Arquivo | outubro, 2008

Que tal alugar uma vida?

16 out

Fiquei pasma ao saber que aluga-se (ou seria alugam-se?) cachorros. Para serem seguranças de empresas ou residências.

Imagine como fica a cabeça do cachorro! Uma hora com a família X, outra semana na empresa Y… sem vínculos afetivos estabelecidos.

Quando ele adoece, quem cuida? O canil que alugou? A pessoa que contratou os serviços? Ninguém, é a resposta mais coerente. Ninguém se sente responsável.

E quando o cachorro fica idoso, inapto para o “serviço”? O que você acha que o canil faz com ele? Abandona ou sacrifica, na maioria dos casos.

Estou estarrecida! O.o

Cachorro não é um objeto, é um ser vivo! Isso deveria ser proibido, como já foi em Curitiba!

Leia a reportagem completa aqui.

Minúsculos Assassinatos…

8 out

… e alguns copos de leite

(Apenas uma recapitulação: recebi o convite para ir ao lançamento do mais novo livro de Fal Azevedo em minha casa. Fui e cumprimentei-a_ não comprei o livro por falta de money. Ladybug lançou um concurso, sorteando o livro. Eu participei e fui sorteada. Recebi o livro em minha casa dia 04 (sábado). Comecei a lê-lo ontem (dia 07) e terminei hoje (dia 08). É isso.)

O livro me instigou pela capa e pelo título. Uma romã partida, deixando à vista suas milhares sementinhas. E o título: assassinatos pequeninos e copos de leite? “Como assim?”, pensei. Numa vã tentativa de desvendar o mistério, tentei associar os vários assassinatos com as sementinhas de romã… e onde ficaria o leite? Fiquei curiosíssima para lê-lo assim que recebi o convite para o lançamento. E fiquei contente em saber que mataria minha curiosidade (ganhando o livro).

Ao iniciar a leitura, confesso que me surpreendi! Está muito bem escrito! “Não imaginava que ela escrevesse tão bem assim”, foi mais uma pérola dos meus pensamentos. Adorei a quase a-cronologia dos fatos, a mistura de passado e presente, a mistura de acontecimentos e pensamentos_ esse é um jeito de escrever que adoro (foi o que me fez gostar de Machado de Assis, por exemplo).

Português correto e ao mesmo tempo coloquial_ o que torna a leitura muito prazerosa!

Em alguns momentos, quase poderia imaginá-la (a Fal) escrevendo ou dizendo tais coisas. Alguns trechos me lembraram seu blog e seus gatos.

E como há gatos na casa de Alma, protagonista da história, quase uma anti-heroína, como Macunaíma. Mas há cachorros também! Vários. E como gosto mais deles, vou colocar uns trechinhos, em que Alma fala sobre eles, aqui:

“Seu cachorro ama você. Seu cachorro foi programado biologicamente pra amar você. Ele ama você mesmo quando você se atrasa ou esquece de botar água pra ele. (…)

(…) Mesmo que você tenha gatos, muitos gatos.

Seu cachorro ama você mesmo quando você fala com ele na mais irritante voz de bebê deste mundo. (…)

Mesmo que, no meio da crise de insônia, você vá lá acordá-lo pra não ficar sozinha, saiba, seu cachorro ama você.(…)

Mesmo que você xingue seu cachorro de “fedido”, mande-o tomar banho na loja e ele volte com dor de ouvido e com uma gravata patética do Piu-piu, ele ama você. (…)

Seu cachorro ama você para sempre, mesmo que nada, nada, nada tenha salvação e que, em parte, a culpa seja sua.”

E como isso é verdade!

Adorei cada capítulo do livro ser nomeado por alguma comida/tempero/bebida. E tudo relacionar-se com o texto propriamente dito.

E que vida dura a de Alma! Sua trajetória de vida me lembrou a da protagonista do livro “A Hora da Estrela”, de Clarice Lispector.

Fiquei com vontade de saber mais sobre o depois na vida de Alma.

É um livro que conta a história de Alma, mas poderia ser a história de qualquer um de nós. E, talvez por isso, nos envolva.

Recomendo!

Um ano, uma vida

4 out

Dia 29 de setembro fez um ano que a Lilo está conosco. Mas parece muito mais_ parece que somos parceiras de uma vida inteira, tamanha nossa cumplicidade!

Me lembro de quando ela chegou aqui (para ficar uma semana de teste _ que piada!)… Em seu primeiro dia, já tinha madrinha e roupinha! De como fiquei preocupadíssima nas primeiras semanas ao vê-la tão quieta, sem brincar_ chorei horrores e deixei o pai e a madrinha loucos! Até floral ela tomou.

Com o tempo, ela foi mostrando todo o seu charme. Embora continuasse quieta e comportada (ela não late para quase nada e nem faz bagunça), Lilo começou a brincar e aprontar das suas peraltices.

Um alento nas horas tristes, uma diversão nos momentos mais inusitados, uma companhia pra todas as horas! Ela me ensinou muito: a ser mais sociável, a ser mais responsável, a me doar… fez de mim mais humana.

Nós nos divertimos cantando músicas (dentre elas, “Preta Preta Pretinha”) ou criando paródias especialmente para ela (*), criando mil apelidos, brincando, levando ao “parquinho” (geralmente, o Parque da Independência)… convivendo com ela.

Nesse dia 29, eu a agradeci por fazer parte da minha vida, o pai fez um carinho, a madrinha e o fado padrinho deram uma bolinha super estilosa… E eu desejo que ela fique muitos e muitos anos conosco.

* Uma das paródias que o pai fez, foi baseada na música “Que bonita a sua roupa” do Chaves (vídeo abaixo). “Que gracinha de cachorra, que cachorrinha muito louca, ela é mesmo diferente, não dá pra não ficar contente, e agrada a quem olhar!”

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Nesse Dia dos Animais, fica o apelo para que as pessoas(???) não abandonem seus companheiros de anos apenas porque estão velhos ou porque vão se mudar ou porque simplesmente cansaram-se dele. Lembrem-se também que a Lilo é uma vira-lata, e só nos dá alegrias_ há vários outros esperando por novas famílias (vide barra lateral).