Quando um cão-guia pára uma calçada…

15 maio

Hoje, voltando da clínica onde trabalho, passava pela Domingos de Moraes, avenida movimentada, quando uma coisa me chamou a atenção: uma menina cega sendo puxada por seu cão-guia_ um labrador preto lindo, feliz e cuidadoso, desviando das pessoas para que sua dona pudesse transitar tranquilamente.

Eu caminhava lado-a-lado dela e estávamos chegando à esquina quando o cachorro parou: havia um obstáculo impedindo a passagem por toda a calçada_ uma rede laranja obstruía a passagem, e, logo à frente, a calçada estava toda despedaçada, em obras!

O cachorro sem saber por onde ir e a moça dizendo a ele “Vai”.

Não sei que solução o cachorro encontraria (nem quando ou se encontraria); mas fui oferecer minha ajuda. Expliquei a ela como se encontrava a calçada e ofereci minha mão para guiar ela e o cachorro (que era um fofo e ganhou um cafuné meu!).

Levei-a até a esquina por uma passarela improvisada na rua com as tais redes laranjas e atravessamos a rua. Perguntei o nome do cachorro: Cadu. Ela já sabia qual caminho seguir e nos despedimos: “Tchau!”, “Tchau!”, “Tchau, Cadu!”, e ela riu.

Todas as pessoas que passavam por ela paravam na calçada para ver a cena. Todos se admirando do cachorro. Eu também fiquei olhando; despedindo-me do cachorro e vendo se ela precisaria de mais alguma ajuda.

De repente, ela virou a esquina e sumiu de vista! Um senhor do me lado explicitou a curiosidade geral: “Ah, eu queria ver como o cachorro faz pra atravessar a rua, mas ela virou!”.

Ela foi embora e eu fiquei pensando em todas as dificuldades que os deficientes (sejam visuais, auditivos, motores, e outros) encontram no seu dia-a-dia. Como é difícil atravessar uma rua, pegar um ônibus, subir um morro, andar pelas calçadas esburacadas… sem uma sinalização adequada que os oriente.

Também fiquei pensando nos cães-guias

O Projeto Cão-Guia de Cego teve início no Distrito Federal, em 2001. Em 2002, foi sancionada a lei n° 2.996, que regulamenta o acesso de cães-guia no Distrito Federal e garante o livre acesso não só do deficiente visual e físico com o cão-guia, mas também dos treinadores e famílias cuidadoras dos cães a qualquer estabelecimento e transporte público.

A escolha das raças caninas a serem utilizadas para a função de cão guia é bastante diferente dependendo do país. Mas, de maneira geral, as mais utilizadas são: Pastor Alemão, Golden Retriever e Retriever do Labrador, mas isso não quer dizer que apenas estas raças tenham aptidão para serem treinadas. Na Nova Zelândia, por exemplo, até mesmo os simpáticos vira-latas podem ser treinados para ser um cão-guia.

As principais qualidades que devem ser procuradas nos cães são: temperamento dócil e equilibrado, facilidade de adaptação a novas situações, tamanho, tipo de pelagem, inteligência e facilidade em aprender.

Após o nascimento, o candidato a cão-guia é observado até a 8ª semana de vida para verificação da saúde, temperamento e espírito de liderança. Se for aprovado, passa por um período de socialização e convivência com humanos que dura aproximadamente 1 ano, durante o qual será cuidado por uma família voluntária. Quando o cão atinge a idade de 1 ano, ele deve começar o treinamento específico para a função de cão-guia. Quando o trabalho do adestrador com o cão estiver pronto, é chegada a hora de promover a integração do cão com o cego.

Mas nem tudo são flores! Apesar do documento que garante o livre acesso a locais públicos e privados do cego e seu cão-guia, eles continuam sendo barrados pela ignorância e preconceito de alguns.

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23 Respostas to “Quando um cão-guia pára uma calçada…”

  1. Trotta 15/05/2008 às 11:18 #

    Gostei muito desse post!

    Ontem mesmo vi um ceguinho perdido no metrô (sem cão guia e com bengala) e tive vontade de ajudar. Mas é preciso saber ajudar corretamente essas pessoas, senão acabamos atrapalhando!

    Por exemplo, sei que existe uma maneira ideal de vc mostrar o caminho pra um cego. Não me lembro se é colocando a mão dele sobre seu ombro, ou dando o braço pra ele pegar. Lembro que é ruim pegar no braço dele, e outras regrinhas e tals.

    O ceguinho de ontem do metrô foi ajudado por um casal bem interessado, mas que fez errado. Pegaram no braço dele (que dá menos segurança) e ainda levaram ele pela escada rolante, e não pela escada normal. Espero que ele não tenha tropeçado! O.o

    Beijos!

    Que bom que gostou! Realmente tem que saber como ajudar! Mas, se não souber, é só perguntar a eles, né? Quanto à escada rolante, eu já presenciei vários descendo por ela, e a maioria deles se deu bem! Beijo!

  2. Fefa 15/05/2008 às 11:39 #

    Adorei a sua iniciativa, Má.
    Eu tinha um pouco de medo de abordar um deficiênte visual e ajudá-la, por inexperiência mesmo, por não saber como agir. Depois do Café com Flores, onde tínhamos muitos clientes nessa condição, eu fui aprendendo a saber ajudar e fui aprendendo também como eles são inteligentes e nada dignos de pena.
    Esse projeto é muito bom, mto legal mesmo. É uma pena que ainda exista preconceito com isso.

    Excelente o post, Má.

    bjs

    Ah sim, eles são inteligentes como nós, quando não há nenhuma outra doença junto! Que bom que gostou!! Beijos!

  3. Márci 15/05/2008 às 11:51 #

    Então os cães guias são Top Top de linha ??

    Que danados !

    É, não é moleza, não!

  4. Sammia 15/05/2008 às 22:30 #

    É menina, eu como surda enfrento diversas dificuldades! A galera vive gritando pra eu fazer isso ou aquilo e eu sempre digo: “Hein?” Hahahahaha
    Brincadeirinha pra descontrair.
    Mas o assunto é sério.

    Gostei bastante do post Má. Fiz um trabalho para a faculdade uma vez sobre cadeirantes e restaurantes sabe? A luta pela adequação dos estabelecimentos as normas da lei do deficiente…muito produtivo.
    Obrigada por enriquecer nosso conhecimento também.
    Beijos!

    Seu trabalho deve ter sido bem legal!! Há muito ainda a ser feito! Beijos!

  5. Mariana 16/05/2008 às 9:36 #

    Olha ai! que concincidencia !
    Falamos sobre o mesmo assunto!
    Com os mesmos links e tudo auhahuahuhuahua

    Legal , alguém se importa não é mesmo?

    É um mundo surreal! e mtos preconceitos devem ser enfrentados…

    Coincidência mesmo, não? Mas isso é bom, gera mais repercussão!

  6. André 16/05/2008 às 22:00 #

    Pô, bem legal este seu post Marília. Mas eu duvido que alguma de vocês já tenha visto um cão guia num ônibus. Pois é, outro dia desses eu vi. Bem bacana! O ônibus lotado, o pessoal com medo do cachorro (ele era meio grandinho), mas o pequerrucho ficou lá, quietinho o tempo todo. Quando o cobrador avisou o dono que o ponto tinha chegado, ele falou pro cachorro “Vamos?” e o cão foi abrindo caminho até a porta do ônibus e ainda desviou, na calçada, de um buraco matreiro que já deve ter pego muito cego pelo caminho…

    E Trotta, no meu trabalho tem uma pessoa cega. A melhor maneira de ajudar uma pessoa assim a atravessar rua, passar obstáculo, etc, etc… é deixando-a segurar no seu braço. Nunca segure nele, deixe que ele segure no seu braço e vá andando normalmente, pois ele vai te acompanhando. Se você visualizar um obstáculo à frente (um degrau, uma descida, etc), avise-o. Pronto, assim você o estará ajudando bastante!

    Bj

    Ahhhhhhhhhhh… nunca vi no ônibus não!!! Deve ser muito legal!!

  7. jujudeblu 17/05/2008 às 10:51 #

    Má, que situação… Realmente, nem todo mundo tem vontade de ajudar essas pessoas, principalmente em se tratando de SP, em que todo mundo está o tempo todo correndo!
    Mas sempre existem aquelas pessoas que param pra olhar ao seu redor e perceber as demais…
    Isso do cão-guia é muito interessante mesmo! Nunca presenciei uma situação como a sua e, provavelmente, iria ficar pasmada olhando [ou tentando ajudar] tudo! hehehe
    Deve ser mesmo lindo ver o cãozinho ajudando a pessoa e tals…

    Lecáu!

    Bjão kilida!

    É uma graça, Ju!! Uma experiência muito boa! Bjos!

  8. Cláudio Costa 17/05/2008 às 21:23 #

    O mundo é cheio de diversidades, com infinitas possibilidades. Se ficarmos presos ao nosso pequeno mundo, com os referenciais que conhecemos e julgamos os únicos, jamais compreenderemos como o Outro vive, sente, pensa e resolve seus problemas. Assim, aprendemos uns com os outros. Por exemplo: aprendi, vindo aqui.

    E eu aprendi com seu comentário! 😉 Adorei! Obrigada pela visita e volte mais vezes!

  9. Tiago 18/05/2008 às 11:20 #

    Parabéns Má, pela casa nova, esta muito bonita!
    Sobre o texto fico feliz que existe blogueiros ainda que expoem reflexões de vida as pessoas, acho que isso sempre deve acontecer, é como estarmos lendo um puchão de orelhas, com certeza muda algo dentro de nós o minimo que seja.
    Ja observei uma vez um cego com um cão guia, sinto um ar poético nisso tudo, vejo uma coisa muito linda, mais ainda não sei explicar!

    Um super beijo.

    Que bom que gostou da cara do blog e do texto! A idéia é dar um chacoalhão mesmo!! Bjos!

  10. Thiane 20/05/2008 às 12:01 #

    Adorei seu blog e esse post ficou muito bacana. Uma vez conheci uma família voluntária que adorava preparar os cães. É um projeto muito legal mesmo, especialmente num país onde deficientes quase nunca têm vez. Beijo

    Puxa, que legal! Nunca conheci essas famílias… Um beijo e obrigada pela visita!

  11. marcos 21/05/2008 às 8:22 #

    Parabéns que todos sigam seu admiravel exemplo!!!

    Opa! Muito obrigada! Apareça por aqui mais vezes!

  12. banana 21/05/2008 às 9:08 #

    pego quase que diariamente duas moças cegas com um labrador enorme, caramelo, lindão, que se acomoda no local de deficiente do metrô e vai ali, babando no chão, com a língua de fora. adivinha se ele não é o xodó de todo mundo, né?

    Ah, que fofura!!!

    bom pra ele e pras moças, claro. mas, como você disse, é triste vermos que esse caso é de um em um milhão. só aqui, em são paulo, não só os deficientes físicos mas qualquer portador de qualquer tipo de deficiência tem uma dificuldade infernal de acesso em muitos, muitos lugares. já trabalhei com uma equipe de cadeirantes, e olha, é sufoco conseguir coisas básicas, feito entrar em restaurantes.

    Eles enfrentam obstáculos que a gente nem desconfia que existam…

    felizmente, algumas pessoas cuidam disso e lutam por isso. mas, como muita coisa nesse mundão meio torto, falta tanto, tanto, tanto pra podermos falar realmente em “igualdade”.

    é triste, mas nos incita a ajudar.

    Com certeza! Falta muito, ou seja, muito ainda precisa ser feito! (Que bom que apareceu por aqui!) 😀

  13. Oscar Luiz 21/05/2008 às 14:45 #

    Uma soma de tecnologia com o carinho dos cães-guia!
    É disso que estamos precisando.
    Assim fica bom pra todo mundo!
    Beijo e bom feriado!

    Um tipo de cão-guia com GPS? hehehe… Beijos e obrigada pela visita!

  14. criticaconstrutiva 21/05/2008 às 22:48 #

    Muito legal! Tava pensando nisso dia desses…
    bye

    Bem interessante, né? Obrigada pela visita!

  15. denise 22/05/2008 às 11:28 #

    Oi, Marília!
    pazerem conhecê-la!
    Está aí um assunto que precisa ser abordado mais vezes ! Muita gente não sabe como se comportar com um deficiente físico. Acredito que a menina teria , de algum modo, verificado, ou com a mão ou uma bengala, caso a tivesse, o que estaria á sua frente, impedindo o cão de prosseguir.
    beijo, menina

    Muito prazer! 😉 É um assunto que realmente “dá pano pra manga!” Beijos e volte sempre!!

  16. Alexandr 22/05/2008 às 12:42 #

    Olá,

    Adorei seu relato, muito bom!!! Embora já conhecesse fatos sobre cães guias, o aprendizado com essa leitura, foi muito legal!

    Abs,

    Que bom que gostou!! Obrigada pela visita e volte sempre!

  17. Clara 22/05/2008 às 23:25 #

    Má, lindo esse post…
    Além de ser de suma importância a discussão do acesso aos deficientes, fiquei pensando em como cachorros são animais fantásticos, né?
    Beijo grande, querida!

    Sou fã desses “humanos de quatro patas”!! Um grande beijo! (Adorei sua visita!)

  18. liverig 23/05/2008 às 11:16 #

    Muitas mudanças ainda precisam ser feitas para adequar as leis aos deficientes.

    Apesar de já existir esta lei do cão-guia, ela não é muito aplicada no Brasil e muitos a desconhecem.

    Com certeza! Ainda há muito a caminhar!! Obrigada pela visita!

  19. zibizabe 23/05/2008 às 14:46 #

    Viajei neste post.. mas confesso, que também queria saber quais os critérios que o cachorro usou para atravessar a rua.. hha..
    Fiquei curiosa!!!

    Até eu fiquei curiosa!! Obrigada pela visita!

  20. Carla 25/05/2008 às 23:56 #

    Marília,

    sabia que a Thays e o Bóris são vizinhos do Lello? E o Bóris é fofo fofo fofo, uma vez encontramos com eles no elevador e ele é toooodo gostoso!

    Lindo seu post. Cães são ótimos, sempre.

    Bjos.

    Ah, eles são umas fofuras!!! Você não pensa em ter o seu não? 😉 Beijocas!

  21. Rodrigo Figueiredo 26/05/2008 às 22:15 #

    Trabalho com uma deficiente visual.
    A Tais! E ela não acha tão legal o cão guia! Prefere sua bengalinha!

    É… varia de pessoa para pessoa, né? O legal é ter mais de uma opção!

  22. Paula 05/09/2008 às 17:29 #

    Olá
    Esta Moça é minha amiga, se chama Daniela.
    Parabéns pelo o seu “depoimento”, as pessoas precisam aprender a respeitar o próximo independente de qualquer deficiência, se não ajudarmos então não atrapalhamos.

    boa noite a todos.

    beijos

    Puxa, sério? E como chegou até aqui? Adorei seu comentário! Volte sempre que quiser! Abraços!

  23. Paula 10/11/2008 às 16:55 #

    Oi …
    Estava procurando no google “coisas” sobre a Dani e o Cadu, e achei o seu blog, achei interessante e carinhoso sua maneira de falar sobre eles…

    beijos

    Poxa, que legal! Mande meus abraços à ela e ao fofo do Cadu! Beijos!

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