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A passagem do tempo

24 fev

Essa semana uma boa notícia me fez pensar no tempo… e me deu uma certa angústia/melancolia… Só sentimos mesmo a passagem do tempo observando as marcas que este deixa em outro ser: é sua cachorra que ganhou pêlos brancos, é uma amiga que se casa… então você se olha no espelho e confirma que sua pele não é mais a mesma, existem pequenas rugas finas no seu rosto.

Minha irmã caçula passou no vestibular: vai cursar odonto na federal de alfenas e morar com a irmã do meio, que faz farmácia na mesma facul.

Minha irmã caçula, dez anos mais nova que eu saiu de casa pra morar em outra cidade e fazer faculdade. Se despediu das cachorras, do meu pai e minha madrasta, e foi.

Estou mesmo velha, o tempo está mesmo passando.

É claro que fiquei radiante com a notícia! Liguei pra ela pra dar os parabéns, liguei pro meu pai e minha madrasta e uma coisa que eles disseram me chamou mais a atençao para o que estava realmente acontecendo: “Agora estamos bem. Em alguns dias, a ficha vai cair. Seremos só nós e as cachorras em casa.”

Nessa hora caiu a minha ficha. Eles estão sozinhos. E mais velhos. Senti um misto de compaixão pela recém-situação deles com um medo da chegada do tempo, que, inexorável, nos priva do contato das pessoas queridas, levando-as embora para outro patamar.

Também senti uma ponta de ansiedade: e quando for minha vez? Quando os meus filhos forem embora de casa? Isso porque ainda nem tenho filhos…

Estou mesmo envelhecendo… o tempo está mesmo passando.

 (Maryl Streep cantando Slipping Through my Fingers, do ABBA. Assistam!)

Mas não dêem ouvidos a nada disso, não dêem a isso mais importância que a merecida. Carpe Diem! Aproveitem a vida, porque ela passa.

Leiloca, querida, parabéns pra você! Curta os anos de facul, a experiência de morar fora, os novos amigos, o novo aprendizado, as festas… curta tudo e aproveite ao máximo! Se precisar, sua irmã mais velha estará aqui! Beijos!

Um ano, uma vida

4 out

Dia 29 de setembro fez um ano que a Lilo está conosco. Mas parece muito mais_ parece que somos parceiras de uma vida inteira, tamanha nossa cumplicidade!

Me lembro de quando ela chegou aqui (para ficar uma semana de teste _ que piada!)… Em seu primeiro dia, já tinha madrinha e roupinha! De como fiquei preocupadíssima nas primeiras semanas ao vê-la tão quieta, sem brincar_ chorei horrores e deixei o pai e a madrinha loucos! Até floral ela tomou.

Com o tempo, ela foi mostrando todo o seu charme. Embora continuasse quieta e comportada (ela não late para quase nada e nem faz bagunça), Lilo começou a brincar e aprontar das suas peraltices.

Um alento nas horas tristes, uma diversão nos momentos mais inusitados, uma companhia pra todas as horas! Ela me ensinou muito: a ser mais sociável, a ser mais responsável, a me doar… fez de mim mais humana.

Nós nos divertimos cantando músicas (dentre elas, “Preta Preta Pretinha”) ou criando paródias especialmente para ela (*), criando mil apelidos, brincando, levando ao “parquinho” (geralmente, o Parque da Independência)… convivendo com ela.

Nesse dia 29, eu a agradeci por fazer parte da minha vida, o pai fez um carinho, a madrinha e o fado padrinho deram uma bolinha super estilosa… E eu desejo que ela fique muitos e muitos anos conosco.

* Uma das paródias que o pai fez, foi baseada na música “Que bonita a sua roupa” do Chaves (vídeo abaixo). “Que gracinha de cachorra, que cachorrinha muito louca, ela é mesmo diferente, não dá pra não ficar contente, e agrada a quem olhar!”

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Nesse Dia dos Animais, fica o apelo para que as pessoas(???) não abandonem seus companheiros de anos apenas porque estão velhos ou porque vão se mudar ou porque simplesmente cansaram-se dele. Lembrem-se também que a Lilo é uma vira-lata, e só nos dá alegrias_ há vários outros esperando por novas famílias (vide barra lateral).

Nossas Raízes – Parte VII de VII

17 jan

Adalgisa Zanon

Tia Adalgisa foi uma linda moça de pele clara e olhos azuis. Era alegre e expansiva; curtia amizades, passeios, namoros, mas era acima de tudo uma batalhadora.

Além de ajudar sua mãe nos afazeres domésticos, costurava para uma exigente clientela em Machado. Era uma modista famosa e requisitada. Por isso, mesmo quando mudou-se para São Paulo, por ocasião de seu casamento com Nicanor, continuou atendendo às encomendas que suas freguesas, já habituadas ao seu talhe perfeito e bom gosto, lhe faziam.

Foi-lhe negada a alegria de ser mãe, mas Deus reservou-lhe outra missão, não menos nobre.

Por ocasião do falecimento de sua cunhada Hemengarda, deixando órfãs quatro crianças, ela não exitou e levou as duas meninas: Hilda e Dalva, para morarem com ela. Teve por elas carinho e dedicação de mãe. Preocupada com o futuro das meninas, ensinou-lhes a arte de costurar, no que era muito capacitada. As meninas, também habilidosas, tornaram-se grandes modistas em São Paulo.

À ela nossa homenagem.”

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E assim o livrinho do Primeiro Encontro Zanon acaba. Contei pra vocês a história de parte da minha família e, o que foi mais importante pra mim, registrei aqui essa história.

O Encontro propriamente dito foi muito bom: conheci várias pessoas que não conhecia e nem sabia que existia. Fui até uma das oradoras (chiquetérrimo, só porque sou sobrinha das idealizadoras do Encontro, mas o que é que tem, hein?)…

Depois desse, houve outros, mas nunca com todo o pessoal que estava presente a esse_ a distância e o dimdim são grandes empecilhos. Este ano o Primeiro Encontro completará 10 anos. Preciso perguntar pra minha tia se haverá um Encontro Comemorativo…

Encerrando o livrinho, temos essa foto clickaumentável, do castelinho construído pelo meu avô.

castelinho

 

Nossas Raízes – Parte VI de VII

15 jan

Leopoldo Lorenzzo Zanon (por seus filhos Derosse, Jesse, Saulo, Ronaldo, Arthur e Mirza)

Não, ele não era alto, porém o fato de ter sido sempre magro lhe conferia esta imagem. Olhos muito azuis, pele clara. O chapéu, que acompanhava nos canteiros de obras e andaimes onde trabalhava, lhe protegia a calvície.

O gosto pela música levou-o a tocar clarineta na banda, em Machado. Casou-se em 1933 com Mirza Andrade Pedroso, com quem compartilhou uma vida em que as dificuldades eram contornadas com compreensão e carinho.

Talvez a decisão mais difícil para ele, tenha sido a de mudar-se para São Paulo, dadas as dificuldades de trabalho. Exigiu coragem e determinação. Deixava para trás não apenas sua cidade, amigos e parentes, mas principalmente sua mãe_ vovó Luíza.

A família toda, inclusive cachorro, partiu para São Paulo, numa caminhonete Chevrolet 1933. Inesquecível nossa chegada à capital paulista, em pleno carnaval (1950), perdidos na famosa esquina das Av. Ipiranga e São João.

Raras vezes o vimos irritado. Mesmo quando chamava nossa atenção, sabia faze-lo de modo firme, porém sereno. Nós, filhos, sabíamos identificar claramente as alterações na voz, nos gestos, no olhar_ por pequenas que fosse, para nós eram suficientes.

Paciente e amoroso_ educou os filhos menos com palavras que com atitudes, que deixaram gravadas em nós lições de solidariedade, dignidade, honestidade.

Papai, uma presença calma e segura. É dele nosso amor e nossa saudade.”

 

(Por seu sobrinho Uriel)

“Tenho pelo tio Leopoldo, o Zanon que recebeu o nome de um rei, uma grande admiração. Acho que ele foi o filho mais racional de Luíza Brunholo.

Os traços marcantes de seu caráter foram: o amor aos irmãos, a fidalguia no trato, o equilíbrio emocional e a capacidade de trabalho. Fundou uma empresa de construção civil em Machado, que posteriormente foi transferida por ele para o estado de São Paulo.

Dono de refinado charme, encantou Mirza, a filha odontóloga do professor Arthur Xavier Pedroso, um dos mais ilustres educadores que Machado já teve. Tia Mirza, mulher bonita, forte, que educou os filhos sem ter-lhes dado sequer uma palmada, que amava os sobrinhos e com quem eu jogava baralho…

Tanta coisa para lembrar…

Tiveram seis filhos: Derosse, Gesse, Ronaldo, Saulo, Arthur e Mirza.

Leopoldo, o filho de imigrantes italianos com nome de rei, filho de Luiza Brunholo, que escreveu uma história de amor com a família, de dedicação ao trabalho e de sabedoria de vida.”

Nossas Raízes – Parte V de VII

13 jan

Aureliano Zanon (dados fornecidos pelo Uriel)

“Foi o terceiro filho de Luiz Zanon e Luíza Brunholo. Nasceu em 14 de Fevereiro de 1902 em Machado. Não recebeu instrução formal compatível com as habilidades que autodidaticamente desenvolveu: foi mestre de obras, torneiro em madeira, desenhista técnico e pequeno empresário.

As características marcantes de meu pai foram: seu senso de justiça, solidariedade humana, responsabilidade social e a tendência incorrigível de se apaixonar por pessoas e causas.

Conseguiu êxito razoável nas atividades a que se dedicou, exceto na de empresário, porque faltou-lhe sorte e empenho para aproveitar-se das oportunidades de explorar os seus semelhantes em benefício próprio.

Teve uma olaria que não foi bem. Depois, montou uma fábrica de móveis em Machado e posteriormente em Varginha, que veio a falir. Uma das causas da falência de sua empresa foi sua filiação ao Partido Comunista Brasileiro, em 1946.

Teve sorte ao encontrar em Ida Luiza uma esposa ideal, capaz de compensar, com seu amor, humildade e extraordinária capacidade de enfrentar as incertezas da vida, as fraquezas de meu pai.

Ida lhe deu sete filhos: Uriel, Ancila, Cléo e Alfeu em Machado. Em Varginha nasceram Sandra, Aureliano e Adalgisa.

Entre as narrativas que circulam sobre as façanhas de meu pai, há brigas em defesa dos mais fracos e, principalmente de mulheres, fossem elas suas irmãs, namoradas ou namoradas dos amigos.

Lembro-me de certa vez ter ouvido meu pai contar como, de revólver em punho, evitara que um amigo seu fosse linchado pelos capangas de um fazendeiro.

Meu primo Luiz tinha nove anos de idade e estava inconsolável num canto da oficina do “Tioreliano” porque não tinha um carrinho de rolemans para brincar. Meu pai veio saber o que o afligia tanto. Então, ele mesmo construiu o carrinho e o entregou ao primo. Este singelo presente fez de Luiz um admirador incondicional de meu pai.

Ele faleceu de asma cardíaca aos 48 anos. Graças à união e à solidariedade dos Zanon foi que a nossa família sobreviveu.

Este foi Aureliano Zanon: filho de imigrantes italianos, autodidata, comunista por equívoco, anarquista por vocação, romântico e sedutor por natureza, arauto da utopia, o filho menos sensato de Luíza Brunholo. Simples como a unidade e, paradoxalmente, completo como o universo, permanece na memória de todos nós muito além de nossa capacidade de julgamento.”

Nossas Raízes – Parte IV de VII

10 jan

Tirteo Ferdinando Zanon (PS: meu avô)

Sério e muito calado, assim era o mais velho dos filhos homens do casal Luíza Brunholo e Luiz Zanon.

Iniciou sua vida profissional trabalhando, ainda muito jovem, ao lado do pai como servente de pedreiro; mais tarde, tornou-se construtor. Mas, buscava algo mais, e o trabalho em mármore e granito artificial o atraiu.

Nos dizeres do sobrinho Uriel: “Na minha opinião, os traços mais marcantes de sua personalidade eram a compreensão dos defeitos humanos, a solidariedade aos irmãos e a discrição. Era uma pessoa forte, serena e bondosa. Herdou de meu avô o talento para desenho e escultura e de minha avó, persistência e bom senso, que lhe permitiram desenvolver sua empresa industrial Tirteo Zanon e Cia., que durante muitos anos liderou a fabricação de bancos de jardim e outros artefatos de cimento e granito artificial em Minas Gerais.”

Comércio esse que se estendeu além das fronteiras de Minas, pois do estado do Rio de Janeiro e de São Paulo também chegavam-lhe encomendas. Durante o quarto centenário de São Paulo, seu castelinho foi um sucesso na exposição montada no Parque Ibirapuera.

Rememorando esses fatos é que lhe damos o devido valor, pois convém ressaltar que, sem recursos técnicos e sem uma instrução formal, contando apenas com seu talento e habilidades naturais, ele idealizava, desenhava e elaborava seus próprios moldes e formas e delas saíam fontes luminosas, ladrilhos, altares, túmulos, etc.

Graças a isso divulgou muito o nome da cidade de Machado.

Casou-se pela primeira vez com Hemengarda Tavares, que lhe deu quatro filhos: Hilda, Walter, Dalva e Luiz (que saudades de você, tio Lula!).

Após alguns anos de viuvez, conheceu a jovem Leonina Vieira Machado (PS: minha avó), filha de Anastácio Vieira Machado, professor de Português e Francês no antigo Internato e Externato do Sr. Francisco Rafael de Carvalho, em Machado. Casaram-se e dessa união nasceram: Lúcio, Sílvia, Amílcar, Doralice, José Tirteo e Mafalda (PS: minha mãe).

Não tinha pretensões políticas, mas pressionado pelo antigo PTB, candidatou-se a prefeito de Machado. Contrariado, “sussurrava” aos amigos que votassem no adversário. Perdeu a eleição, mas intimamente comemorou a “sua vitória”.

Não fez fortuna, pois uma de suas características era a de cobrar pouquíssimo pelo que comercializava, pois, como dizia, não gostava de “explorar” ninguém, mas deixou à sua família um legado de honra, respeito e amor ao próximo.

Tirteo Zanon faleceu aos 68 anos de idade, no dia 6 de Setembro de 1966, após ficar um ano acamado devido a uma queda que sofreu por problemas circulatórios.”

Nossas Raízes – Parte III de VII

7 jan

Gemma Zanon Annoni

Gemma, o bebê que resistiu bravamente, lutando contra a doença infecciosa que minava seu pequenino corpo, na longa e exaustiva viagem da Itália para o Brasil, é a linda mocinha que aparece na capa deste livro, a bela fotografia da família em 1908, ao lado da irmã menor Adalgisa e dos outros três irmãos: Tirteo, Aureliano e Leopoldo.

Conquistou, com sua beleza serena e lindos olhos azuis, o coração do jovem Roberto Annoni e com ele se casou.

Foi uma esposa e mãe exemplar; era uma senhora de fibra. Soube enfrentar corajosamente e com fé as adversidades que a vida lhe preparou.

Teve cinco filhos: Clélia, Túlio, Leandro, Dora e Luizinha.

Além de cuidar dos afazeres do lar, encontrava tempo para se dedicar a obras assistenciais. Com muita habilidade fazia nas horas vagas peças em crochê e as doava ao Lar André Luiz, da qual era voluntária.

Gemma faleceu em sua residência em São Paulo, vítima de fulminante ataque cardíaco.”