O Bairro onde moro

10 set

Hoje, dia 10 de setembro faz três anos que moramos (eu + Rô) na Vila Mariana. Um bairro que gosto muito!! Resolvi, então, conhecer a história do meu bairro e contá-la um pouquinho pra vocês_ é claro que também estou aproveitando o fato da Fefa fazer um post sobre um bairro imaginário, assunto que está até virando uma epidemia e contaminando a cabeça dos jornalistas, para falar sobre um bairro que realmente existe; mas é melhor abafar o caso!

Quem está de passagem pela Vila Mariana e repara apenas no aspecto residencial da subprefeitura, pode não imaginar a quantidade de espaços dedicados a esportes, cultura, pesquisa, saúde e educação que existem por ali. Região nobre da cidade, composta também pelos bairros de Moema e Saúde, a Vila Mariana possui uma alta renda média, em torno de R$ 3,6 mil mensais, bem acima do índice do município, que é cerca de R$ 1,3 mil. A economia da região é muito forte, não apenas pelo elevado nível de vida de seus moradores, mas também por abrigar o trecho inicial da Avenida Paulista, logradouro mais importante da cidade e centro financeiro do estado e do país.

Vila Mariana é um distrito localizado na região Centro-Sul da cidade de São Paulo. Servida pela Linha 1 (Azul) e pela Linha 2 (Verde) do Metrô de São Paulo, a Vila Mariana é um distrito de classe média com um perfil ora comercial, ora residencial. O bairro sedia a UNIFESP – Universidade Federal de São Paulo , antiga Escola Paulista de Medicina e o Museu Lasar Segall, bem como alguns dos mais tradicionais colégios da cidade como o Liceu Pasteur e o Colégio Arquidiocesano.

No bairro, os dados sobre educação são gritantes sobre seu desenvolvimento. Quase 80% dos moradores completaram o Ensino Fundamental, contra 49,9% do município. O Ensino Médio foi concluído por 71,34% da população, bem superior aos 33,68% da média municipal, e os anos de estudo chegam a 12,30. Em toda São Paulo, esse número pára em 7,67. Não à toa, a taxa de analfabetismo é reduzida, atingindo 1,10%, quatro vezes menor que os 4,88% da cidade.

Talvez o espírito empreendedor que marcou o florescimento do bairro possa explicar o grau de qualidade de vida e a quantidade de equipamentos à disposição de seus moradores. “Em 1887, começa a funcionar no bairro o Matadouro Municipal, que o faz progredir. A população aumenta, as oficinas de Ferro Carril se instalam na rua Domingos de Moraes, como também a fábrica de fósforos e a Escola Pública de Dona Maria Petit, inaugurada na Rua Vergueiro”, escreveu em artigo o barbeiro Francisco Villano, o Seu Chiquinho, uma das figuras mais tradicionais do bairro, com 88 anos, ele mesmo filho de italiano. “Com a chegada de muitos imigrantes, o movimento aumentou muito e famílias inteiras vieram habitar as ruas já existentes e outras ruas foram abertas. Fábricas de cerâmica, armazéns, açougues, padarias, floriculturas, quitandas e um hotel surgiram”, relata Seu Chiquinho.

Essa tradição de prosperidade revela-se, por exemplo, no Instituto Biológico, cuja construção começou em 1928 pelo governo do Estado e foi concluída em 1945. O advento do instituto se deu como resultado dos trabalhos desenvolvidos por uma comissão instituída para buscar o controle de uma praga que atingiu os cafezais na época. Com o decorrer dos anos, o Instituto diversificou suas pesquisas também para o campo de pragas e doenças vegetais e animais.

A busca de conhecimento na Vila Mariana pode continuar pelo Teatro João Caetano, um patrimônio cultural com 52 anos de idade, que exibe um cardápio de cinco peças com temática científica. O João Caetano é um simpático teatro, em tonalidades marrom e verde, cuja simplicidade parece aproximar-se da proposta dos teatros ingleses em sua origem, ou seja, de levarem cultura diretamente ao povo. Tem 438 lugares, palco italiano de oito metros por 12, sala para ensaio e curso de teatro. No jardim dos fundos, se encontra uma frondosa árvore da espécie Pau Ferro, plantada na época da construção, que é tratada como uma espécie de xodó pelos coordenadores do teatro.

Para quem gosta de esporte, uma ótima pedida é o Centro Esportivo Ibirapuera Mané Garrincha, na rua Pedro de Toledo, próximo à Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD) e ao prédio do Tribunal de Contas do Município. O clube possui quatro salas com equipamentos de ginástica, piscinas, quadras de tênis e um ginásio poliesportivo, em que jogos de vôlei, futsal e basquete se alternam ao longo do dia. Também conta com um ateliê para aulas de pintura, inglês e espanhol e um parquinho para crianças. O Mané Garrincha é aberto à população e encaminha os adolescentes mais aptos para o Centro Olímpico, instalado ao lado, que trabalha na formação de atletas profissionais.

O Hospital do Servidor Público Estadual, na Vila Mariana, é um megacomplexo hospitalar, prestando 80 mil consultas ao mês e mais de mil cirurgias ao mês. Há também o Hospital Dante Pazzanese, especializado em cardiologia, instalado num moderno prédio na área do Ibirapuera. O bairro sedia a Casa Hope, uma ONG dedicada à criança com câncer.

Próximos à Casa Hope, estendendo-se pelos corredores das ruas Rio Grande, Álvaro Alvim e Joaquim Távora, encontram-se uma série de barzinhos, a Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) e a Escola de Belas Artes, que dão uma atmosfera universitária e jovial àquela parte do bairro.

Dividindo-se entre o histórico e o moderno, as casas de vila e os prédios verticais de luxo, os antigos e contemporâneos institutos de educação, a Vila Mariana ainda preserva algumas curiosidades, como o marco centenário situado na esquina das ruas França Pinto com Domingos de Moraes, e que aponta a distância para Pinheiros e Santo Amaro. Descendo um pouco mais a França Pinto, chega-se à barbearia do Seu Chiquinho, aquele que acompanhou boa parte das transformações da Vila Mariana ao longo do século XX. “Na década de 20, quando passava um carro, a gente corria na janela pra ver, porque o resto eram charretes”, relembra Seu Chiquinho, que pegou ainda a fase em que os tropeiros atravessavam a rua Vergueiro em direção ao Porto de Santos.

O barbeiro só corta o cabelo dos seus clientes ao som de música erudita. Seu Chiquinho contabiliza que, ao longo de 77 anos de profissão, foram 600 mil cortes de cabelo. “Pretendo trabalhar até os 100 anos, com saúde”, diz ele. Defronte à barbearia, no outro lado da calçada, está plantada há 100 anos uma árvore, da espécie Nogueira Canadense, para a qual Seu Chiquinho aponta com orgulho. Afinal, na rua, só ela tem mais tempo de história do que ele.

História essa que exala até o antigo Matadouro Municipal, que funcionou de 1854 a 1927, e onde há 12 anos está instalada a Cinemateca Brasileira, numa área cedida pela Prefeitura. Dois dos três galpões foram reformados mantendo o estilo original do matadouro. Em um deles funciona a área de documentação, que inclui materiais privados, como os do cineasta Glauber Rocha, e uma biblioteca rica em títulos da área cinematográfica. O outro galpão foi aproveitado como sala de exibição, que preza por filmes e debates que estejam à margem do cinema comercial, mas que nem por isso radicalizem o aspecto alternativo. Para melhor atender ao público, o terceiro galpão está sendo restaurado, numa parceria com a Petrobras e o BNDES, para ser transformado em uma nova sala de cinema.

São impressionantes o trabalho e os equipamentos para restauração e preservação dos filmes nacionais, que representa a principal tarefa da cinemateca. Assim, quatro depósitos climatizados armazenam 200 mil estojos de filmes. Tendo à frente o diretor-executivo Carlos Wendell de Magalhães, a cinemateca foi aprovada por profissionais da Alemanha para sediar, em abril do ano que vem, o Congresso da Federação Internacional de Arquivos de Filme, o primeiro a ser realizado no Brasil. Participa, ainda, do circuito da Mostra Internacional de São Paulo, e desenvolverá projetos direcionados a estudantes e professores – por meio do Cinema Escola – com capacidade para atender a 27 mil alunos.

Não bastassem todos esses equipamentos, a Vila Mariana ainda tem o privilégio de sediar no seu território o Parque do Ibirapuera, passagem obrigatória de todo paulistano ou não que deseje desfrutar de lazer natural no meio da vida urbana da cidade. Aí, já é uma nova história…

Vila Mariana

http://pt.wikipedia.org/wiki/Vila_Mariana
http://portal.prefeitura.sp.gov.br/subprefeituras/spvm/dados/historico/0001

 

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11 Respostas to “O Bairro onde moro”

  1. Mamy 10/09/2007 às 9:37 #

    Eita, Má!!! Seu bairro tem mais gente morando do que em toda a minha cidade, hauahauhauahua…

    São Paulo é beeeeem grande!!

    E você mora num lugar chique, hein!! Vontade de conhecer seu bairro, viu!

    O bairro é bem legal! Mas meu apê não tem nada de mais… mas é um bom apê… e é meu!

  2. neutron 10/09/2007 às 15:53 #

    Olha, sabe que eu nunca parei pra pensar nisso quando passo pela estação Vila Mariana? hehehe

    Quanta coisa, não?

    Aliás, sou bem perdido em Sampa, viu… Mas o Parque do Ibirapuera eu conheço, e adoro, hehehe 😀

    Também sou perdida, até porquê morava em Minas até alguns anos… Também adoro demais o Ibirapuera!!!

  3. Ricky 10/09/2007 às 19:19 #

    Tenho que dizer que EU AMO esse Mega Bairro! Marcou um dos períodos mais importantes da minha vida: a Independência!

    Adorei o post e fico muito feliz de vocês terem se mudado para pertinho de casa. Tá bom que nos mudamos para alguns quarteirões mais longe… mas mesmo assim é praticamente do lado.

    3 Anos! Não parece tudo isso. Mas são 3 anos.

    Beijos Má!

    O bairro é muito bom!! Adoro estar aqui! Beijos! 😉

  4. Fefa 10/09/2007 às 19:23 #

    Eu adoro esse bairro!
    É o bairro vizinho do meu, é muito legal.
    Tem o colégio onde eu estudei, tem o Parque do Ibirapuera, cinemateca, muitas coisas boas.
    E o Seu Chiquinho deve ser um barato!

    Tem muitos lugares no bairro que eu ainda preciso conhecer!!

    E tem vocês também, que estão há 3 anos por aqui e que eu torço para que continuem sendo muito felizes 😀

    EEEEEEEE!!! Brigadinha!

    Mas…mas…tem uma coisa…nesse mapa, com um pouco de esforço a gente até vê o Pari, ali, em cima do Brás….mas onde foi parar Mirandópolis? Será que é Mirandópolis que não existe?????? Ai ai ai!

    Ui! Que medo!! A “Epidemia Pari” já chegou nos cartografistas…. aiaiaiai… Quanto a Mirandópolis, é um bairro que faz parte do subdistrito de Vila Mariana, e, no mapa, aparecem não os bairros, mas os subdistritos de Sampa!

  5. Rodrigo Figueiredo 10/09/2007 às 21:40 #

    Se formos ver mesmo então!
    Nós estamos sob a subprefeitura da V Mariana!
    Mas a gente é mais importante!
    Somos do Bairro Chacara Clabin tá! Finos!

    Ai, socorro!!!! Que flor!!! Acho que fazemos divisa com Chácara Klabin, que é um bairro muito bonito também!

    Ainda não conheço aqui! Como conheço o centro velho de Sampa que foi durante outros 3 ou 4 anos minha casa….
    Mas estou aprendendo e conhecendo!!!!

    Afinal, já são 3 anos aqui, não? E ainda teremos muito tempo para conhecê-lo melhor!

    O bom é que aqui têm passarinhos e praça pertinho de casa!!!

    Depende da hora em que esses passarinhos resolvem cantar, né? Quando a gente vai dormir beeem de madrugada, eu demoro pra pegar no sono por causa do pipipi pipipi na minha cabeça!

  6. OgrO 11/09/2007 às 8:59 #

    Cara, eu tava falando disso com a minha esposa esses dias! Sampa tem (como mto bem ilustrado pela V Mariana) toda uma história que a gente, na correria do dia a dia, acaba esquecendo! Uma riqueza arquitetônica imensa, uma beleza meio que escondida, tímida – mas que tá lá. Muito bacana!

    Não dá tempo de você conhecer as coisas, parar um pouco de trabalhar para admirar a cidade… mas, é como você falou: está lá o tempo todo!!

    Agora… NÃO ACREDITO que você conheceu o Patch Adams!!! Que demais!!!! (andei meio ausente e acabei lendo dois posts em um! rsrs) Nem fiquei sabendo que ele vinha! =(
    Eu também sou fã do cara, ele é um caso de sucesso REAL! Desafiou tudo pelo que acreditava e fez dar certo. Deve ter sido muito legal a palestra!!! =D

    Conheci!!! De verdade verdadeira!! Também sou fã dele!! A palestra foi bem legal sim!

  7. Trotta 11/09/2007 às 10:44 #

    Eu gosto da Vila Mariana! Um dos bairros em que eu gostaria de morar.

    Então, vem pra cá, oras!!! 😀

  8. Cily 12/09/2007 às 15:13 #

    Olha! Eu conheço [leia-se: fui numa balada bem bacana!] seu bairro!
    Bjoca!

    Jura? Qual balada foi?(adoro baladas) Bjos!

  9. Márci 15/09/2007 às 14:34 #

    Úia !! Quando eu namorava e imaginava me casar um dia com o “falecido”, sempre tinhamos em mente morar na Vila Mariana ! É um bairro deveras interessante e tradicional ! Adoooro !!!!

    Ué… você pode vir morar pra cá mesmo sem casório, oras! 😉

  10. Sérgio Rodrigues 13/11/2007 às 17:36 #

    Olá, parabéns pelas informações.
    E é justamente pelas informações que estou aqui 🙂
    Provavelmente estarei em São Paulo no período de 03 a 21 de Dezembro. Farei um curso na 4Linux – http://www.4linux.com.br, que fica situada na Rua Teixeira da Silva, n°660.
    Na verdade, estou procurando de um lugar pra ficar e fiz alguma pesquisas de hoteis. O mais em conta foi o Residenza Mantovani – http://www.residenzamantovani.com.br/flash.htm que é bem próximo da 4Linux e é no seu bairro.
    Você saberia me informar algum Hotel com preço equivalente do citado acima, ou mesmo um Kit Net mobiliado, casa de estudante, etc … Para que eu possa passar esses dias?
    Me desculpe utilizar seu blog para solicitar essas informações.
    De qualquer forma, antecipadamente agradeço.

    Obrigada pela visita e não tem de quê se desculpar! Infelizmente o bairro é enoooorme! Tanto que nem conheço esse local em que você vai. Sei que tem hotéis do tipo “Formule 1” na avenida Paulista e próximo ao metrô Ana Rosa. Receio que essa informação não lhe será muito útil! Desculpe-me e obrigada pela visita!

  11. gabi 12/10/2008 às 17:11 #

    oiiiiii eu so estudante d ejornalismo e estou tentando entra em contato com o seu chiquinho o barbeiro tem como vc me passa o endereço da barberaria?? meu e mail é gabilindinha2004@hotmail.com.
    obrigada

    Cara Gabi, não sei o endereço solicitado. Abraços e boa sorte!

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