Arquivo | maio, 2008

Manso

26 maio

Para ler ouvindo:

Nesse último sábado (dia 24) eu conheci o Manso.

Saí com a Lilo para seu passeio matinal de sempre.

Depois dela quase me matar saindo correndo atrás de um cachorrinho para brincar com ele, atravessando ruas e não atendendo aos meus chamados, seguimos para a costumeira praça detrás do meu prédio.

No caminho, encontramos a Nina_ uma cachorra muito linda de um catador de papelão. Sempre conversamos: eu com o senhor e a Lilo com a Nina. O senhor me contou que a Nina já tinha brincado muito com um cachorro vira-lata que estava na praça. Perguntou se eu não queria adotar mais um cachorro, porque ele também não poderia. Disse que eu não poderia, pois não cabe mais nada aqui em casa (um apê de dois quartos).

Chegando na praça, encontrei o tal cachorro: preto e branco, como a Lilo, mas de pernas mais compridas, como a Nany (cachorra da Fefa). Pela energia (e pelos dentes, como algumas crianças me contaram mais tarde), parece ter pouca idade. Ele e a Lilo brincaram até cansar!

Em um canto da praça, estava estendido um papelão enrolado num lençol e uma vasilha vazia. Peguei a vasilha e fui até a portaria do prédio mais próximo, e pedi aos porteiros que dessem um pouco de água para o cachorro. Eles disseram que não poderiam dar água. Desolada, sem saber como ajudar (e de TPM, o que me deixa extremamente melancólica e down), sentei no banco da praça e chorei. E pedi a Deus que olhasse pelo cachorro, tomasse conta dele. Com os dois cachorros me olhando, sem entender. Acho que também me lembrei da Lilo, que também estava na rua antes de ser adotada…

Fiquei lá um tempo_ o que foi ótimo. Porque chegaram duas pessoas (o dono do Zeus e o dono de dois poodles) que fizeram a maior festa com o virinha da praça. E me contaram que estão cuidando dele, dando comida, água. O dono dos poodles me disse que levou o virinha pra casa dele sexta-feira, na hora do almoço; e quando ele viu, o cachorro estava deitadão na cama dele!!! Uma graça! E iria levá-lo de novo. (Ele mora no mesmo prédio em que os porteiros não deram água para o cahorro.) Eu disse que ajudaria também; levaria água e ração essa noite e sempre que pudesse. E entraram no prédio: o moço e o vira, feliz da vida, balançando o rabo!

(…)

À noite eu voltei lá com a Lilo; levando um potinho com ração e outro com água.

O virinha estava rodeado de crianças, brincando. Elas já tinham dado água e ração para ele. Adoraram eu ajudar. O virinha tomou água e comeu um pouco da ração que levei e as crianças guardaram o resto para amanhã. Ele já ganhou até uma bolinha e um nome: Manso.

As crianças planejam comprar uma casinha para ele, para protegê-lo da chuva e do frio. E fazer da praça a morada dele (tem um prédio aqui perto, em uma pracinha próxima a que eu estava, que adotou um cachorro: o Negão. Ele dorme em uma casinha na calçada, e passa o dia ao lado dos porteiros, recebendo afagos e ração dos moradores. Ele já foi até notícia na Folhinha esse ano.)

Disse a elas que seria bom, mas seria melhor ainda se ele conseguisse um dono, que pudesse cuidar sempre dele. Que seria bom que cada um divulgasse aos amigos. Com uma pequena tristeza, eles me responderam: “Ah é. Deixa ele só ficar mais forte que a gente fala para as pessoas dele.”

Despedi-me das crianças com um peso menor nos ombros. Despedi-me do Manso, com um afago e um “Dorme com Deus”.

(…)

Manso é de todos e não é de ninguém. Torço para que ele logo encontre um lar, onde possa se abrigar da chuva, do frio e dos maus-tratos. Enquanto isso não acontece, ajudarei no que for possível. Caso você queira, ou conheça alguém que queira adotar um cão simpaticíssimo, entre em contato por aqui ou pelo meu e-mail (mariliazafig@gmail.com).

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Este post foi escrito no sábado. Hoje, segunda, ele já merece um update: Manso continua lá na praça. E já ganhou vários cuidadores. Não sei como vai ser quando chover, pois não tem nada cobrindo a caminha de papelão… As crianças já juntaram R$60,00 para comprar a casinha dele. E a Lilo adora brincar com ele (não sem antes roubar um pouco de sua ração).

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Não tem preço!

22 maio

A rede de cartões de crédito Mastercard lançou uma promoção bem interessante no site deles.

Você envia uma foto ou um vídeo, junto com uma frase do que não tem preço para você e concorre a vários iPods por semana e, caso a sua idéia seja uma das duas escolhidas por eles, você ganha 10 mil reais por mês (durante seis meses) para gastar em compras.

Leia mais detalhes da promoção lá no outro blog!

Eu, que adoro uma promoção, e tô precisando ganhar um dimdim, já enviei um vídeo e uma frase! Ainda não saiu no site (quando sair, eu aviso), mas pra você não ficar curioso, eu te conto a frase e mostro o vídeo!

“Ser recebida com festa, todos os dias, pela sua cachorra, ao chegar em casa do trabalho: não tem preço!”

UPDATE: Meu vídeo já está no site! Ajude-o a ser o mais visto da semana, clicando aqui! O maridão já mandou a participação dele também! Veja-a nesse link!

Quando um cão-guia pára uma calçada…

15 maio

Hoje, voltando da clínica onde trabalho, passava pela Domingos de Moraes, avenida movimentada, quando uma coisa me chamou a atenção: uma menina cega sendo puxada por seu cão-guia_ um labrador preto lindo, feliz e cuidadoso, desviando das pessoas para que sua dona pudesse transitar tranquilamente.

Eu caminhava lado-a-lado dela e estávamos chegando à esquina quando o cachorro parou: havia um obstáculo impedindo a passagem por toda a calçada_ uma rede laranja obstruía a passagem, e, logo à frente, a calçada estava toda despedaçada, em obras!

O cachorro sem saber por onde ir e a moça dizendo a ele “Vai”.

Não sei que solução o cachorro encontraria (nem quando ou se encontraria); mas fui oferecer minha ajuda. Expliquei a ela como se encontrava a calçada e ofereci minha mão para guiar ela e o cachorro (que era um fofo e ganhou um cafuné meu!).

Levei-a até a esquina por uma passarela improvisada na rua com as tais redes laranjas e atravessamos a rua. Perguntei o nome do cachorro: Cadu. Ela já sabia qual caminho seguir e nos despedimos: “Tchau!”, “Tchau!”, “Tchau, Cadu!”, e ela riu.

Todas as pessoas que passavam por ela paravam na calçada para ver a cena. Todos se admirando do cachorro. Eu também fiquei olhando; despedindo-me do cachorro e vendo se ela precisaria de mais alguma ajuda.

De repente, ela virou a esquina e sumiu de vista! Um senhor do me lado explicitou a curiosidade geral: “Ah, eu queria ver como o cachorro faz pra atravessar a rua, mas ela virou!”.

Ela foi embora e eu fiquei pensando em todas as dificuldades que os deficientes (sejam visuais, auditivos, motores, e outros) encontram no seu dia-a-dia. Como é difícil atravessar uma rua, pegar um ônibus, subir um morro, andar pelas calçadas esburacadas… sem uma sinalização adequada que os oriente.

Também fiquei pensando nos cães-guias

O Projeto Cão-Guia de Cego teve início no Distrito Federal, em 2001. Em 2002, foi sancionada a lei n° 2.996, que regulamenta o acesso de cães-guia no Distrito Federal e garante o livre acesso não só do deficiente visual e físico com o cão-guia, mas também dos treinadores e famílias cuidadoras dos cães a qualquer estabelecimento e transporte público.

A escolha das raças caninas a serem utilizadas para a função de cão guia é bastante diferente dependendo do país. Mas, de maneira geral, as mais utilizadas são: Pastor Alemão, Golden Retriever e Retriever do Labrador, mas isso não quer dizer que apenas estas raças tenham aptidão para serem treinadas. Na Nova Zelândia, por exemplo, até mesmo os simpáticos vira-latas podem ser treinados para ser um cão-guia.

As principais qualidades que devem ser procuradas nos cães são: temperamento dócil e equilibrado, facilidade de adaptação a novas situações, tamanho, tipo de pelagem, inteligência e facilidade em aprender.

Após o nascimento, o candidato a cão-guia é observado até a 8ª semana de vida para verificação da saúde, temperamento e espírito de liderança. Se for aprovado, passa por um período de socialização e convivência com humanos que dura aproximadamente 1 ano, durante o qual será cuidado por uma família voluntária. Quando o cão atinge a idade de 1 ano, ele deve começar o treinamento específico para a função de cão-guia. Quando o trabalho do adestrador com o cão estiver pronto, é chegada a hora de promover a integração do cão com o cego.

Mas nem tudo são flores! Apesar do documento que garante o livre acesso a locais públicos e privados do cego e seu cão-guia, eles continuam sendo barrados pela ignorância e preconceito de alguns.

Uma pequena cidade grande

12 maio

Em meus passeios diários com minha cachorra (que se chama Lilo) encontro com várias pessoas, que também estão passeando com seus cachorros.

Percebi que passei a receber, e também a dizer, mais cumprimentos como “Bom dia” e “Como vai?”, desde que comecei a passear com a Lilo. Teci, então, a teoria de que passear com o animal de estimação contribui para a convivência em sociedade.

Minha cachorra já é sociável por natureza: quer comunicar-se tanto com os outros cachorros quanto com seus donos, fato que acaba por me aproximar dos demais donos.

Munida de papel e caneta (mentira, as anotações foram todas feitas mentalmente), resolvi fazer uma pequena entrevista com os acompanhantes de cachorros que encontrava pelo caminho. Ao todo, foram nove os entrevistados. Responderam à seguinte pergunta: “Passear com seu cachorro aproximou-lhe das demais pessoas?”.

A resposta foi unânime: “Sim!” Mas não parou aí.

Uma senhora japonesa, dona de um poodle preto chamado Torá (um dos melhores amigos da Lilo) completou: “Moro aqui há quase vinte anos. Só há dois, quando adquiri o Torá, é que conheci essa praça, que fica atrás da minha casa.”.

Outra senhora, dona de um espevitado schnauzer, chamado Jack, completou: “Eu não conhecia o bairro! Só fui conhecê-lo depois do Jack!”.

O adestrador de um simpático labrador de nome Bug ressalta: “Quem gosta de cachorro cumprimenta, vem conversar. Quem não gosta, passa longe!”.

Eu mesma: moro aqui há pouco mais de três anos e meio e só após adotar a Lilo (há sete meses) é que fui conhecer a praça que fica atrás do meu prédio!

Outra constatação: sei o nome de todos os cachorros amigos da Lilo, mas se souber o nome de um dono é muito!

Dia desses, estava na padaria e fui abordada por uma moça: “Não trouxe sua ferinha hoje?” Ao que eu respondi que não, enquanto me perguntava de onde eu conhecia aquela mulher. Só quando cheguei em casa, me dei conta: ela é dona de um dos “amigos da Lilo”.

Meu bairro ficou com cara de cidade do interior, na qual todos se cumprimentam, todos se conhecem. E até se preocupam uns com os outros!

Há um mês, a dona de um beagle chamado Zeus me contou que tinha um cachorro perdido na praça e que ela achou que fosse a minha! Preocupada, descreveu a Lilo para um dos meninos que havia visto o tal cachorro, ao que o menino respondeu: “Não, tia, não é a Lilo não! Pode ficar tranqüila!”. 🙂

E, de repente, São Paulo ficou pequena, do tamanho de uma praça de bairro.

Este post faz parte do Blogueiro Repórter.

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Os votos serão aceitos até o dia 18 de maio!

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Outro fato pitoresco

8 maio

Ontem (quarta, dia 7), conversando com a Lu e com o Trotta sobre ciúmes, eu e o contamos a eles uma história pitoresca, que ainda me faz rir!

Já havia prometido contá-la aqui, mas tinha me esquecido!

Ela aconteceu faz algum tempo, não sei precisar quanto. Mas já foi no nosso atual apê, então deve ter menos de três anos. Vamos a ela:

Rodrigo chega do serviço e resolve ir tomar banho. Do box ele pergunta:

_Má, cadê o seu xampu?

Eu, tranquilamente, respondo que o meu xampu havia acabado e eu joguei o frasco no lixo.

Depois de tomar o banho, ele sai, enrolado na toalha e começa a vasculhar os lixos da casa.

_Cadê o frasco que não está no lixo?

Ao que eu respondo que já “tirei o lixo” (já deixei o saco de lixo na escada para o faxineiro levar).

Então, com a cara mais séria do mundo, ele olha bem na minha cara e diz:

_Ahann! Aposto que você esqueceu seu xampu no amante, não é??

(…)

Minha reação imediata foi soltar uma boa e estrondosa gargalhada!! Como ri! Olhem só aonde vai a imaginação humana!

Um PS: Somos ciumentos. Ambos. Mas a gente se diverte com o ciúmes, o que é muito bom!

Você sabe o que é caviar?

4 maio

Nesse sábado, um primo meu casou-se aqui em Sampa. Não é bem primo de verdade verdadeira, é sobrinho da minha madrasta. A família da noiva é de Sampa (e é cheia da grana), e o casório foi numa igreja modernosa perto do shopping Eldorado: na paróquia Nossa Senhora Mãe do Salvador – Cruz Torta. Não me pergunte o porque dessa Cruz Torta, eu não sei (leia lá no site que você fica sabendo).

Esse foi o primeiro casamento que fui depois do meu, que fez sete meses no próprio sábado. Foi emocionante, principalmente porque relembrei o meu. A cerimônia foi bem rápida (rápida demais, para o meu gosto), a noiva e o noivo estavam muito bonitos (mas eu e Rô estávamos mais ainda, no nosso dia) e o padre era meio autoritário (quando quis dizer para os presentes se sentarem disse: “Sentados!” _ minha irmã do meio, palhacenta que só ela, disse que era bom nem nos mexermos na cadeira depois dessa) e ex-agente da CIA (pois conhecia até o tataravô dos noivos).

Após a cerimônia, fomos à festa, na Mansão Cidade Jardim. Uma casa muito bonita, bem decorada. A banda contratada era excelente! Os canapés servidos estavam divinos!! Teve até canapé de manga com caviar e carpaccio com escargot (jamais cantarei a música do Zeca Pagodinho da mesma maneira, risos) e pão sírio com patê de foie gras. O mais engraçado foi tirar sarro da minha irmã mais nova, contando a ela o que eram as bolinhas pretas e as coisinhas verdes que ela comeu, e ver a cara de nojo dela! kkkkkkkk… (Mas, se eu parar pra pensar bem, quase me revira o estômago pensar que comi caramujos… blerrrrrrg! E pensar no sofrimento dos gansos, então?!). E o gosto dessas iguarias nem é o Ó do Borodogó…

Depois teve um creme de mandioquinha com caviar de entrada, e uma salada bem arrumada no prato, bem diferente e gostosa. O jantar estava maravilhoso (na minha opinião)! Teve risoto ao funghi, filé mignon ao molho de pimenta, salmão com ervas, capeletti com dois recheios diferentes e uma “tortinha” de maçã em forma de um botão de rosa (tinha um creme de maçã de recheio e, em volta do recheio, pétalas finas de maçã). Uma delícia! Foi a primeira vez que um jantar recebeu minha nota máxima! Não estava nada nem salgado demais, nem de menos. Faltaram fotos das comidinhas, eu sei… mas eu esqueci a câmera em casa! Meu pai não gostou de nada do jantar; achou muito cheio de coisas… ele gosta mais das coisas simples… e devo dizer que não troco meu arroz com feijão diário por essas comidinhas, mas que tava bom, tava.

Depois, a sobremesa: profiterolis, mousse de chocolate com acerola para decorar, sorvetes com calda de frutas vermelhas, cheesecake… uma delícia! E os docinhos da festa: muito bons!!

(Enfim, experimentei vários pratos “chiques” que, é bem provável, nunca mais comerei na vida_ e não estarei perdendo nada, pois, como já disse acima, as iguarias nem são tão boas assim…)

Saí de lá rolando… hehehe… Já no final da festa, ao som de funk (foi muito cômico assistir às moçoilas da high society dançar o Créu nas cinco velocidades). Eu e o Rô só dançamos umas dancinhas-de-rosto-colado do início da festa (meus pés estavam doendo com aquele salto… e, como não sei dançar, acabei ganhando umas pisadelas no dedão). Na saída, nos deparamos com vários travecos nas ruas… quem puder, avise ao Ronaldo desse local! 😀

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PS: Contrariando meus preceitos, entrei no twitter. Caso queira me achar, procure por maroma!