Nossas Raízes – Parte V de VII

13 jan

Aureliano Zanon (dados fornecidos pelo Uriel)

“Foi o terceiro filho de Luiz Zanon e Luíza Brunholo. Nasceu em 14 de Fevereiro de 1902 em Machado. Não recebeu instrução formal compatível com as habilidades que autodidaticamente desenvolveu: foi mestre de obras, torneiro em madeira, desenhista técnico e pequeno empresário.

As características marcantes de meu pai foram: seu senso de justiça, solidariedade humana, responsabilidade social e a tendência incorrigível de se apaixonar por pessoas e causas.

Conseguiu êxito razoável nas atividades a que se dedicou, exceto na de empresário, porque faltou-lhe sorte e empenho para aproveitar-se das oportunidades de explorar os seus semelhantes em benefício próprio.

Teve uma olaria que não foi bem. Depois, montou uma fábrica de móveis em Machado e posteriormente em Varginha, que veio a falir. Uma das causas da falência de sua empresa foi sua filiação ao Partido Comunista Brasileiro, em 1946.

Teve sorte ao encontrar em Ida Luiza uma esposa ideal, capaz de compensar, com seu amor, humildade e extraordinária capacidade de enfrentar as incertezas da vida, as fraquezas de meu pai.

Ida lhe deu sete filhos: Uriel, Ancila, Cléo e Alfeu em Machado. Em Varginha nasceram Sandra, Aureliano e Adalgisa.

Entre as narrativas que circulam sobre as façanhas de meu pai, há brigas em defesa dos mais fracos e, principalmente de mulheres, fossem elas suas irmãs, namoradas ou namoradas dos amigos.

Lembro-me de certa vez ter ouvido meu pai contar como, de revólver em punho, evitara que um amigo seu fosse linchado pelos capangas de um fazendeiro.

Meu primo Luiz tinha nove anos de idade e estava inconsolável num canto da oficina do “Tioreliano” porque não tinha um carrinho de rolemans para brincar. Meu pai veio saber o que o afligia tanto. Então, ele mesmo construiu o carrinho e o entregou ao primo. Este singelo presente fez de Luiz um admirador incondicional de meu pai.

Ele faleceu de asma cardíaca aos 48 anos. Graças à união e à solidariedade dos Zanon foi que a nossa família sobreviveu.

Este foi Aureliano Zanon: filho de imigrantes italianos, autodidata, comunista por equívoco, anarquista por vocação, romântico e sedutor por natureza, arauto da utopia, o filho menos sensato de Luíza Brunholo. Simples como a unidade e, paradoxalmente, completo como o universo, permanece na memória de todos nós muito além de nossa capacidade de julgamento.”

Anúncios

5 Respostas to “Nossas Raízes – Parte V de VII”

  1. Fefa 13/01/2008 às 11:10 #

    Saber dessas histórias atráves do filho é muito legal. É visível a admiração pelo pai, não é?

    É sim! 😉

  2. Poeta 14/01/2008 às 11:14 #

    Não sei pq, mas eu gostei dele…

    rsrsrsrsrsrs

    hehehehehe… 😛

  3. OgrO 14/01/2008 às 13:06 #

    Muito bom! Defendendo os mais fracos… se todos fossem assim, o mundo seria um lugar melhor…

    Com certeza!

  4. policarpe 23/01/2008 às 0:49 #

    Muito bonito este depoimento…Estou gostando muito dos seus familiares. Conviver com pessoas assim é uma experiência fabulosa, um grande aprendizado pra toda vida. abraços

    Com certeza é… é bom demais!

  5. SILVIA SILVA BENEDETTI 07/09/2010 às 19:58 #

    Quanta emoção! Conheci o sr Aureliano, dona Ida, e os filhos. Fui amiga da Ancila, Uriel. Casada, saí de Varginha. Estarei lá autografando meu terceiro livro,no dia 11 de outubro. Gostaria muito de encontrar Ancila, Sandra, Cleo , todos enfim. Onde mora o Uriel? Temos por certo muito o que conversar nestes conquenta e tantos anos separados. aguardo notícias. Abraços.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: