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Super-Pimpolhos?

3 ago

Há anos o psiquiatra João Augusto Figueiró, diretor científico do Instituto Zero a Seis, faz as mesmas perguntas para mães de bebês: seu filho é bonito? É inteligente? Você o acha precoce? Todas as respostas são sempre positivas – 100% das mães têm filhos bonitos, inteligentes e precoces.

Precoce é algo ou alguém que amadurece mais cedo do que os padrões, que está à frente de seus pares. Assim, quando se fala em uma criança precoce, aposta-se que ela está além das demais, que tem maior capacidade de aprendizagem e desenvolvimento do que as outras.

E qual pai não acha que seu filho é o bom nisso ou naquilo, andou super cedo, é o melhor da sala e blablabla? Embora a pesquisa de Figueiró não tenha base científica, imagine como o mundo seria se todas as crianças fossem precoces como pensam seus pais…

Esses bebês, afirma o psiquiatra, não são precoces. São tão normais quanto uma criança que nasceu há 40 anos. O que mudou é o cenário. De um lado, há o excesso de informação circulante, aumentando o estímulo ao aprendizado, e do outro lado, a pressão social, que pede seres humanos cada vez mais antenados e preparados. Entre tudo isso e o bebê, estão as figuras do pai e da mãe, responsáveis por criar e cuidar desse ser humano.

Clickaumentável

Clickaumentável

Em uma aula, estávamos discutindo os princípios da sociedade moderna: ela deixou de ser uma sociedade de direitos para ser uma sociedade de winners e loosers, uma sociedade competitiva, cruel, excludente, extremamente consumista. É óbvio que todos não podem ser “vencedores”, assim como também é óbvio que só existe um “vencedor” à custa de um “perdedor”. Você acha legal educar seu filho com esses conceitos individualistas? Ou pior: como fugir desses conceitos, visto que estamos cercados por eles e somos pressionados pela sociedade?

Para o médico, Marcelo Masruha Rodrigues, professor da Unifesp, os adultos deveriam se importar mais em criar filhos felizes, que brinquem bastante, do que investir em uma educação pesada antes dos 6 anos. Segundo ele, o conceito atual da criança que vai à escolinha e tem várias atividades extracurriculares não é tão positivo quanto se imagina.  “Quem aprende duas línguas antes dos 5, 6 anos vai ser fluente em ambas e não terá sotaque. Após essa idade, a fluência é a mesma, embora a criança tenha sotaque.” Mas criar um filho bilíngue pode ter efeitos reversos, como retardo da fala, dificuldade em formar frases e troca de palavras. Os pais devem consultar o pediatra e um fonoaudiólogo se acharem que o filho não está falando bem.

Ensine conceitos como certo e errado, o lugar das coisas e como ser organizado, sem precisar ser didático e chato. “Estabelecer limites é malvisto pela sociedade. Equivale à censura, e a humanidade viveu um período em que era ‘proibido proibir’. Por isso, os pais não definem limites, se afastaram da função parental e querem, antes de tudo, ser amigos dos filhos”, diz João Figueiró.

No ambulatório fonoaudiológico que atendo, junto com alunos, professores, psicólogos e psicopedagogos, temos observado que cada vez mais aparecem crianças sem limites, com pais altamente permissivos. Orientamos a eles da importância do limite para a criança: não há aprendizado sem limite; a criança não consegue se organizar como deveria e, pior, pode tornar-se um adulto que acha normal bater nos pais, usar drogas e roubar.

Post inspirado no texto de Roberta de Lucca para a Revista Vida Simples.

Há anos o psiquiatra João Augusto Figueiró, diretor científico do Instituto Zero a Seis, faz as mesmas perguntas para mães de bebês: seu filho é bonito? É inteligente? Você o acha precoce? Todas as respostas são sempre positivas – 100% das mães têm filhos bonitos, inteligentes e precoces. Precoce é algo ou alguém que amadurece mais cedo do que os padrões, que está à frente de seus pares. Assim, quando se fala em uma criança precoce, aposta-se que ela está além das demais, que tem maior capacidade de aprendizagem e desenvolvimento do que as outras. Embora a pesquisa de Figueiró não tenha base científica, imagine como o mundo seria se todas as crianças fossem precoces como pensam seus pais.

Esses bebês, afirma o psiquiatra, não são precoces. São tão normais quanto uma criança que nasceu há 40 anos. O que mudou é o cenário. De um lado, há o excesso de informação circulante, aumentando o estímulo ao aprendizado, e do outro lado, a pressão social, que pede seres humanos cada vez mais antenados e preparados. Entre tudo isso e o bebê, estão as figuras do pai e da mãe, responsáveis por criar e cuidar desse ser humano, preparando-o para se dar bem.

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Bom-senso

27 jul

Esses dias, andando pela cidade à pé, de ônibus ou de metrô, vários exemplos de falta de bom-senso me chamaram a atenção.

– Antes de continuar, um parênteses: bom-senso seria um termo redundante, visto que os dicionários definem senso como a habilidade de raciocinar, entendimento, juízo, consciência do bem e do mal? Acho que não, né? –

Estava sentada em um assento distante da porta do metrô quando entra um cego com sua bengala. É óbvio que ele ficou “cutucando” com a bengala o assento mais próximo, que estava ocupado por uma jovem, que não se levantou. Uma outra pessoa conduziu o cego ao assento de cor cinza, reservado às “pessoas com necessidades especiais”, que não era aquele em que a jovem se encontrava. Que falta de bom-senso leva uma pessoa a não ter a atitude de dar seu lugar a uma pessoa que precise mais dele do que ela própria?

Me irritam pessoas que andam em grupos pelas calçadas e bloqueiam toda a passagem. Você quer andar lado a lado com seus quatro amigos? Sinto muito, mas você não é o dono da calçada: há pessoas vindo na outra direção e há pessoas atrás de você que não conseguem te ultrapassar, apesar do seu passo de lesma com preguiça.

Na fila do banco, uma senhorinha entrou no último lugar da fila e nenhuma das dez ou quinze pessoas à frente dela a conduziu ao primeiro lugar da fila.

Uma mulher passeando com seu cachorro fez questão de não pegar o cocô do seu bichinho do meio da calçada. Eu só não pego o da Lilo quando ela faz no meio de uns matos altos que têm na praça perto de casa, porque o cocô some no matagal, eu procuro procuro e não encontro.

No ponto de ônibus, uma senhora se esforçava para subir aquele degrau alto, pois o motorista, como quase sempre, havia parado no meio da rua, e não próximo à calçada, como deveria. E tinha passageiro atrás reclamando da lentidão da velhinha.

De novo no metrô, estação Paraíso, uma senhora estava tentando desembarcar mas não conseguia. Ela estava na porta, tentando dar seu passo para fora do trem, mas a multidão que entrava desenfreadamente não se dava ao trabalho de esperar o desembarque. Até que a senhora gritou “Me deixa sair” quando a porta estava quase se fechando. E ainda teve gente (as mesmas que entraram feito estouro de boiada) que morreu de rir da velhinha.

(…)

Quando era mais nova, e estava aprendendo sobre a anarquia na aulas de história, achava que este seria um regime perfeito: o povo se auto-coordenando, tudo funcionando como deveria ser, lindo e maravilhoso.

Hoje vejo que não temos a menos capaciedade de viver em sociedade sem que alguém crie leis, mande você fazer isso e te puna se fizer o contrário. Nós não nos colocamos no lugar do outro: do idoso, do deficiente, do que está carregando mil sacolas, do que está doente, da mãe com sua criança de colo, do pedestre que vai pisar naquele cocô do meio da calçada…

Nós precisamos que coisas óbvias nos sejam ditas a todo momento: aguarde o desembarque, deixe a esquerda da escada livre para circulação, respeite o assento preferencial…

Você pode achar que estou ficando velha e chata, mas eu simplesmente chamo isso de educação. Por onde ela anda, eu não sei. Só sei que ela tem passado bem longe da cabeça de vários “cidadãos”.

Colônia de Férias

17 fev

Em falta.

Sim, sei que estou super em falta com esse blog e meus poucos leitores. Acontece que o trabalho / as obrigações estão muitas e, no pouco tempo que me sobra só penso em descansar. Dormir mesmo.

Pretendo me organizar melhor (afinal, é a meta desse ano) e arranjar um tempo para blogar, coisa que eu tanto gosto.

Enquanto isso não acontece aqui, leiam o post que mandei para a Colônia de Férias do Marmota.

Não deixem de ler também o post que o marido fez para a Colônia, em parceria com minha filha canina, a Lilo. Foi o melhor post até agora da Colônia! E não, não é só orgulho de mãe, o post é bom mesmo!

Sociedade descartável

30 jun

Esse mês, li uma coluna muito interessante de Luiz Roberto Marinho, novo colunista da Revista Vida Simples (revista que adoro e assino).

Ele fala sobre o quanto nossa sociedade tornou-se descartável. Adepto da linha “dize-me o que compras, e eu te direi quem és”, ele faz um breve relato de situações em que dá de cara com o excesso. Excesso de afazeres, excesso de informações, de publicidade e de bens.

De mudança para um novo apartamento, ele conta que um dos proclamados diferenciais do prédio é ter um depósito, para que os moradores possam guardar as tranqueiras que vão comprando, sem pensar, e que acabam por não usar/caber no apartamento.

Hoje, a cada dia, surge um modelo novo de celular, uma câmera digital mais potente, um opcional diferente para o carro, um aparelho de som com mp3 e cartão de memória, novas roupas da moda… e se não tomamos cuidado, somos engolidos por essa avalanche de novidades. Antenado é quem tem o iPod último tipo, mesmo que tenha comprado o penúltimo há três meses. Design e marca são mais valorizados do que a durabilidade. E nessa, o lixo, as coisas inúteis vão se acumulando.

As coisas são muito transitórias, efêmeras. Até mesmo os relacionamentos são assim (veja o exemplo do “ficar”).

Ele termina a coluna citando o sociólogo Zygmunt Bauman em Vida Líquida: “em um mundo repleto de consumidores e produtos, a vida flutua desconfortavelmente entre os prazeres do consumo e os horrores da pilha de lixo”.

E eu, termino esse post alertando para o consumo consciente, sem excessos.

Uma pequena cidade grande

12 maio

Em meus passeios diários com minha cachorra (que se chama Lilo) encontro com várias pessoas, que também estão passeando com seus cachorros.

Percebi que passei a receber, e também a dizer, mais cumprimentos como “Bom dia” e “Como vai?”, desde que comecei a passear com a Lilo. Teci, então, a teoria de que passear com o animal de estimação contribui para a convivência em sociedade.

Minha cachorra já é sociável por natureza: quer comunicar-se tanto com os outros cachorros quanto com seus donos, fato que acaba por me aproximar dos demais donos.

Munida de papel e caneta (mentira, as anotações foram todas feitas mentalmente), resolvi fazer uma pequena entrevista com os acompanhantes de cachorros que encontrava pelo caminho. Ao todo, foram nove os entrevistados. Responderam à seguinte pergunta: “Passear com seu cachorro aproximou-lhe das demais pessoas?”.

A resposta foi unânime: “Sim!” Mas não parou aí.

Uma senhora japonesa, dona de um poodle preto chamado Torá (um dos melhores amigos da Lilo) completou: “Moro aqui há quase vinte anos. Só há dois, quando adquiri o Torá, é que conheci essa praça, que fica atrás da minha casa.”.

Outra senhora, dona de um espevitado schnauzer, chamado Jack, completou: “Eu não conhecia o bairro! Só fui conhecê-lo depois do Jack!”.

O adestrador de um simpático labrador de nome Bug ressalta: “Quem gosta de cachorro cumprimenta, vem conversar. Quem não gosta, passa longe!”.

Eu mesma: moro aqui há pouco mais de três anos e meio e só após adotar a Lilo (há sete meses) é que fui conhecer a praça que fica atrás do meu prédio!

Outra constatação: sei o nome de todos os cachorros amigos da Lilo, mas se souber o nome de um dono é muito!

Dia desses, estava na padaria e fui abordada por uma moça: “Não trouxe sua ferinha hoje?” Ao que eu respondi que não, enquanto me perguntava de onde eu conhecia aquela mulher. Só quando cheguei em casa, me dei conta: ela é dona de um dos “amigos da Lilo”.

Meu bairro ficou com cara de cidade do interior, na qual todos se cumprimentam, todos se conhecem. E até se preocupam uns com os outros!

Há um mês, a dona de um beagle chamado Zeus me contou que tinha um cachorro perdido na praça e que ela achou que fosse a minha! Preocupada, descreveu a Lilo para um dos meninos que havia visto o tal cachorro, ao que o menino respondeu: “Não, tia, não é a Lilo não! Pode ficar tranqüila!”. 🙂

E, de repente, São Paulo ficou pequena, do tamanho de uma praça de bairro.

Este post faz parte do Blogueiro Repórter.

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