Não há motivo para comemorações (1998)

15 mar

Tema: Brasil: 500 anos entre a floresta e a escola.

Em pleno século XXI, o Brasil ainda é latifundiário, a agricultura é a base de sua economia e está nas mão de poucos. O poder passa de geração a geração dentro de uma mesma classe dominante há séculos.

Quando Cabral chegou aqui, deparou-se com índios e florestas mas não se intimidou: matou os índios e desmatou as florestas. Fato que ocorre até hoje_ o índio Geraldino foi queimado por 4 adolescentes de Brasília, a Mata Atlântica está reduzida a uma pequena faixa de terra, a Amazônia é desmatada constantemente para diversos fins.

Os colonizadores utilizaram-se do trabalho escravo. Os patrões de hoje também o fazem. Em Sergipe, 12 mil menores trabalham na colheita da laranja e quase todos tiveram suas digitais corroídas pelo ácido cítrico. Na mineração, crianças colocam em risco seus pulmões e sua vida em troca de míseros trocados. Aproximadamente 7,5 milhões de jovens de 10 a 17 anos trabalham (a maioria vende doces nos semáforos ou se prostitui), o que representa 11,6% da força de trabalho brasileira. Em contrapartida, o desemprego entre adultos é alto devido ao medo que os empregadores têm do prejuízo, já que a economia ainda não se estabilizou.

Em meio à miséria no Nordeste, onde os responsáveis são os políticos que desviam verbas, a Copa do Mundo polariza paixões nacionais e emoções patrióticas. O futebol deixou de ser brincadeira de criança e envolve a mídia e a bolsa de valores. Disque 0900, sensacionalismo e lixo cultural, assim é a mídia brasileira.

País multifacetado, onde o cinema está recuperando seu fôlego e o voto é obrigatório, pois os políticos sabem que a instrução do povo não é das melhores e, do contrário, muitos não votariam. Querem privatizar faculdades públicas (aliás, já venderam quase tudo ao estrangeiro) e retirar os cursos técnicos das escolas públicas, dizendo ser por economia. Mas não medem esforços para que o Brasil seja o líder do Mercosul e possa competir com o Estados Unidos na futura Alca. Fazem campanhas contra a automedicação, responsável por 80% dos lucros das indústrias farmacêuticas e 40% das vendas das farmácias e ao mesmo tempo formam médicos antiprofissionais que desconhecem as fórmulas químicas dos remédios e cometem abuso sexual e negligência. Policiais, que deveriam proporcionar segurança, matam 111 pessoas no Carandiru e 7 crianças na Candelária e ficam impunes. Pessoas não têm onde morar devido à ganância e ao descaso de alguns.

Gênios da música e da literatura brasileira tentaram e ainda tentam mostrar ao povo que já é hora de abrir os olhos e acordar a justiça, que dorme há cinco séculos.

São 500 anos no atraso. O Brasil vive ainda no século XVI ou na Idade da Pedra?
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Comentários

Estive aqui
Patty | 16/03/2005 11:57

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Uma resposta to “Não há motivo para comemorações (1998)”

  1. angel 22/08/2007 às 21:16 #

    Concordo plenamente!

    Obrigada pela visita! Volte sempre! 😉

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