Archive | junho, 2005

Não sou robô (1998)

1 jun

Moda, moda

Escravizadora dos homens

Sãos de consciência.

Anúncios, ofertas,

Tudo é feito para fazer

Com que nós, pobres mortais,

Gastemos nosso suado dinheiro

Com luxúrias sem fim.

Ah, mas a qualidade é melhor!

Ah, mas vestem bem!

Tolices dos dias atuais

Não há mais seres humanos

O que existem são robôs uniformizados:

O mesmo sapato, calça, blusa,

As mesmas unhas, os mesmos esmaltes,

Bonés, relógios, carros.

Moda

Ditadora que impõe comportamentos

Quem não a segue

É louco, brega ou quer aparecer.

Quando, na verdade,

É único, não admite cópias.

Oh, meus irmãos,

Saiam de suas fantasias

E mostrem-me seus rostos.

A dignidade humana

Não depende das marcas,

Meros objetos de desejo e consumo,

Mas sim do coração, da mente,

Do eu-interior, do eu-único

De cada um.