Ai, que preguiça!

23 dez

Bom, como o prometido, o texto a seguir é um resumo do texto de Eugênio Mussak.

A preguiça é uma espécie de defesa contra a realização de alguns trabalhos ou atividades de qualquer natureza. E isso ocorre porque somos dotados de um comando central que insiste em economizar energia. Tal mecanismo é uma herança de nossos ancestrais, pois na época deles era muito difícil abastecer a despensa. Quanto menos energia gastarmos, menos necessidade teremos de ir à luta, caçar ou saquear – e, como essas coisas têm lá seus perigos, é prudente evitá-las. É melhor ficar descansando, economizando energia para as necessidades vitais.

Atualmente, não temos mais que fazer grandes esforços físicos para obter alimento, basta ir até a geladeira ou, no máximo, ao supermercado. Desenvolvemos uma organização social que tem como virtude e objetivo facilitar a vida do ser humano. Temos ao alcance de nossa mão ­ e de nosso dinheiro – as benesses da ciência, a tecnologia, os serviços prestados por profissionais que ganham para isso, a organização e os métodos que reduzem esforços, e assim por diante. É assombrosamente mais simples viver hoje que na época de nossos avós, por exemplo. Como não havia refrigeração, os alimentos não podiam ser armazenados, a não ser com a adição de grandes quantidades das tais especiarias, e mesmo assim por um período muito mais curto que hoje. A tecnologia de comunicação era o mensageiro, a de transporte era a tração animal, a de aquecimento era a lenha. Isso sem tentar explicar o que era viver sem água encanada e sem esgoto.

A preguiça é seletiva. Como nosso primeiro pensamento é o de nosso cérebro mais primitivo, aquele que seleciona seus interesses pelo prazer ou pelo atendimento a uma necessidade imediata, temos, em princípio, preguiça para fazer qualquer coisa que só irá dar prazer ou resultado depois de algum tempo.

Preguiça, portanto, é normal. Só deixa de ser quando não é controlada, e então dá de dez a zero nas decisões. Mas há uma alternativa, uma luz no fim desse preguiçoso túnel: a disciplina – conceito fácil de entender e dificílimo de implementar. Ter disciplina pessoal significa decidir o que deve ser feito, e fazer. E isso não pode depender da vontade do momento. Tem que depender da decisão que foi tomada antes, porque a vontade é emocional, enquanto a decisão é racional. E o comandante tem que ser o racional, pois ele é quem tem o discernimento sobre o que é bom e o que não é bom. O emocional só sabe diferenciar o agradável do desagradável, o que não serve como critério para as grandes decisões.

Devemos considerar que na vida interagem fenômenos complementares: o sentimento, o pensamento e a atitude. Os três são inseparáveis, no entanto, pode variar a ordem em que eles se apresentam. Há três possibilidades: se o sentimento vem antes, é porque você fica esperando a vontade chegar, aí você pensa o que é que tem que fazer para atendê-la, e só então toma a atitude. No segundo caso, você coloca o pensamento na frente e se ele for consistente, se tiver qualidade, será capaz de gerar sentimento. Esse sentimento chama-se motivação, que é o grande propulsor do trabalho e da realização. E no terceiro caso você pensa no que é bom para você e faz. Não fica esperando a “vontadinha” chegar, porque ela talvez não chegue nunca, e a preguiça ganha a batalha. A notícia boa é que a vontade sempre chega, em geral depois que começamos a fazer o que tem que ser feito. Já reparou que, mesmo quando não tem vontade de ir à academia, depois que está lá se sente bem? O que acontece é que a ação precedeu o sentimento, e isso foi mediado pelo pensamento. Legal, né?

Não esqueça que a indisciplina dispersa energia, a disciplina condensa. Ser disciplinado significa obedecer às ordens que você dá a si mesmo.

Sempre que a essência do homem foi colocada em teste, como na guerra, nos esportes e nas ciências, a disciplina mostrou seu valor. Tivemos até alguns mestres nessa área. Um deles foi Sêneca, senador romano de origem espanhola que viveu entre 4 a.C. e 65 d.C. Ele adaptou e aplicou à vida prática a filosofia estóica, criada pelo grego Zenão no século 4 a.C., em que a disciplina é absolutamente fundamental. De acordo com essa filosofia, a principal causa do sofrimento humano é a fraqueza da vontade, e isso termina por levar o homem a condutas deploráveis, como a preguiça, a inveja e a cobiça. Sêneca repetia que a pessoa que domina sua vontade comanda seu destino, e aquele que não domina sua vontade é apenas arrastado pelo destino, que foge do controle.

Ser disciplinado não significa ser chato, quadrado, metódico. Significa controlar os impulsos primitivos que buscam, acima de tudo, o prazer e a economia de energia. E, nesse caso, parodiando Macunaíma, o herói sem caráter, em sua carta aos Icamiabas: “Pouca vontade e muita preguiça, os nossos males são”.

Resumo da ópera, a meu ver: a preguiça é essencial! Para que possamos gozar dela (termos tempo), é necessário que cumpramos nossas obrigações mínimas com disciplina (que é o que me falta!). Já dizia Renato Russo: “Disciplina é liberdade!”.

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PS 1: Adotei duas cartinhas do Papai Noel dos Correios! Escolhi uma menina que pedia material escolar e uma senhora que pedia roupa de cama. Tenho que dizer que, infelizmente, existem pessoas que abusam: li várias cartas que pediam MP3 e MP4 e até uma que pedia um notebook. Sem noção, né?

PS 2: Quero desejar um Feliz Natal a todos os que passarem por aqui! Beijos! 😉

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8 Respostas to “Ai, que preguiça!”

  1. Márci 24/12/2007 às 13:49 #

    Ai…eu chego a conclusão que eu vivo economizando energias..rsrs…E que bom que isso é bom e normal !

    Nossa…criancinhas meio exigentes essas que querem MP3 e notebook…aafffeee

    Feliz Natal pra vc tb Má !

    É super normal e saudável! Essas “criancinha” vão morrer esperando esses presentes… Tudo de bom pra vc tb!

  2. Trotta 24/12/2007 às 19:41 #

    Feliz natal pra vcs também, Má!

    😉

  3. Fefa 27/12/2007 às 15:28 #

    O que também me falta é disciplina! Tenho preguiça para muitas coisas e não me disciplino, isso acaba sendo ruim!

    E, ninguém merece, MP3, MP4? O que mais o povo quer? Assim não dá, ajuda é uma coisa, abuso é outra!

    bjs

    Um abuso, não?

  4. poetamatematico 27/12/2007 às 17:08 #

    Ahn….

    Este texto só me fez querer ficar mais preguiçoso…

    rsrsrsrsrs

    Brincadeira

    Até pra preguiça tem limites!

  5. Rodrigo Figueiredo 29/12/2007 às 17:56 #

    Um monge é disciplinado! E todo mundo acaba sendo sem ver!
    Disciplicina é uma daquelas coisas que se aprende sem querer e sem ver! Por exemplos e atos…

    Mas é difícil achar alguém que consiga sem sempre disciplinado! Eu não sou!

  6. Lari Nakao 02/01/2008 às 15:12 #

    Feliz Ano Novo. Que você continue nesse pique e nos dê muitas publicações!

    Obrigada! E que você continue visitando-as! 😉

  7. Claudia Lyra 02/01/2008 às 16:15 #

    Tô contigo: disciplina é uma coisa muito difícil e importantíssima! Ai, também quero mais pra mim!!!!

    E não é?

  8. Andre L. Soares 05/01/2008 às 16:52 #

    A preguiça se deve ao fato de que o corpo humano se guia pela lei do menor esforço.

    Feliz 2008!

    Também… mas acho que todos nós merecemos um descanso… Abraços e Feliz 2008!

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