas sua cidade, amigos e parentes, mas principalmente sua mãe_ vovó Luíza.

A família toda, inclusive cachorro, partiu para São Paulo, numa caminhonete Chevrolet 1933. Inesquecível nossa chegada à capital paulista, em pleno carnaval (1950), perdidos na famosa esquina das Av. Ipiranga e São João.

Raras vezes o vimos irritado. Mesmo quando chamava nossa atenção, sabia faze-lo de modo firme, porém sereno. Nós, filhos, sabíamos identificar claramente as alterações na voz, nos gestos, no olhar_ por pequenas que fosse, para nós eram suficientes.

Paciente e amoroso_ educou os filhos menos com palavras que com atitudes, que deixaram gravadas em nós lições de solidariedade, dignidade, honestidade.

Papai, uma presença calma e segura. É dele nosso amor e nossa saudade.”

 

(Por seu sobrinho Uriel)

“Tenho pelo tio Leopoldo, o Zanon que recebeu o nome de um rei, uma grande admiração. Acho que ele foi o filho mais racional de Luíza Brunholo.

Os traços marcantes de seu caráter foram: o amor aos irmãos, a fidalguia no trato, o equilíbrio emocional e a capacidade de trabalho. Fundou uma empresa de construção civil em Machado, que posteriormente foi transferida por ele para o estado de São Paulo.

Dono de refinado charme, encantou Mirza, a filha odontóloga do professor Arthur Xavier Pedroso, um dos mais ilustres educadores que Machado já teve. Tia Mirza, mulher bonita, forte, que educou os filhos sem ter-lhes dado sequer uma palmada, que amava os sobrinhos e com quem eu jogava baralho…

Tanta coisa para lembrar…

Tiveram seis filhos: Derosse, Gesse, Ronaldo, Saulo, Arthur e Mirza.

Leopoldo, o filho de imigrantes italianos com nome de rei, filho de Luiza Brunholo, que escreveu uma história de amor com a família, de dedicação ao trabalho e de sabedoria de vida.”

Nossas Raízes – Parte V de VII

13 jan

Aureliano Zanon (dados fornecidos pelo Uriel)

“Foi o terceiro filho de Luiz Zanon e Luíza Brunholo. Nasceu em 14 de Fevereiro de 1902 em Machado. Não recebeu instrução formal compatível com as habilidades que autodidaticamente desenvolveu: foi mestre de obras, torneiro em madeira, desenhista técnico e pequeno empresário.

As características marcantes de meu pai foram: seu senso de justiça, solidariedade humana, responsabilidade social e a tendência incorrigível de se apaixonar por pessoas e causas.

Conseguiu êxito razoável nas atividades a que se dedicou, exceto na de empresário, porque faltou-lhe sorte e empenho para aproveitar-se das oportunidades de explorar os seus semelhantes em benefício próprio.

Teve uma olaria que não foi bem. Depois, montou uma fábrica de móveis em Machado e posteriormente em Varginha, que veio a falir. Uma das causas da falência de sua empresa foi sua filiação ao Partido Comunista Brasileiro, em 1946.

Teve sorte ao encontrar em Ida Luiza uma esposa ideal, capaz de compensar, com seu amor, humildade e extraordinária capacidade de enfrentar as incertezas da vida, as fraquezas de meu pai.

Ida lhe deu sete filhos: Uriel, Ancila, Cléo e Alfeu em Machado. Em Varginha nasceram Sandra, Aureliano e Adalgisa.

Entre as narrativas que circulam sobre as façanhas de meu pai, há brigas em defesa dos mais fracos e, principalmente de mulheres, fossem elas suas irmãs, namoradas ou namoradas dos amigos.

Lembro-me de certa vez ter ouvido meu pai contar como, de revólver em punho, evitara que um amigo seu fosse linchado pelos capangas de um fazendeiro.

Meu primo Luiz tinha nove anos de idade e estava inconsolável num canto da oficina do “Tioreliano” porque não tinha um carrinho de rolemans para brincar. Meu pai veio saber o que o afligia tanto. Então, ele mesmo construiu o carrinho e o entregou ao primo. Este singelo presente fez de Luiz um admirador incondicional de meu pai.

Ele faleceu de asma cardíaca aos 48 anos. Graças à união e à solidariedade dos Zanon foi que a nossa família sobreviveu.

Este foi Aureliano Zanon: filho de imigrantes italianos, autodidata, comunista por equívoco, anarquista por vocação, romântico e sedutor por natureza, arauto da utopia, o filho menos sensato de Luíza Brunholo. Simples como a unidade e, paradoxalmente, completo como o universo, permanece na memória de todos nós muito além de nossa capacidade de julgamento.”

Nossas Raízes – Parte IV de VII

10 jan

Tirteo Ferdinando Zanon (PS: meu avô)

Sério e muito calado, assim era o mais velho dos filhos homens do casal Luíza Brunholo e Luiz Zanon.

Iniciou sua vida profissional trabalhando, ainda muito jovem, ao lado do pai como servente de pedreiro; mais tarde, tornou-se construtor. Mas, buscava algo mais, e o trabalho em mármore e granito artificial o atraiu.

Nos dizeres do sobrinho Uriel: “Na minha opinião, os traços mais marcantes de sua personalidade eram a compreensão dos defeitos humanos, a solidariedade aos irmãos e a discrição. Era uma pessoa forte, serena e bondosa. Herdou de meu avô o talento para desenho e escultura e de minha avó, persistência e bom senso, que lhe permitiram desenvolver sua empresa industrial Tirteo Zanon e Cia., que durante muitos anos liderou a fabricação de bancos de jardim e outros artefatos de cimento e granito artificial em Minas Gerais.”

Comércio esse que se estendeu além das fronteiras de Minas, pois do estado do Rio de Janeiro e de São Paulo também chegavam-lhe encomendas. Durante o quarto centenário de São Paulo, seu castelinho foi um sucesso na exposição montada no Parque Ibirapuera.

Rememorando esses fatos é que lhe damos o devido valor, pois convém ressaltar que, sem recursos técnicos e sem uma instrução formal, contando apenas com seu talento e habilidades naturais, ele idealizava, desenhava e elaborava seus próprios moldes e formas e delas saíam fontes luminosas, ladrilhos, altares, túmulos, etc.

Graças a isso divulgou muito o nome da cidade de Machado.

Casou-se pela primeira vez com Hemengarda Tavares, que lhe deu quatro filhos: Hilda, Walter, Dalva e Luiz (que saudades de você, tio Lula!).

Após alguns anos de viuvez, conheceu a jovem Leonina Vieira Machado (PS: minha avó), filha de Anastácio Vieira Machado, professor de Português e Francês no antigo Internato e Externato do Sr. Francisco Rafael de Carvalho, em Machado. Casaram-se e dessa união nasceram: Lúcio, Sílvia, Amílcar, Doralice, José Tirteo e Mafalda (PS: minha mãe).

Não tinha pretensões políticas, mas pressionado pelo antigo PTB, candidatou-se a prefeito de Machado. Contrariado, “sussurrava” aos amigos que votassem no adversário. Perdeu a eleição, mas intimamente comemorou a “sua vitória”.

Não fez fortuna, pois uma de suas características era a de cobrar pouquíssimo pelo que comercializava, pois, como dizia, não gostava de “explorar” ninguém, mas deixou à sua família um legado de honra, respeito e amor ao próximo.

Tirteo Zanon faleceu aos 68 anos de idade, no dia 6 de Setembro de 1966, após ficar um ano acamado devido a uma queda que sofreu por problemas circulatórios.”

Nossas Raízes – Parte III de VII

7 jan

Gemma Zanon Annoni

Gemma, o bebê que resistiu bravamente, lutando contra a doença infecciosa que minava seu pequenino corpo, na longa e exaustiva viagem da Itália para o Brasil, é a linda mocinha que aparece na capa deste livro, a bela fotografia da família em 1908, ao lado da irmã menor Adalgisa e dos outros três irmãos: Tirteo, Aureliano e Leopoldo.

Conquistou, com sua beleza serena e lindos olhos azuis, o coração do jovem Roberto Annoni e com ele se casou.

Foi uma esposa e mãe exemplar; era uma senhora de fibra. Soube enfrentar corajosamente e com fé as adversidades que a vida lhe preparou.

Teve cinco filhos: Clélia, Túlio, Leandro, Dora e Luizinha.

Além de cuidar dos afazeres do lar, encontrava tempo para se dedicar a obras assistenciais. Com muita habilidade fazia nas horas vagas peças em crochê e as doava ao Lar André Luiz, da qual era voluntária.

Gemma faleceu em sua residência em São Paulo, vítima de fulminante ataque cardíaco.”

Nossas Raízes – Parte II de VII

6 jan

Itália 1895…

 

Como nos outros países europeus, a Itália vinha passando por uma séria recessão: a guerra civil e a mecanização industrial contribuíam para agravar os conflitos sociais e o país mergulhava num caos.

Com a falta de emprego, os chefes de família desesperavam-se.

A solução encontrada por muitos foi emigrar para a América do Sul: de lá mandavam notícias de que havia trabalho para todos.

A partir de 1865, aumentava o número de navios que partiam da Itália rumo a uma terra distante, mas promissora, chamada Brasil.

Entre 1895 e 1897, presumivelmente, Luiz Zanon e sua jovem esposa Maria Luíza Brunholo resolveram, juntos com vários companheiros, embarcar nessa arrojada aventura.

Comprimidos entre a mulidão que se aglomerava no cais, procuravam não pensar no que deixavam para trás: a Pátria Mãe, os pais, parentes e amigos que provavelmente jamais tornariam a ver.

Levavam consigo um bebê de apenas três meses de idade, convalescente de uma doença infecciosa. Enrolada entre as mantas, em meio à modesta bagagem, procuravam abafar o choro da pequenina Gemma, pois se descoberta, tornaria impossível a viagem há tempos planejada.

Conseguindo passar pela fiscalização embarcaram e, acenando em adeus aos que ficavam, partiram em busca de seus sonhos.

Apesar das condições precárias e do desconforto da travessia, a valente menina sobreviveu e junto com seus pais desembarcou em terras brasileiras.

Alguns se estabeleceram no Paraná, atraídos pela riqueza dos cafezais; outros foram mais para o Sul; outros para São Paulo.

Luiz Zanon era pedreiro e se estabeleceu com sua família em Machado, pequena cidade de Minas Gerais que estava em expansão e precisando de mão-de-obra.

E aqui tiveram mais quatro filhos: Tirteo Ferdinando (PS: meu avô), Adalgisa, Aureliano e Leopoldo.

E nós não estaríamos aqui se eles não houvessem constituído suas famílias das quais fazemos parte:

· A primogênita Gemma desabrochou, tornando-se uma linda moça. Casou-se com Roberto Annoni e tiveram cinco filhos;

· Tirteo Zanon casou-se pela primeira vez com Hemengarda Tavares, tendo com ela quatro filhos. Ficando viúvo, casou-se novamente com Leonina Vieira Machado (PS: minha avó), nascendo desta união seis filhos;

· Aureliano casou-se com Ida Luiza Couto e daí tiveram sete descendentes;

· Mirza Pedroso foi a escolhida de Leopoldo e lhe deu seis filhos;

· Adalgisa casou-se com Nicanor e não tiveram descendentes.

Vimos então, na “Árvore da Vida”, os galhos se multiplicando, as flores se transformando em frutos, gerando essa grande família que somos e que aqui está em parte representada. Temos ramificações na Bahia, na França e na Alemanha e talvez em outros estados, o que impossibilitou o comparecimento nesta ocasião.

Como é comum se dizer que nem toda alegria é completa, podemos assegurar que neste momento paira sobre nós a lembrança e a saudade dos nossos queridos ausentes, aqueles que já não convivem conosco neste plano, mas não saem de nossos corações. É a eles que queremos neste momento dirigir nosso pensamento e pedir-lhes que vibrem conosco, pois temos certeza que se aqui estivessem estariam felizes com esta confraternização.

E a vocês, presentes com seus familiares, queremos dar nosso abraço amigo. Sejam bem-vindos.”os galhos se multiplicando, as flores se transformando em frutos, gerando essa grande famos. imposso livro que procurou narrar