Arquivo | dezembro, 2007

Disciplina

30 dez

Acho que minha meta para 2008 é ter disciplina.

Só isso? Você pode me perguntar. Ao que eu respondo: tudo isso!

Pra mim não é fácil ser disciplinada. Acabo esquecendo de afazeres, acumulando coisas a fazer, deixando de lado coisas e pessoas que não poderia deixar.

Não é mole estudar (sim, porque, sem estudos a gente não se aprimora, não sai nunca do lugar), fazer pesquisa (na faculdade), trabalhar, cuidar do meu gatinho (esse não faz miau, tá?), cuidar da minha cachorrinha (ela é uma fofa!), cuidar da casa (essa a gente até deixa passar, né?) e ter tempo para a preguiça.

Mas sei que, com disciplina, serei capaz de fazer tudo isso!!

O ano tem tudo pra ser bem-aproveitado: desfile no sambódromo pela Vila Maria, viagem de lua-de-mel, possível mestrado, possível concurso público… Resta a mim, saber aproveitar cada momento, pois ele será único.

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Adorei ter a companhia de todos os que passaram por esse blog; foi o ano que mais me dediquei a ele, fiz mais “publicações”. O que me rendeu 318 visitas como recorde em um dia, 1470 visitas recordes em uma semana, 5337 visitas recordes em um mês, finalizando o ano com quase 29 mil visitas e aproximadamente 700 comentários (o meu primeiro ano no WordPress, que começou em 18 de janeiro). Espero continuar com esse pique todo ano que vem! E espero poder continuar com sua visita!

Adorei a Lilo ter aparecido em minha vida: ela foi um presente maravilhoso!

Adorei ter meu gatinho por mais esse ano, agora oficialmente casados.

Adorei a presença de meus amigos e de minha família.

2007 foi bom, mas 2008 será muito melhor (pois serei uma menina disciplinada)!

E será melhor para todos nós, família, amigos, conhecidos e não-conhecidos. Não vale esperar de braços cruzados por uma solução divina: cabe somente a nós melhorarmos e salvarmos esse mundo em que vivemos, através de nossos atos e palavras do dia-a-dia! Bom trabalho para nós!

 

Feliz Ano Novo a todos! 

Ai, que preguiça!

23 dez

Bom, como o prometido, o texto a seguir é um resumo do texto de Eugênio Mussak.

A preguiça é uma espécie de defesa contra a realização de alguns trabalhos ou atividades de qualquer natureza. E isso ocorre porque somos dotados de um comando central que insiste em economizar energia. Tal mecanismo é uma herança de nossos ancestrais, pois na época deles era muito difícil abastecer a despensa. Quanto menos energia gastarmos, menos necessidade teremos de ir à luta, caçar ou saquear – e, como essas coisas têm lá seus perigos, é prudente evitá-las. É melhor ficar descansando, economizando energia para as necessidades vitais.

Atualmente, não temos mais que fazer grandes esforços físicos para obter alimento, basta ir até a geladeira ou, no máximo, ao supermercado. Desenvolvemos uma organização social que tem como virtude e objetivo facilitar a vida do ser humano. Temos ao alcance de nossa mão ­ e de nosso dinheiro – as benesses da ciência, a tecnologia, os serviços prestados por profissionais que ganham para isso, a organização e os métodos que reduzem esforços, e assim por diante. É assombrosamente mais simples viver hoje que na época de nossos avós, por exemplo. Como não havia refrigeração, os alimentos não podiam ser armazenados, a não ser com a adição de grandes quantidades das tais especiarias, e mesmo assim por um período muito mais curto que hoje. A tecnologia de comunicação era o mensageiro, a de transporte era a tração animal, a de aquecimento era a lenha. Isso sem tentar explicar o que era viver sem água encanada e sem esgoto.

A preguiça é seletiva. Como nosso primeiro pensamento é o de nosso cérebro mais primitivo, aquele que seleciona seus interesses pelo prazer ou pelo atendimento a uma necessidade imediata, temos, em princípio, preguiça para fazer qualquer coisa que só irá dar prazer ou resultado depois de algum tempo.

Preguiça, portanto, é normal. Só deixa de ser quando não é controlada, e então dá de dez a zero nas decisões. Mas há uma alternativa, uma luz no fim desse preguiçoso túnel: a disciplina – conceito fácil de entender e dificílimo de implementar. Ter disciplina pessoal significa decidir o que deve ser feito, e fazer. E isso não pode depender da vontade do momento. Tem que depender da decisão que foi tomada antes, porque a vontade é emocional, enquanto a decisão é racional. E o comandante tem que ser o racional, pois ele é quem tem o discernimento sobre o que é bom e o que não é bom. O emocional só sabe diferenciar o agradável do desagradável, o que não serve como critério para as grandes decisões.

Devemos considerar que na vida interagem fenômenos complementares: o sentimento, o pensamento e a atitude. Os três são inseparáveis, no entanto, pode variar a ordem em que eles se apresentam. Há três possibilidades: se o sentimento vem antes, é porque você fica esperando a vontade chegar, aí você pensa o que é que tem que fazer para atendê-la, e só então toma a atitude. No segundo caso, você coloca o pensamento na frente e se ele for consistente, se tiver qualidade, será capaz de gerar sentimento. Esse sentimento chama-se motivação, que é o grande propulsor do trabalho e da realização. E no terceiro caso você pensa no que é bom para você e faz. Não fica esperando a “vontadinha” chegar, porque ela talvez não chegue nunca, e a preguiça ganha a batalha. A notícia boa é que a vontade sempre chega, em geral depois que começamos a fazer o que tem que ser feito. Já reparou que, mesmo quando não tem vontade de ir à academia, depois que está lá se sente bem? O que acontece é que a ação precedeu o sentimento, e isso foi mediado pelo pensamento. Legal, né?

Não esqueça que a indisciplina dispersa energia, a disciplina condensa. Ser disciplinado significa obedecer às ordens que você dá a si mesmo.

Sempre que a essência do homem foi colocada em teste, como na guerra, nos esportes e nas ciências, a disciplina mostrou seu valor. Tivemos até alguns mestres nessa área. Um deles foi Sêneca, senador romano de origem espanhola que viveu entre 4 a.C. e 65 d.C. Ele adaptou e aplicou à vida prática a filosofia estóica, criada pelo grego Zenão no século 4 a.C., em que a disciplina é absolutamente fundamental. De acordo com essa filosofia, a principal causa do sofrimento humano é a fraqueza da vontade, e isso termina por levar o homem a condutas deploráveis, como a preguiça, a inveja e a cobiça. Sêneca repetia que a pessoa que domina sua vontade comanda seu destino, e aquele que não domina sua vontade é apenas arrastado pelo destino, que foge do controle.

Ser disciplinado não significa ser chato, quadrado, metódico. Significa controlar os impulsos primitivos que buscam, acima de tudo, o prazer e a economia de energia. E, nesse caso, parodiando Macunaíma, o herói sem caráter, em sua carta aos Icamiabas: “Pouca vontade e muita preguiça, os nossos males são”.

Resumo da ópera, a meu ver: a preguiça é essencial! Para que possamos gozar dela (termos tempo), é necessário que cumpramos nossas obrigações mínimas com disciplina (que é o que me falta!). Já dizia Renato Russo: “Disciplina é liberdade!”.

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PS 1: Adotei duas cartinhas do Papai Noel dos Correios! Escolhi uma menina que pedia material escolar e uma senhora que pedia roupa de cama. Tenho que dizer que, infelizmente, existem pessoas que abusam: li várias cartas que pediam MP3 e MP4 e até uma que pedia um notebook. Sem noção, né?

PS 2: Quero desejar um Feliz Natal a todos os que passarem por aqui! Beijos! 😉

Ai, que pregui…

18 dez

O tema do post é a preguiça… essa danada que vive no meu pé! Vou apresentar dois textos muito interessantes sobre o assunto: um neste post e outro no próximo. Vale lembrar que ambos são da Revista Vida Simples (da qual sou fã!): o primeiro é de maio de 2006 e o segundo é fresquinho, da última edição. E expressam opiniões complementares, eu diria.

 

Vamos à primeira. Resumi o máximo que pude do texto da Mariana Sgarioni.

“Não sou preguiçoso; sou contemplativo.”
Dorival Caymmi

Caymmi é vanguarda. De uns tempos para cá, cultivar a preguiça virou moda. Cada vez mais gente chega à conclusão de que uma agenda lotada de tarefas a cumprir num mínimo espaço de tempo não é mais motivo de status, e sim uma fonte de frustrações pessoais, além de porta escancarada para uma série de males, que vão da estafa aos ataques cardíacos.

Preguiça é a arte de não fazer rigorosamente nada. Isso quer dizer nada de oficialmente produtivo, bem entendido. A hora da preguiça pode ser um momento de contemplação, como ensina o mestre Caymmi. Pode ser coçar as costas por horas a fio. Pode ser tirar uma soneca. Pode ser ainda ficar deitado numa rede olhando para o céu e imaginando mil formas para as nuvens lá em cima ­ ou as rachaduras do teto, se preferir. Afinal, cada um faz nada do jeito que achar melhor. O que importa é apreciar esse momento de devaneio, de recolhimento e quietude como algo que pode ­ e deve ­ ser incorporado a sua vida.

É bom lembrar que não estamos falando aqui de fazer as coisas mais devagar, nem parar o que se está fazendo com o objetivo de ficar mais criativo e depois conseguir produzir mais e mais. Segundo o dicionário Aurélio, preguiça é justamente aversão ao trabalho, é indolência. É morosidade, lentidão, pachorra, moleza. Por definição, assim a seco, a preguiça já carrega um estigma ruim, coitada. A má fama da preguiça é algo que vem passando de geração para geração e foi construída ao longo dos tempos, atingindo em cheio o Ocidente mais especificamente a partir da Era Cristã; ­ sim, porque, na Grécia antiga, aqueles que ficavam largadões, dando asas ao livre pensamento, eram considerados seres especiais, que ficavam mais próximos dos deuses.

Já a Bíblia traz inúmeras citações que dão conta da preguiça como algo perverso, a ser evitado. “O que trabalha com mão remissa empobrece; mas a mão do diligente enriquece. O que ajunta no verão é filho prudente; mas o que dorme na sega é filho que envergonha”, diz um dos Provérbios. Deus pode até ter descansado no sétimo dia, mas somente depois de um árduo esforço nos seis dias anteriores. Sem contar que condenou Adão, Eva e sua prole a “ganharem o pão com o suor de seus rostos”. Um castigo e tanto, convenhamos. “Nesse caso, podemos pensar que o trabalho também nasceu de uma maldição. A própria palavra trabalho vem do latim tripalium, um instrumento de tortura”, lembra Olgária Mattos, professora de filosofia da Universidade de São Paulo (USP).

A preguiça é ainda um pecado capital, vizinho da luxúria. A lista dos pecados capitais foi esboçada pelos primeiros pensadores cristãos, aperfeiçoada no século 5 por João Cassiano e fixada definitivamente pelo papa Gregório Magno, no fim do século 6. Nossa amiga preguiça foi a última a fazer parte da lista, acredite. Ela entrou no lugar da melancolia, quando, no século 17, a Igreja resolveu trocar uma pela outra, achando a melancolia um pecado um tanto vago demais.

Mesmo para as religiões orientais, que costumam ser mais condescendentes com as fraquezas humanas, a preguiça está em maus lençóis. “A preguiça é uma mente confusa que se nega a fazer atividades virtuosas, uma vez que está motivada somente pelos prazeres desta vida”, explica a monja Kelsang Palsang, do Centro Budista Mahabodi, de São Paulo. Para o budismo, a preguiça nada tem a ver com a falta de produção de bens materiais. Ela está intimamente ligada a quem não pratica atividades espirituais; ­ portanto (e para a delícia daqueles que amam paradoxos), quem passa o dia inteiro trabalhando feito doido, pode ser considerado um preguiçoso de carteirinha para os budistas. Já quem usa seu tempo meditando e aquietando a mente ­ e isso pode ser feito até enquanto dormimos ­ não é um indolente, muito pelo contrário. Quem dedica horas do seu tempo descansando para recuperar as energias e depois continuar praticando ações que beneficiem os outros também não é nada preguiçoso. “Um certo monge tibetano morava em uma gruta com um grande arbusto na entrada. Ele passava o dia todo meditando e fazendo preces, por isso nunca tinha tempo de cortar o arbusto. Até o dia que a planta cresceu tanto que ele mal conseguia sair de casa. Se ele desperdiçasse seu tempo cortando o arbusto, aí, sim, seria preguiçoso”, diz a monja. O raciocínio budista é simples: de que vale jogar fora todo o precioso tempo que temos na vida trabalhando somente para acumular milhões de riquezas se não vamos levar nada na hora da morte? “Muitas pessoas achavam que os monges eram preguiçosos, pois não trabalhavam e passavam o dia na mendicância. Eles podiam não gerar riquezas materiais, mas geravam a paz.”

No século 15, o puritanismo, religião que crescia na Inglaterra, propagava que quanto mais riquezas um cidadão acumulasse, maiores seriam suas chances de obter a salvação divina. Ou seja, a ordem era acordar cedo e trabalhar muito para edificar o caminho rumo ao reino dos céus. O primeiro sociólogo a fazer a ligação direta entre a cultura capitalista moderna e a religiosidade puritana foi o alemão Max Weber (1864-1920). Para ele, os fundamentos da moral puritana foram a base para a gênese da cultura capitalista. Com a Revolução Industrial e a consolidação final do capitalismo, realmente a situação de quem quisesse se entregar à leseira de vez em quando passou a ficar cada vez mais complicada: a ordem se tornou trabalhar, trabalhar e trabalhar. “Uma estranha loucura está a apossar-se das nações onde reina a civilização capitalista. Essa loucura consiste no amor ao trabalho, na paixão moribunda pelo trabalho, levada ao depauperamento das forças vitais do indivíduo e de sua prole”, escreveu o filósofo francês Paul Lafargue, genro de Karl Marx, que, em plena aurora do frenesi capitalista no século 19, denunciava a ideologia penitencial do trabalho como responsável pela infelicidade tanto da classe operária quanto, por extensão, da própria burguesia européia.

Prova disso são as pessoas que tiram férias e se queixam que voltaram ainda mais cansadas do que quando saíram. Entupir-se de programas, passeios, visitas a museus, cinema, teatro, parques de diversões e uma infinidade de atrações é como se fosse uma obrigação ­ é a reprodução da lógica do mercado de trabalho nas horas vagas. Todas essas opções de entretenimento podem ser muito atraentes, mas elas não precisam preencher o tempo todo.

Quem curte ­ e cultiva ­ a arte de não fazer nada tem bons motivos para comemorar. Os pesquisadores alemães Peter Axt e Michaela Axt- Gadermann passaram anos estudando o assunto e chegaram às seguintes conclusões, publicadas no livro The Joy of Laziness (“A alegria da preguiça”, ainda sem edição brasileira): levantar cedo causa estresse e prejudica a saúde; uma soneca no meio do dia ajuda a prolongar a vida; e, se o objetivo for viver mais, então você deve evitar o excesso de exercícios físicos. “Assim como os animais, nós também precisamos poupar energia para assegurar uma vida longa e saudável. Devíamos fazer como os bichos: criar o hábito de bocejar mais e espreguiçar bastante para ajudar na circulação do organismo”, diz Peter Axt, porta-voz da lentidão no meio científico.

Aderir à indolência é uma arte. E, como tal, deve ser feita sem preocupações. Caso contrário, ela não trará nenhum efeito benéfico nem para a mente nem para o corpo. Mas o que fazer então? Entregar-se de corpo e alma à frouxidão total dos músculos? Deixar de trabalhar? Não é bem assim. Até porque é bom lembrar que moleza em excesso pode ser sinal de depressão, uma doença séria que requer cuidados médicos. Mas um bom passo para começar a admitir uma dose de preguiça gostosa na vida seria tentar diminuir o número de tarefas a cumprir diariamente, ­ mais qualidade com menos quantidade.

Antes de dizer que não tem tempo para uma deliciosa vadiagem, repare de que forma você gasta suas horas. Quantas vezes checa seu e-mail por dia? Quantos telefonemas inúteis costuma fazer? E as horas em frente ao computador elaborando planilhas sem nenhuma utilidade? Ou xeretando sites na internet? A verdade é que desperdiçamos muito tempo com muitas atividades sem o menor sentido. Assim, sobra pouco mesmo para o dolce far niente.

Trata-se de definir quais são suas prioridades na vida. Procure esquecer um pouquinho os milhões de compromissos e reflita sobre seus reais valores. O que seria mais importante nesse momento: cochilar um pouco depois do almoço ou correr para terminar um relatório que pode ser entregue só amanhã? Atender ao celular ou apreciar o pôr-do-sol que vai acabar em instantes? É preciso mesmo conferir os e-mails a cada três minutos? Que sentido essas tarefas todas fazem na vida? Essas perguntas questionam a própria existência e devem ser pensadas com absoluta calma. Responder a essas e outras questões significa que você está tomando as rédeas da sua vida. E essa é a essência para abrir espaço ao relaxamento, ao devaneio, à doce contemplação. À preguiça, enfim.

Rapidinhas

9 dez

 

Update: A Lilo está famosa!! A mãe coruja dela colocou o post sobre sua chegada no fórum da Revista Vida Simples!! Podem falar: eu babo mesmo!! risos…

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  • Tenho que dizer que quem vai à Rua 25 de Março ou ao bairro do Brás é louco.
    • Agora, quem vai à Rua 25 de Março ou ao bairro do Brás em épocas comemorativas (Natal, dia das crianças, etc – você já entendeu!), é insano grau máximo, é louco profundo, doente mental grave e muito, muito masoquista!!

    (Graças a Deus não me enquadro em NENHUMA das opções acima!! Só vou a uma dessas ruas quando tem algo que precise comprar e valha muito a pena! E é assim: entro na loja X, olho, compro o que fui ver, e saio correndo!!!!)

    • Gente, vamos adotar uma cartinha enviada ao Papai Noel dos Correios?!?! O Inagaki fez um post bem legal sobre o assunto!! Eu passarei na agência mais perto de casa essa semana e adotarei uma!! Vamos lá, vai!!! Colocar em prática o ensinamento mais importante que Jesus nos ensinou (fazer ao próximo o que gostaria que fizessem contigo)!!!
    • Hoje é dia do Fonoaudiólogo!! Me sinto feliz em fazer parte desta profissão tão abrangente!! E desejo que ela cresça cada vez mais!

    Tô numa correria danada, mas logo tem mais!!