Bom-senso

27 jul

Esses dias, andando pela cidade à pé, de ônibus ou de metrô, vários exemplos de falta de bom-senso me chamaram a atenção.

– Antes de continuar, um parênteses: bom-senso seria um termo redundante, visto que os dicionários definem senso como a habilidade de raciocinar, entendimento, juízo, consciência do bem e do mal? Acho que não, né? –

Estava sentada em um assento distante da porta do metrô quando entra um cego com sua bengala. É óbvio que ele ficou “cutucando” com a bengala o assento mais próximo, que estava ocupado por uma jovem, que não se levantou. Uma outra pessoa conduziu o cego ao assento de cor cinza, reservado às “pessoas com necessidades especiais”, que não era aquele em que a jovem se encontrava. Que falta de bom-senso leva uma pessoa a não ter a atitude de dar seu lugar a uma pessoa que precise mais dele do que ela própria?

Me irritam pessoas que andam em grupos pelas calçadas e bloqueiam toda a passagem. Você quer andar lado a lado com seus quatro amigos? Sinto muito, mas você não é o dono da calçada: há pessoas vindo na outra direção e há pessoas atrás de você que não conseguem te ultrapassar, apesar do seu passo de lesma com preguiça.

Na fila do banco, uma senhorinha entrou no último lugar da fila e nenhuma das dez ou quinze pessoas à frente dela a conduziu ao primeiro lugar da fila.

Uma mulher passeando com seu cachorro fez questão de não pegar o cocô do seu bichinho do meio da calçada. Eu só não pego o da Lilo quando ela faz no meio de uns matos altos que têm na praça perto de casa, porque o cocô some no matagal, eu procuro procuro e não encontro.

No ponto de ônibus, uma senhora se esforçava para subir aquele degrau alto, pois o motorista, como quase sempre, havia parado no meio da rua, e não próximo à calçada, como deveria. E tinha passageiro atrás reclamando da lentidão da velhinha.

De novo no metrô, estação Paraíso, uma senhora estava tentando desembarcar mas não conseguia. Ela estava na porta, tentando dar seu passo para fora do trem, mas a multidão que entrava desenfreadamente não se dava ao trabalho de esperar o desembarque. Até que a senhora gritou “Me deixa sair” quando a porta estava quase se fechando. E ainda teve gente (as mesmas que entraram feito estouro de boiada) que morreu de rir da velhinha.

(…)

Quando era mais nova, e estava aprendendo sobre a anarquia na aulas de história, achava que este seria um regime perfeito: o povo se auto-coordenando, tudo funcionando como deveria ser, lindo e maravilhoso.

Hoje vejo que não temos a menos capaciedade de viver em sociedade sem que alguém crie leis, mande você fazer isso e te puna se fizer o contrário. Nós não nos colocamos no lugar do outro: do idoso, do deficiente, do que está carregando mil sacolas, do que está doente, da mãe com sua criança de colo, do pedestre que vai pisar naquele cocô do meio da calçada…

Nós precisamos que coisas óbvias nos sejam ditas a todo momento: aguarde o desembarque, deixe a esquerda da escada livre para circulação, respeite o assento preferencial…

Você pode achar que estou ficando velha e chata, mas eu simplesmente chamo isso de educação. Por onde ela anda, eu não sei. Só sei que ela tem passado bem longe da cabeça de vários “cidadãos”.

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5 Respostas to “Bom-senso”

  1. Rodrigo (bodas) 27/07/2009 às 16:46 #

    Velha chata e cricri! 😛

    Ai, me senti o Capitão Gancho agora: “Velho, sozinho, acabado”.

    Apesar de fazer o q o bom senso manda sei que muitos não fazem…
    Mas o que me irrita mesmo é quando vejo que a pessoa que não o tem é “culta”, ou tem um poder aquisitivo maior.

    Ah, bom-senso não vem atrelado a grana não, nem a escolaridade: vem de berço!

    Mas a ignorância da massa vem de uma má criação e falta de oportunidade então não posso culpa-los diretamente…

  2. fina flor 27/07/2009 às 16:48 #

    é querida, tá difícil =/

    beijos,

    MM.

    Dificílimo!

    >>> me irrita demaaaaaaaais quem bloqueia calçada, rs*

    >>> tô com brinquedinho novo, se quiser desce pro play e vem: http://www.twitter.com/monicamontone

    Já add! 😀

  3. De qual cidade você está falando mesmo? Nossa, por um tempo pensei que fosse a cidade onde moro, mas lembrei que o pedaço de metrô que querem construir aqui é uma obra sem previsão para acabar… De resto… ê BrasilZÃO!

    Hehe… não importa o lugar, né? A ausência de “semancol” está em todos os cantos!

  4. Fefa 29/07/2009 às 18:46 #

    Isso se chama falta de educação, Má. Cada um por si e Deus por todos e olha lá. Mas uma hora esse tipo de pessoa vai precisar de ajuda, não vai ter e assim sim vai sentir na pele. Não desejo o mal de ninguém, mas que a justiça será feita, com certeza será.

    É uma falta de educação mesmo!!

  5. Silvia 02/08/2009 às 12:10 #

    Ma,
    Acho que as pessoas andam com pressa demais…Elas não estão prestando atenção a sua volta. Muitas dessas situações que vemos, se vc for perguntar para a moça por que ela não deu o lugar, ela vai dizer que não viu, que não pensou; e as vezes não viu mesmo. Não observam, não vêem. É a pressa, a distração, os pensamentos perdidos, sabe se lá onde…

    Bjsss

    Ah, mas a moça não só viu como ficou escorando o cego com as mãos pra não tomar uma “varetada”. Infelizmente não é só pressa, não…

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