Café

3 maio

“Um homem é o que ele lê, come e bebe na vida.
Logo deve escolher a melhor leitura, a melhor comida
e a melhor bebida, o café…”

Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832)

 

Esse post é para falar de uma de minhas paixões: o café.
Coado ou espresso, puro ou com espuminha de leite e canela, quente ou em deliciosas combinações frias, líquido ou em receitas diversas, sozinho ou acompanhado de pão de queijo (ou pão na chapa ou bolo de fubá). Adoro.
Não me considero viciada em café, até porque, caso vocês leitores se interessem em bisbilhotar os links ao final do post, lerão uma explicação do motivo pelo qual café não vicia.
Em Minas (onde passei praticamente toda a minha vida), na maioria das casas se tem por hábito tomar café da manhã (com um ‘golinho’ de café) e tomar café da tarde (com mais um ‘golinho’ de café); eu também adoro tomar café após almoço, e às vezes após o jantar. O que dá umas três ou quatro xicarazinhas (ou, em bom mineirês, xicrinhas) de café ao dia; que, como está expresso em um dos links, é super saudável e bom para um monte de coisas.

Abaixo, vocês encontrarão um pouco sobre a história do café. Resumidamente, pois o assunto é longo e poderia não ser de interesse geral (caso haja interesse, repito, acharão tudo e mais um pouco, nos links ao final do post; desde curiosidades, história, composição química, diferentes tipos, benefícios, até receitinhas).

Bom divertimento! 😉 (Pois é o que representa pra mim).

 

A lenda do café

Uma das lendas mais aceitas e divulgadas é a do pastor Kaldi, que viveu na Absínia, hoje Etiópia, há cerca de mil anos. Ela conta que Kaldi, observando suas cabras, notou que elas ficavam alegres e saltitantes e que esta energia extra se evidenciava sempre que mastigavam os frutos de coloração amarelo-avermelhada dos arbustos existentes em alguns campos de pastoreio. O pastor notou que as frutas eram fonte de alegria e motivação, e somente com a ajuda delas o rebanho conseguia caminhar por vários quilômetros por subidas infindáveis.

Kaldi comentou sobre o comportamento dos animais a um monge da região, que decidiu experimentar o poder dos frutos. O monge apanhou um pouco das frutas e levou consigo até o monastério. Ele começou a utilizar os frutos na forma de infusão, percebendo que a bebida o ajudava a resistir ao sono enquanto orava ou em suas longas horas de leitura do breviário. Esta descoberta se espalhou rapidamente entre os monastérios, criando uma demanda pela bebida. As evidências mostram que o café foi cultivado pela primeira vez em monastérios islâmicos no Yemen.


Os primeiros cultivos de café

A planta de café é originária da Etiópia, centro da África, onde ainda hoje faz parte da vegetação natural. Foi a Arábia a responsável pela propagação da cultura do café. O nome café não é originário da Kaffa, local de origem da planta, e sim da palavra árabe qahwa, que significa vinho. Por esse motivo, o café era conhecido como “vinho da Arábia” quando chegou à Europa no século XIV.

O café tornou-se de grande importância para os Árabes, que tinham completo controle sobre o cultivo e preparação da bebida. Na época, o café era um produto guardado a sete chaves pelos árabes.

A partir de 1615 o café começou a ser saboreado no Continente Europeu, trazido por viajantes em suas freqüentes viagens ao oriente.

Foram os holandeses que conseguiram as primeiras mudas e as cultivaram nas estufas do jardim botânico de Amsterdã, fato que tornou a bebida uma das mais consumidas no velho continente, passando a fazer parte definitiva dos hábitos dos europeus. Os holandeses ampliavam o cultivo para Sumatra, e os franceses, presenteados com um pé de café pelo burgomestre de Amsterdã, iniciavam testes nas ilhas de Sandwich e Bourbon.

Com as experiências holandesa e francesa, o cultivo de café foi levado para outras colônias européias. O crescente mercado consumidor europeu propiciou a expansão do plantio de café em países africanos e a sua chegada ao Novo Mundo. Pelas mãos dos colonizadores europeus, o café chegou ao Suriname, São Domingos, Cuba, Porto Rico e Guianas. Foi por meio das Guianas que chegou ao norte do Brasil. Desta maneira, o segredo dos árabes se espalhou por todos os cantos do mundo.


A cultura da bebida café

O hábito de tomar café foi desenvolvido na cultura árabe. No início, o café era conhecido apenas por suas propriedades estimulantes e a fruta era consumida fresca, sendo utilizada para alimentar e estimular os rebanhos durante viagens. Com o tempo, o café começou a ser macerado e misturado com gordura animal para facilitar seu consumo durante as viagens.

Em 1000 d.C., os árabes começaram a preparar uma infusão com as cerejas, fervendo-as em água. Somente no século XIV, o processo de torrefação foi desenvolvido, e finalmente a bebida adquiriu um aspecto mais parecido com o dos dias de hoje. A difusão da bebida no mundo árabe foi bastante rápida. O café passou a fazer parte do dia-a-dia dos árabes sendo que, em 1475, até foi promulgada uma lei permitindo à mulher pedir o divórcio, se o marido fosse incapaz de lhe prover uma quantidade diária da bebida. A admiração pelo café chegou mais tarde à Europa durante a expansão do Império Otomano.


As cafeterias

Foi em Meca que surgiram as primeiras cafeterias, conhecidas como Kaveh Kanes. Cidades como Meca, eram centros religiosos para reza e meditação e a religião muçulmana proibia o consumo de qualquer tipo de bebida alcoólica. Desta forma, os Kaveh Kanes se transformaram em casas onde era possível se passar à tarde conversando, ouvindo música e bebendo café. A bebida conquistou Constantinopla, Síria e demais regiões próximas. As cafeterias tornaram-se famosas no Oriente pelo seu luxo e suntuosidade e pelos encontros entre comerciantes, para a discussão de negócios ou reuniões de lazer.

O café conquistou definitivamente a Europa a partir de 1615, trazido dos países árabes por comerciantes italianos. O hábito de tomar o café, principalmente em Veneza, estava associado aos encontros sociais e à música que ocorriam nas alegres Botteghe Del Caffè. Em 1687 os turcos abandonaram várias sacas de café às portas de Viena, após uma tentativa frustrada de conquista, e estas foram usadas como prêmio pela vitória. Assim é aberta a primeira coffee house de Viena e difundido o hábito de coar a bebida e bebê-la adoçada com leite – o famoso café vienense.

As cafeterias desenvolveram-se na Europa durante o século XVII, enquanto florescia o Iluminismo e se planejava a Revolução Francesa. Durante tardes inteiras, jovens reuniam-se em torno de várias xícaras de café, discutindo o destino das nações, declamando poemas, lendo livros ou simplesmente passando o tempo. Atualmente, algumas casas famosas como o Café Procope, em Paris, e o Café Florian, em Veneza, ainda preservam o glamour dessa época.

Até hoje os cafés são locais onde pessoas se reúnem para discutir assunto importantes ou simplesmente passar o tempo, sendo o ritual do cafezinho uma tradição que sobreviveu a todas as transformações.

Nos últimos anos, houve uma onda provocada pelas modernas máquinas de café expresso, que revolucionaram o hábito do cafezinho, permitindo um crescimento vertiginoso das cadeias de lojas de café.


O café brasileiro na atualidade

Atualmente o Brasil é o maior produtor mundial de café, sendo responsável por 30% do mercado internacional de café, volume equivalente à soma da produção dos outros seis maiores países produtores. É também o segundo mercado consumidor, atrás somente dos Estados Unidos.

As áreas cafeeiras estão concentradas no centro-sul do país, onde se destacam quatro estados produtores: Minas Gerais, São Paulo, Espírito Santo e Paraná. A região Nordeste também tem plantações na Bahia, e da região Norte pode-se destacar Rondônia.


Quer saber mais?

Café
Vai um cafezinho?

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14 Respostas to “Café”

  1. Rodrigo Figueiredo 03/05/2007 às 23:13 #

    Cafeterias são legais!

    São deliciosas, ainda mais na sua companhia! Adoro!

    Desde de muito tempo atraz acompanhava minha mãe (na epoca eu só tomava coca-cola) e já curtia.
    É realmente um lugar para conversar e curtir o momento!

    Com certeza!

    E café com torta de limão?
    Não é bom não?!?!? Hem?!?! Risos! 😉

    Como pude me esquecer! Café com Torta de Limão (do Fran´s) é ótimo! Ainda mais em momentos especiais! Te amo!😉

  2. Ricky 04/05/2007 às 9:49 #

    Má! Esse post é fenomenal! Ainda não li inteiro mas vou ler com muito carinho!

    O.o Brigadim!

    Café é parte fundamental da minha vida! E cafeterias são lugares mágicos para mim!

    Eu sei! 😉 Espero que goste do post!

    Beijo pra Ti!

    Outro!

  3. Trotta 04/05/2007 às 10:42 #

    Isso tudo reforça a minha teoria que o café é mais apreciado pelo ritual e pelo clima que o acompanha, e nem tanto pelo sabor mesmo, que eu nem curto muito, hehehe!

    Vou te dizer que eu gosto dos dois: do ritual e do sabor!!

    Mas eu gosto de todo o resto que existe numa cafeteria: pães, sorvetes, cremes, tortas… menos o café mesmo! Eu fico com a soda italiana, obrigado. 🙂

    Abraço!

    Pelo menos, você é uma boa comapanhia nas cafeterias, mesmo sem o café! Abração!

  4. Menina Eva 04/05/2007 às 13:52 #

    Curiosamente, eu adoro o cheiro do café, mas não gosto do sabor. Prefiro com leite.

    O cheiro é o que há, não? Sabe que não curto com leite? Só com espuminha por cima…

    Esse texto está LINDO. Você arrasou.

    EEE!! Brigadim! Mas não é tudo de autoria própria não, só dei uma ajeitada no texto dos links… 😉

  5. Fefa 04/05/2007 às 17:59 #

    Eu sou suspeita para falar! Amo tomar café. Expresso, coado, com leite, espuma de leite, seja como for, estou dentro.

    Eu falei sobre isso hoje mesmo (lá no Café com Flores), que tomar café é uma questão de hábito, cultura, costume mesmo. Minha família sempre foi do “Cafezim” depois do almoço, eu acostomei com isso e hoje não fico sem.

    Eu tomo café todos os dias. O pessoal na faculdade não se conforma que eu chego e a primeira coisa que faço é comprar meu café e depois subir para aula.
    Mas é claro que o conjunto Café+lugar legal+amigos+bom papo é o melhor.

    Beijos, companheira de Café! 😀

    Companheira de café que me deixou na mão na rodízio, né? Pois sim! Está perdoada desta vez! 😉

  6. Cily 04/05/2007 às 23:20 #

    Me deu até fome…

    Adorei!

    Bjo!

    Que bom que gostou! 🙂

  7. Claudia Lyra 06/05/2007 às 10:36 #

    Eu quero um cafezinho!!! Ainda mais porque esse friozinho dá mesmo mais vontade de beber algo bem quentinho… e como tenho que ficar hoooras na frente do PC por conta do artigo científico… arre, que só tenho esse assunto agora!

    risos… quem sabe o cafezinho te ajuda… dá uma inspirada….

  8. neutron 07/05/2007 às 9:47 #

    Nossa, eu sou viciado em café… ehehehe

    Mas café não vicia!!! Viu lá no link?! 😉

    E a gente toma todo dia e nem pára pra pensar em toda a ‘história’ dele, né?

    Hmm, vou pegar um expresso e já venho! 😉

    Também adoro!! Toda hora é uma boa hora para um cafezinho!

  9. Fefa 07/05/2007 às 13:40 #

    Ah Má, se eu não tivesse te deixado “na mão” a melhor cena da noite não teria acontecido, não é mesmo? Café? Café? rsrs

    Bem, isso é verdade!

    Mas…ainda bem que vc me perdoa! 😀

    Beijão!

    Beijão, Fefa!

  10. Jô Beckman 08/05/2007 às 8:49 #

    “Um homem é o que ele lê, come e bebe na vida.
    Logo deve escolher a melhor leitura, a melhor comida
    e a melhor bebida, o café…” assino em baixo!
    beijos

    Ótima essa frase, não? Bjo!

  11. Trotta 09/05/2007 às 11:54 #

    Café? Café? Café? Cafééé! Dois cafés, por favor.

    Ah, mas ele tava demorando pra responder… e o garçom tava esperando… eu tinha que tomar alguma atitude! Escolhi elegê-lo meu companheiro no café!

  12. Rodrigo Figueiredo 09/05/2007 às 13:05 #

    Ai ai ai viu!
    Tá ficando folgada essa menina!
    😉 8)

    Mas você tem que me acompanhar… na saúde e na doença, blablabla…, e no café! rs… Beijão! ;P

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  1. Chocolate « Publicações - Vol. 3 - 18/05/2007

    […] chocolate em leite quente)… além de outras mil variações, todas deliciosas! Se juntar com café, então, já ganho o […]

  2. Café « Dona Maroma na Cozinha - 22/05/2009

    […] até um post sobre café no meu outro […]

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