Arquivo | fevereiro, 2005

Um Presente Muito Especial (11/11/1997)

28 fev

Instruções: O cenário é um bairro de classe média. As personagens são dois meninos. O assunto: os presentes de Natal. Imagine que você passava por perto e ouviu a conversa entre esses dois meninos. Conclua estabelecendo uma relação entre os sonhos e a realidade social que cercam esses meninos.

Estávamos na véspera de Natal.

Eu estava passando por uma rua localizada num bairro de classe média de São Paulo. Como caminhava devagar, dava para perceber todos os sons que a cidade proporcionava àquela hora iluminada da manhã.

Defronte a um prédio, havia dois meninos com a idade de, mais ou menos, dez anos. Eles conversavam sobre os presentes de Natal:

_ Nossa! Você já viu aquele carro vermelho da Star, João?

_ Já. Não é aquele que tem controle remoto?

_ É esse mesmo! Imagine ganhar um desses no Natal!

_ Nossa, eu iria adorar! Pena que custe muito caro e papai não poderá comprá-lo para mim.

_ Falando em caro, você já pensou em quantas crianças não receberão um presente neste Natal?

_ É… Muitas delas passarão o Natal trabalhando para sustentar a família. Renato, sabe o que eu mais queria ganhar neste Natal?

_ O carrinho vermelho da Star?

_ Não, Renato! Uma coisa mais importante que isso.

_ Não faço idéia.

_ Eu queria que todas as crianças do mundo parassem de trabalhar, pelo menos na noite de hoje, e tivessem um grande banquete. Eu queria que todas as pessoas fossem amigas umas das outras, que o mundo vivesse em paz. Será que Papai Noel pode me dar esse presente?

_ Não sei. Vamos embora que nossas mães devem estar preocupadas.

E saíram correndo, para dentro do prédio.

Eu me admirei com aquela criança. João, apesar de pequeno, tinha o coração de um gigante.

Continuei minha caminhada, pensativo.

O Natal passou.

Acho que João não ganhou o presente que queria, como milhares de outras crianças, mas talvez ele mantenha suas esperanças e consiga vê-las realizadas um dia.
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Comentários

Até que João cresceu e entendeu que o Papai Noel tbm é capitalista….rs
Patty | 02/03/2005 01:14

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Não deu certo (03/11/97)

25 fev

Instruções: Escrever uma redação que comece com a frase “Estava arrumando minha casa, quando você chegou”.

Estava arrumando minha casa quando você chegou.

A casa já estava uma bagunça: idéias reviradas, pensamentos perdidos, acontecimentos esquecidos, amores mal-vividos e poesias embaralhadas.

Você nem pra me ajudar! Resolveu aparecer na minha casa, assim, de repente. Nem me avisou, nem me mandou um recado.

Você entrou em minha casa e ficou. Ficou e me deixou pensando em tudo o que eu estava fazendo, ou melhor, tentando fazer.

Eu ali, pensando, pensando; e você aqui, me olhando com o olhar mais doce e meigo que já vi. Um olhar lindo, que chegava a tornar minhas faces rubras. Eu não pude resistir a esse olhar, e fui me deixando levar por ele; encantada, ávida por desvendar seus mistérios.

Encantada… esta é a palavra exata para o meu estado. Hipnotizada, talvez.

Minha casa ganhou mais um cômodo. Esse cômodo é o mais misterioso e o mais difícil de ser arrumado. É claro que a casa continuava com a bagunça anterior, mas, agora, ela estava repleta de luzes e perfumada com os mais cheirosos odores das mais belas flores.

Meu coração, que antigamente só dava umas voltinhas pela minha casa, tornou-se um hóspede permanente. Você foi junto com ele; você foi morar nele; e os dois ficaram aqui em casa.

Então descobri que tudo pode ser resolvido com um pouco de tempo e de paciência.

Também descobri que, o que é do coração, não pode ser roubado por ninguém; que, o que é do coração, fica com ele para sempre, mesmo que ninguém, nem eu, entenda o porquê disto.
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Comentários

Adorei esse, realmente é um texto maravilhoso….
Patty | 02/03/2005 01:15

Eu tenho este efeito mesmo…
Rodrigo Figueiredo | 28/02/2005 12:49
Resposta: Rodrigo Figueiredo, como vc é convencido!!! O pior é: não tenho como desmentir vc… pois o texto é sobre vc mesmo… mas que vc é convencido, isso é!! rs…

Putz, esse foi o texto que eu mais gostei! Adorei a analogia!
Trotta | 26/02/2005 21:05
Resposta: Obrigada, Trotta! Bom te ver por essas bandas…

Fotografia (23/09/1997)

24 fev

Instruções: Escrever um texto que descreva as pessoas de uma fotografia.

OBS: A fotografia não era essa, mas dá para se ter uma idéia.

Foto Antiga

 

Era uma família bem organizada e bastante unida. Na hora da fotografia os homens colocaram seus ternos e as mulheres, seus vestidos; os bebês estavam todos de macacão.

O membro mais antigo era meu avô: homem sisudo e barbudo, sofrido. Não se interessava por nada moderno e importado. Patriota, chegou a defender a Itália em vária guerras_ o que lhe custou uma grande cicatriz na face esquerda.

Minha avó era de igual seriedade; havia lutado muito na vida e achava que sua vida só servira para agradar ao marido e cuidar dos filhos. Dizia não se recordar de nenhum momento alegre.

Meu tio era trabalhador. Acreditava na força que o povo tem de modificar tudo; tanto que tornara-se político, era vereador de uma província italiana. Enriquecera e casar com uma mulher que quase acabou com sua fortuna. Tiveram um só filho: Romeu. Era um bebê esperto, como a mãe, que já mostrava sinais de prodígio ainda com tão pouca idade.

Minha mãe era doce e meiga. Não era tão sisuda como os outros, nem tão patriota, nem ávida por dinheiro; mas tinha uma honestidade e uma alegria de viver que fazia com que todos se orgulhassem dela. Casara-se com meu pai, homem que, como ela, adorava viver. Era gerente de um importante banco internacional. O bebê que seguravam entre os braços era eu, Julieta; criança curiosa que adorava descobrir coisas.

Naquela época, ainda era a filha única.

Chamas (02/09/1997)

23 fev

Instruções: Escrever um texto usando palavras quentes.

Era um dia de sol. Parecia-me que todos os oceanos, mares, rios, enfim, que toda a água do universo iria evaporar. Tive a impressão de que as pedras se fundiriam a qualquer momento. O sol estava lá, enorme e brilhante, derramando seus raios sobre nós, pobres mortais. Era como um verdadeiro rei poderoso sobre seus súditos.

Meu corpo estava ardente! Dentro de minha casa estava uma fornalha. Meus cabelos estavam em plenas brasas e minhas roupas grudadas em meu corpo pelo suor, afinal, eu transpirava rios e rios, incessantemente.

O pior é que era uma segunda-feira, e o feriado, entre tantos dias da semana, tinha escolhido justo aquele para aparecer. O clube estava fechado e eu sem carro para procurar alguma praia.

Dia perfeito para um churrasco! Provavelmente nem seria necessário o uso de fogão, forno ou churrasqueira; bastaria pôr a carne no sol para que ela torrasse em cinco minutos. Mas minha geladeira estava sem um mísero pedaço de carne.

Parecia-me que o azar me perseguia.

Meu microondas, assim como todos os meus outros eletrodomésticos, estavam em curto-circuito. Ah calor desgraçado!

Meu rosto ardia e estava com uma vermelhidão enorme, mais parecia uma pimenta. Meus olhos soltavam faíscas.

Fiquei imaginando uma pessoa como eu em um deserto. Com o sol, mais parecendo uma lua, pelo seu brilho, sobre a minha cabeça durante o dia todo. Provavelmente eu enlouqueceria nesse lugar.

Mas o que me deixava pensativo era que, como se não bastasse a efervescência do dia, meu coração ardia em chamas profundas e bem mais quentes que o calor do sol…

Um pensamento…

22 fev

Achei esse pensamento no me caderno de Redação. Não lembro se fui eu quem o escreveu (acho que foi), ou se tem outro autor, mas como gostei dele, irei transcrevê-lo aqui.

(08/04/1997)

“No fundo, bem no fundo do coração de cada pessoa, há um sentimento chamado amor. Amor pela pátria, pela fauna, pela flora, pela fantasia, pelas pessoas que nos cercam… amor a nós mesmos. Por mais que uma pessoa possua um grande número de defeitos, há um pouco de bondade e pureza em seu coração.”

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Comentários

hoje te linkei! quem sabe o adriano vê e começa a postar aqui tb! Risos…
Rodrigo Figueiredo | http://rodrigo-fig.blog.uol.com.br | 22/02/2005 11:48

A Cor do Brasil (12/08/1997)

22 fev

Instruções: Fazer uma paródia. Música escolhida: Lourinha Bombril.

Olhe e atente

Olhe como ele fala

Olhe como ele age

Olhe como ele mente.

Esse branquelo tem um cadilaque azul

Esse racista tem os olhos de anil

Aquele negro tem sofrido no sul

Ainda existe racismo no Brasil.

Os negros “tão” levando um “não”

Os pobres vão levando na fé

Ninguém mais “tá” conseguindo o pão

Só há chacina lá na Praça da Sé.

Muito gás, pé-de-cabra

E o sangue “tá” na veia

Ladrão rico solto

E o pobre na cadeia.

Polícia Militar trazendo a solução:

Morte para o povo

E a vida para o cão.

 

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Comentários

Este ficou muito bom mesmo!
Rodrigo Figueiredo | http://rodrigo-fig.blog.uol.com.br | 22/02/2005 12:19

O Fantasma (09/09/1997)

18 fev

Instruções: Conte a estória “O Fantasma” (Trecho de O menino maluquinho, de Ziraldo) como se fosse o próprio menino maluquinho.

Estava sozinho lá em casa. Meu pai e minha mãe tinham ido ao cinema assistir ao filme “Quando eu era pequeno lá em Barbacena”. Meu irmão mais velho estava viajando e meu irmão do meio estava namorando. Sim, eu sou o caçulinha da família.

Resolvi, então, bagunçar pra valer! Fazer um berenquedê pra ninguém botar defeito!

Primeiro, comi todo o chocolate do armário _ estava deliciosamente delicioso. Liguei a televisão e fiquei assistindo filmes, desenhos… Cansei de ficar sentado e, então, peguei umas bexigas e fiz aquelas bolas de ar imensas… A casa ficou toda colorida!

Estava bagunçando bastante, mas ainda faltava uma coisa…

Papai e mamãe estavam quase chegando.

Então, de repente, tive uma idéia fantástica: dar um susto neles me disfarçando de fantasma!

Peguei um lençol branco, fiz dois furos no lençol para os olhos e me cobri com ele. Apaguei todas as luzes e fiquei debaixo da escada da sala.

Quando passaram perto de mim saí correndo de debaixo da escada e:

_ Buuuuuuuuuu!

_ Ai! _ disse a mamãe.

_ Nossa! _ disse o papai.

Não agüentei e caí na risada:

_ Rá, rá, rá… ri, ri, ri…

Eles acenderam as luzes e me viram.

Papai me pegou no colo e mamãe fez cosquinha em mim.

_ Você não tem medo do escuro, não? _ perguntou papai.

_ Eu não, papai. Eu sou o fantasma.

Passamos a noite entre risadas e sustos.

Foi uma noite muito legal!

O Fantasma (Ziraldo)

Numa noite muito escura/ Apareceu o fantasma!!!/ Coberto com um lençol/ Muito branco/

Com dois buracos/ Nos olhos/ Saltou/ Fazendo buuuuuuuuu/ Sobre os ombros assustados/

Do papai e da/ Mamãe/ Que voltavam do cinema.

O susto não foi/ Muito, muito grande,/ Não./ Mas,/ Com o fantasma/ no colo/ o papai lhe/

perguntou:/ “Você não tem medo do escuro?”

E o menino/ Respondeu:/ “Claro que não!/ O fantasma/ Sou eu!”

 

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Comentários

Muito legal o seu blog, Marília! Só consegui comentar agora porque não consigo acessar do trabalho. 😛 Quero ver mais textos, e mais recentes também, hein! 😉 Abraço!
Trotta | http://homepage.mac.com/trotta/ | 21/02/2005 20:51
Resposta: Muito bom te ver por aqui! Quanto a escrever textos recentes… isso demora um pouquinho…

 

Eu conhecia o texto, delicioso.
Patty | 19/02/2005 01:48