Arquivo | setembro, 2008

Um exemplar

30 set

Conheci a Fal em 2007, num jantar árabe delicioso promovido pelas “Falmigas”, dentre elas, minha amiga blogueira (oba!) Cláudia Lyra.
A partir de então, comecei a acompanhar seu blog_ apesar de comentar pouco…
Me senti muito feliz ao receber, em casa, um convite para o lançamento do Livro “Minúsculos Assassinatos e  Alguns Copos de Leite”_ chiquérrimo!


E lá fui eu: de marido envergonhado a tira-colo e tudo!
O Café Fazenda estava lotado e a fila pra cumprimentá-la, maior ainda! Mas, esperei, me apresentei, contei de quando comecei a “persegui-la”, contei que adorei receber o convite em casa e adorei quando ela disse “Ah, você é a Marília?”
Saí de lá contente, apesar de estar sem um exemplar do livro (também fiquei babando nos marcadores!)_ mas money que é good nós não have!

Escrevo essas poucas linhas hoje na tentativa de ganhar um exemplar e conhecer a Fal um pouco mais! A Lúcia Freitas lançou essa promoção no seu blog e cá estou eu, aguardando o resultado.

E, já que estamos em ritmo de campanha eleitoral, prometo que, se ganhar (e após ler o livro, obviamente), colocar aqui minhas impressões sobre ele. 😀

Onde irá parar minha infância?

28 set

Em algum lugar deste blog já comentei sobre pessoas queridas que vão desta para uma melhor_ bem melhor, espero eu.

Assim como já devo ter comentado que não concordo com essa ordem da vida: as pessoas que te acompanharam por uma vida inteira simplesmente morrem enquanto você passará a ser a pessoa que construirá uma nova família…

E se você quiser continuar com sua velha família? Não dá, não pode. Elas inevitavelmente morrerão.

(suspiro)

Uma tia muito muito querida morreu nessa sexta. Já estava mal, na UTI há algum tempo. Fui visitá-la, aliás, na UTI no domingo anterior. Fiquei muito triste ao vê-la cheia de tubos e fios. E já comecei a desconfiar que ela não fosse sair dessa… Como, de fato, aconteceu.

O velório foi sábado, na casa dela. Casa que conheço desde sempre. Casa em que passei todas as minhas férias inteiras (dezembro-janeiro-julho) todos os anos, desde criança até a faculdade. Tinha até o “meu” quarto, o quarto da caçulinha, como ela mesma me disse uma vez.

E ver aquela casa, cheia de parentes queridos,… não sei. Todos estavam tristes, mas cientes de que ela já havia sofrido muito na UTI. Conversas animadas lembravam da alegria de minha tia. Nâo havia ninguém desesperado_ o que foi ótimo. Todos bem, apesar de.

Não sei o que vai ser daquela casa. Talvez nunca mais entre nela caso ela seja vendida_ como a casa de minha avó, que virou um centro de análises clínicas. Talvez nunca mais reveja -fisicamente- a minha infância que está lá, em grande parte. Assim como só verei minha tia nas lembranças…

A sensação que tive, com a morte dela (somada à de outros parentes queridos), foi justamente essa: minha infância está morrendo aos poucos, junto com eles…

A grande família, outrora centrada na figura da avó e dos tios, está se multiplicando e se descentralizando, com cada primo formando seu próprio núcleo familiar. Isto é inevitável e natural, mas é triste.

Centenário Machadiano

24 set

“Ao verme que primeiro roeu as frias carnes do meu cadáver, dedico, como saudosa lembrança, estas memórias póstumas.”

Esse é o início de tudo. Da história do personagem morto Brás Cubas e da trajetória de Machado de Assis como gênio da literatura brasileira. Publicado em livro pela primeira vez em 1881, Memórias póstumas de Brás Cubas traz uma dedicatória sob forma de epitáfio e anuncia algo que seria surpreendente e inusitado para o leitor da época: um romance contado por um autor morto.

Memórias Póstumas de Brás Cubas foi seu quinto romance_ o primeiro a ser publicado pela tipografia nacional. “É o livro que marca a maturidade do grande escritor”, observa o filólogo Domício Proença Filho, quinto ocupante da cadeira 28 da Academia Brasileira de Letras.

Quando li esse livro pela primeira vez (se não me falha a memória estava no fim do primeiro grau ou no início do segundo) quase surtei de prazer literário: adorei o livro do início ao fim. Quem não leu, leia. A partir dele, tornei-me fã de Machado e de sua literatura permeada de entrelinhas.

Não comemoro aniversário de morte de ninguém por achar um tanto quanto mórbido tal comemoração (este ano se comemora o centenário da morte de Machado — falecido em 29 de setembro de 1908). Mas, talvez, ela se encaixe perfeitamente por se tratar do autor de Memórias Póstumas.

O ano de 2008 promete entrar na história nos estudos machadianos. O centenário da morte de Joaquim Maria Machado de Assis será o motivo para a publicação de livros, a realização de debates e inspira a microssérie que a TV Globo planeja – Capitu, adaptação de Dom Casmurro assinada por Euclydes Marinho, que terá direção de Luiz Fernando Carvalho, no âmbito do Projeto Quadrante (que estreou em 2007 com a adaptação de romance de Ariano Suassuna). O centro das celebrações será a Academia Brasileira de Letras (ABL), fundada por Machado de Assis há 110 anos.

A publicação da correspondência de Machado, organizada pelo acadêmico Sérgio Paulo Rouanet, será um dos pontos altos do ano. Com muitas cartas inéditas, o epistolário sairá em dois volumes. De abril a novembro, a Casa de Machado também realiza ciclo de 20 conferências sobre o escritor, em que participarão, além dos acadêmicos, estudiosos brasileiros e estrangeiros como Gustavo Franco, Helder Macedo, Antônio Maura, Jean-Michel Massa e John Gledson.

A Academia fechou também convênio com o MinC para lançar todos os livros do autor a preços populares (que deverão custar entre R$ 3 e R$ 5). No fim do ano, a ABL vai publicar um dicionário sobre a obra de Machado de Assis, sob direção de Ubiratan Machado. No mercado editorial, no segundo semestre, a Nova Aguilar publicará, em três volumes, a obra completa do autor.

Na página eletrônica www.machadodeassis.net, o amante da história machadiana encontrará uma biografia resumida do autor; bibliografia básica, com cerca de 30 títulos de livros; artigos sobre a obra de Machado de Assis; ferramenta de busca de citações e alusões a fatos históricos ou a personagens; dentre outras interatividades.

Leia mais aqui:

Quero ver a exposição abaixo (estão todos convidados):
-Imagem clickaumentável

UPDATE: A exposição foi prorrogada até março de 2009!

Pasárgada

19 set

“Vou-me embora pra Pasárgada/ Lá sou amigo do rei/
Lá tenho a mulher que eu quero/ Na cama que escolherei (…)”

Manuel Bandeira

Exatos dez anos depois, voltei a Brasília pela segunda vez. Desta vez a trabalho, não a lazer.

A empolgação com a oportunidade de trabalho que surgiu deu lugar, primeiro, à saudade: viajar pra tão longe sem o marido e sem a filhota canina não foi fácil. Tratei logo de, ao sair da rodoviária Tietê, ler Alice no País das Maravilhas pra afastar tais pensamentos.

Depois veio a nostalgia: me recordei de uma das paradas (ela continua a mesma após dez anos?), da paisagem seca e plana, de árvores de tronco retorcido (exatamente como contam os livros de geografia), das letras do Legião Urbana… Achei engraçadíssimo deparar com compotas de doces de Poços de Caldas (minha quase terra natal).

A viagem de quase 15 horas de ônibus foi tranqüila. Deu até pra dormir um pouco.

Chegando a Brasília, na Rodoferroviária, estranhei um pouco: não é uma Rodoviária Tietê da vida… Mas acabei encontrando o que precisava: banheiro, comida e guichê para comprar passagem para a outra parte da viagem: ida a Posse, cidade do interior de Goiás.

Após duas horas de espera, já lendo Alice no País dos Espelhos (continuação pouco conhecida do primeiro livro), embarquei no ônibus. O tempo de viagem previsto era de cinco horas e meia, devido às inúmeras paradas que o ônibus faz (o famoso pinga-pinga mineiro). O percurso levou uma hora a mais que o previsto, pois um dos pneus do ônibus estourou_ asfalto quente, um ar salgado, eu diria. Até resolver tudo, trocar o pneu num posto… demorou. No posto, deparei com vários cachorros sem dono… um deles me lembrou muito Baleia, de Graciliano Ramos, pela magreza… suspiro. Tudo é seco por aqui, pensei.

Chegando a Posse, exatamente 24 horas após ter entrado no ônibus em São Paulo, Helena estava me esperando, segurando um papel onde estava escrito: Marília, seja bem-vinda! Recepção melhor impossível! Conheci seus filhos (que são crianças lindas) e marido, alguns amigos; comi uma torta de queijo e um Mané Pelado (torta de mandioca e coco) divinos, tomei meu nescafé… Tomei banho (estava precisando!).

Não dormi sem antes escrever essas poucas linhas. Quis registrar, pra não correr o risco de esquecer detalhes.

(…)

Os dias que se seguiram foram de muito trabalho: fiz audiometria em alguns funcionários de algumas fazendas da região (na região de fronteira Goiás-Bahia). A região é uma das principais produtoras de algodão do país.

Os dias também foram de fortalecimento de laços: a família que me acolheu é um encanto! Adorei! Fizeram de tudo pra me contar e mostrar sobre a região (coisas boas e ruins, belezas naturais escondidas pelo período de seca…) e fizeram de tudo pra que eu me sentisse em casa_ o que deu extremamente certo! Já sinto saudades da nossa convivência… Não posso deixar de mencionar os cachorros, principalmente a vira-lata Fúria, que de fúria tem só o nome.

Uma coisa que havia me esquecido de mencionar: Posse é uma das regiões mais gaúchas de Goiás (tanto que o prato típico é, nada mais nada menos, o churrasco gaúcho!).

(…)

Voltar pra casa foi bom. Bom partir, bom voltar. Estava com saudades do marido, da filhota canina, da casa, dos amigos… Confesso que foi difícil a re-adaptação à rotina. Mas, é isso: estou de volta!

PS: Cheguei na quarta-feira à tarde. O Manso, vira-lata lindo da praça, só refez as pazes comigo pelo “abandono” hoje à noite. É mole?

Amazônia em alerta

5 set

Faz um certo tempo fiquei chocada com a notícia de que o petróleo amazonense está sendo explorado. Há alguns post tinha ficado estarrecida com uma frase do nosso querido Bush que sugeria exatamente isso.

Regiões ricas em diversidade animal/vegetal estão licitadas ou em processo de licitação para exploração de petróleo e gás natural. O.o

Um estudo revela que, se a infra-estrutura de exploração não tentar minimizar os impactos ambientais, aves, mamíferos e anfíbios que existem nesses 688 mil km2 podem perder parte de seu habitat. A área equivale a território maior que a França.

O perímetro com maior biodiversidade engloba cinco países: Brasil, Colômbia, Bolívia, Equador e Peru. Os dois últimos concentram a maior parte da região afetada e que já pode entrar em alerta pela ação humana.

A pesquisa aponta que 495 mil km2 já foram concedidos a empresas para exploração e produção do petróleo e do gás natural. O restante já foi demarcado e está à espera de ser leioado.

No Brasil, a área afetada está concentrada na Bacia do rio Solimões. Na região já trabalham a Petrobras e a argentina Oil M&S. Até agora, porém, somente o campo de Urucu, pertencente à Petrobras, está em alerta. A recomendação dos cientistas é que o país não abra estradas ao explorar o petróleo para impedir o surgimento de povoados urbanos em plena floresta, o que favoreceria a extração ilegal de madeira e a
caça predatória.

Mais em http://publimetro.band.com.br

No Dia da Amazônia a comemoração está um tanto quanto às avessas…

De que adianta tanto petróleo, se o mundo está cada vez mais poluído?