Nietzsche

22 maio

Afff… Isso é nome de gente?

É. E de uma “gente” muito importante!

Friedrich Wilhelm Nietzsche nasceu a 15 de outubro de 1844 em Röcken, localidade próxima a Leipzig. Karl Ludwig, seu pai, e seus dois avós eram pastores protestantes; o próprio Nietzsche pensou em seguir a mesma carreira. Em 1849, seu pai e seu irmão faleceram. Com os colegas de escola criou uma pequena sociedade artística e literária, para a qual compôs melodias e escreveu seus primeiros versos.

Em 1858, sob influência de Schiller (1759-1805), Hölderlin (1770-1843) e Byron (1788-1824) e de alguns professores, Nietzsche começou a afastar-se do cristianismo. Dedicou-se aos estudos de teologia e filosofia, mas desistiu desses estudos e passou a residir em Leipzig, dedicando-se à filologia. “Um outro sinal distintivo dos teólogos é a sua incapacidade filológica. Entendo aqui por filologia (…) a arte de bem ler – de saber distinguir os fatos, sem estar a falseá-los por interpretações, sem perder, no desejo de compreender, a precaução, a paciência e a finesse”. Ritschl considerava a filologia não apenas história das formas literárias, mas estudos das instituições e do pensamento. Foi nomeado, em 1869, professor de filologia em Basiléia, onde permaneceu por dez anos.

Em 1870, a Alemanha entrou em guerra com a França; nessa ocasião, Nietzsche serviu o exército como enfermeiro, mas por pouco tempo, pois logo adoeceu, contraindo difteria e disenteria. Essa doença parece ter sido a origem das dores de cabeça e de estômago que acompanharam o filósofo durante toda a vida.

Começa então uma vida errante em busca de um clima favorável tanto para sua saúde como para seu pensamento: “Não somos como aqueles que chegam a formar pensamentos senão no meio dos livros – o nosso hábito é pensar ao ar livre, andando, saltando, escalando, dançando (…)”.

Nessa época teve início sua amizade com Richard Wagner (1813-1883), que tinha quase 55 anos e vivia então com Cosima, filha de Liszt (1811-1886). Nietzsche encantou-se com a música de Wagner e com seu drama musical. A casa de campo de Tribschen, às margens do lago de Lucerna, onde Wagner morava, tornou-se para Nietzsche lugar de “refúgio e consolação”. Na mesma época, apaixonou-se por Cosima, que viria a ser, em obra posterior, a “sonhada Ariane”.

Em 1882, ele encontra Paul Rée e Lou Andreas-Salomé, a quem pede em casamento. Ela recusa, após ter-lhe feito esperar sentimentos recíprocos. Nietzsche não cessa de escrever com um ritmo crescente. Este período termina brutalmente em 3 de Janeiro de 1889 com uma “crise de loucura” que, durando até à sua morte, coloca-o sob a tutela da sua mãe e sua irmã. No início desta loucura, Nietzsche encarna alternativamente as figuras míticas de Dionísio e Cristo, expressa em bizarras cartas, afundando depois em um silêncio quase completo até a sua morte.

Durante toda sua vida sempre tentou explicar o insucesso de sua literatura, chegando a conclusão de que nascera póstumo, para os leitores do porvir. O sucesso de Nietzsche, entretanto, sobreveio quando um professor dinamarquês leu a sua obra Assim Falou Zaratustra e, por conseguinte, tratou de difundi-la, em 1888.

Muitos estudiosos da época tentaram localizar os momentos que Nietzsche escrevia sob crises nervosas ou sob efeito de drogas (Nietzsche estudou biologia e tentava descobrir sua própria maneira de minimizar os efeitos da sua doença).

Segundo Nietzsche, o cristianismo concebe o mundo terrestre como um vale de lágrimas, em oposição ao mundo da felicidade eterna do além. Essa concepção constitui uma metafísica que, à luz das idéias do outro mundo, autêntico e verdadeiro, entende o terrestre, o sensível, o corpo, como o provisório, o inautêntico e o aparente. Trata-se, portanto, diz Nietzsche, de “um platonismo para o povo”, de uma vulgarização da metafísica, que é preciso desmistificar. O cristianismo, continua Nietzsche, é a forma acabada da perversão dos instintos que caracteriza o platonismo, repousando em dogmas e crenças que permitem à consciência fraca e escava escapar à vida, à dor e à luta, e impondo a resignação e a renúncia como virtudes. São os escravos e os vencidos da vida que inventaram o além para compensar a miséria; inventaram falsos valores para se consolar da impossibilidade de participação nos valores dos senhores e dos fortes; forjaram o mito da salvação da alma porque não possuíam o corpo; criaram a ficção do pecado porque não podiam participar das alegrias terrestres e da plena satisfação dos instintos da vida. “Este ódio de tudo que é humano”, diz Nietzsche, “de tudo que é ‘animal’ e mais ainda de tudo que é ‘matéria’, este temor dos sentidos… este horror da felicidade e da beleza; este desejo de fugir de tudo que é aparência, mudança, dever, morte, esforço, desejo mesmo, tudo isso significa… vontade de aniquilamento, hostilidade à vida, recusa em se admitir as condições fundamentais da própria vida”. Nietzsche propôs a si mesmo a tarefa de recuperar a vida e transmutar todos os valores do cristianismo.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Friedrich_Nietzsche
http://www.mundodosfilosofos.com.br/nietzsche.htm

 

Oswaldo Giacóia Júnior, professor de filosofia na Unicamp, explica em seu livro “Nietzsche” porquê é impossível se colocar à altura dos principais temas e questões do nosso tempo sem entender o pensamento de Nietzsche, um dos pensadores mais provocativos da filosofia moderna.

http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u68704.shtml

 

Assisti à peça “Quando Nietzsche Chorou”, oriunda de livro homônimo, no último final de semana, com meu gatinho e com amigos.

O autor do livro (Irvin Yalom), psicoterapeuta e professor de psiquiatria, criou um encontro hipotético entre Friedrich Nietzsche, filósofo alemão, e Josef Breuer, um dos pais da psicanálise (médico e fisiologista austríaco, aliado de Freud em suas idéias e também um aliado financeiro), tendo como cenário a Viena do final do século XIX. Valendo-se do caso de amor verídico entre Nietzsche e a sedutora e intelectualizada Lou Andreas-Salomé, Yalom sugere que esta, vendo o ex-amante deprimido, teria procurado Breuer para que tratasse do filósofo. Para condimentar ainda mais a situação, o médico está passando por um período difícil, tendo fantasias sexuais com sua paciente, a célebre Anna O. (codinome dado a Bertha Pappenheim, paciente de Breuer) – primeiro caso descrito no livro “Estudos sobre a histeria de Freud e Breuer”, considerado fundamental sobre o assunto. O charme da história reside na “troca de figurinhas” entre dois gigantes do pensamento ocidental, que se tornam amigos e colaboradores nesta versão.

http://www.sandrofortunato.com.br/sajul06.htm


Adorei a peça! Diverti-me um bocado e pretendo ler o livro! Recomendo!

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5 Respostas to “Nietzsche”

  1. Rodrigo Figueiredo 22/05/2007 às 20:21 #

    Primeira peça de verdade da minha vida! Tipo grande produção mesmo!

    Minha também!

    Confesso que cheguei a ficar um pouco triste quando vi que não era mais o Nino que fazia o papel de Nietzsche.

    É verdade… foi uma pena!

    E realmente o ator que o substituiu não foi soberbo… Mas mesmo assim foi bem!
    Adorei a peça! E fique com muita vontade de ler o livro!

    Precisamos fazer mais desses eventos culturais! 😉

  2. Trotta 23/05/2007 às 11:00 #

    Acho que gostei menos do que vcs, mas também gostei da peça. E foi muito boa a idéia de postar mais informações sobre o Nietzsche, pra entendermos melhor o contexto! Deu pra entender melhor os pensamentos expostos no teatro.

    Eu achei muito bacana fazer o texto, porque ia me informando também!

    Achei sensacional a visão de cristianismo dele, e deliciosamente pessimista, hehehe! Muito bom. Só faltou mencionar que Nietzsche tinha problemas de apoio e projeção da voz, não sabia respirar muito bem, e precisava de uma fono. 😉

    Também achei que a visão dele sobre cristianismo faz pensar! E obrigada pela parte que me toca! rs…

    Beijo, Má!
    P.S.: Gostei do “oriunda”!

    Mas “Má” também é cultura! (às vezes). Bjo!

  3. neutron 23/05/2007 às 14:56 #

    Eu já vi a propaganda da peça várias vezes… é com o Cassio Scapin (escrevi certo??), né? hehe

    Então, era realmente com ele (Cássio Scarpin, vulgo Nino do Castelo Rá-tim-bum). Mas acho que por ele estar estreando outra peça, outro ator o substituiu… o que foi um pouco frustante…

    Quando eu comecei a trabalhar aqui, tinha uma estudante de Psicologia que tava lendo esse livro… eu li um pedaço da introdução, achei legal mass.. se você não sabe nada sobre ele, pode boiar um pouco… hehehe

    Hehehe… ainda quero ler, embora seja provável que bóie um pouco!

    Ah, sobre o outro post, eu esqueci de falar: assisti aos dois “Fábrica de Chocolate”, mas o segundo eu achei muito ruim! Mudaram coisas que eram legais, e ficou muito computadorizado!

    Ah é? Eu gostei dos dois, sabe? Achei o segundo condizente com a época atual…

    Beijo!

    Abração!

  4. Fefa 23/05/2007 às 17:43 #

    Gostei muito da peça, voltei para casa pensando bastante nas mensagens que a peça nos transmitiu. E fiquei com vontade de ler o livro também.

    Realmente faz pensar! 🙂

    Gostei também do pano de fundo da peça, a enxaqueca. Foi legal saber algumas coisas da época sobre a doença.

    Hehehe… aplicação prática?!

    Pena que a voz do tal Nietzsche sumia quando ele estava no fundo do palco!

    Como disse o Trotta, ele precisava de uma Fono, mas eu estava sem meu cartão de visitas… kkkkkkk…

    Adorei!
    Beijos!

    Beijão!

  5. claudia lyra 26/05/2007 às 0:39 #

    A Evinha já falou desse livro no blog dela… parece mesmo ser legal.

    Bom, a peça foi… então deve ser bom o livro… tomara!

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