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A morte da Sombra da Lua (1998)

27 jul

O caso de meu cliente, o milionário californiano Theodore Morgenstern, após passar pela policia, veio para em minhas mãos. Tudo começou numa tarde de outono quando ele, ao chegar em casa, encontrou uns símbolos inscritos na porta. Isso se repetiu por três dias, sendo que desde a primeira inscrição, sua esposa, Moonshadow, examinava recortes antigos de jornais, enrolada em uma manta indígena, entoando canções estranhas. No quarto dia, novos símbolos estavam inscritos no centro da porta e sua mulher havia desaparecido. Consegui decifrar alguns símbolos cujo significado era: “o passado voltou”, “o passado está morto”, “vá embora”, “vingança”. Mas não consegui decifrar o que estava inscrito no centro da porta.

O caso era arrepiante, mas não podia afobar-me; deveria começar do início. Algo me dizia que se tratava de rivalidade entre tribos indígenas. Soube que Moonshadow (Sombra da Lua) era da tribo Yankee e os símbolos faziam parte do seu alfabeto. Theodore contou-me que a conheceu em uma visita às reservas indígenas americanas. Apaixonaram-se e ela aceitou fugir com ele para a Califórnia. Disse-me, também, que a tribo Yankee era muito conservadora e fiel à tradição. Concluí que não se tratavam de tribos rivais, mas sim de revolta dentro da própria tribo.

Tendo tirado as impressões digitais da porta e comparado com as de Moonshadow, descobri que ela havia se comunicado com a outra pessoa. Foram dela as inscrições “O passado está morto. Vá embora”. Então, o enigma começou a desfazer-se.

Autorizado pelos órgãos governamentais e ajudado pela polícia, fui à tribo Yankee. O lugar parecia deserto. Resolvi, então, esperar pela noite. Adormeci, vencido pelo cansaço. Assustado, acordei com um barulho forte de tambor e presenciei uma cena macabra: vários índios dançavam ao redor de uma fogueira enquanto outros batiam em tambores. De repente, vi que uma moça acorrentada era arrastada para o meio da multidão: era Moonshadow. Tentei impedir que a cena seguinte ocorresse, mas o pavor endureceu minhas pernas_ nem eu e nem os policiais que me acompanhavam sequer respirávamos.

Presa ao chão com estacas que lhe atravessavam as mãos e os pés, Moonshadow teve seu ventre arrancado sem dó ou piedade. Seus gritos tocavam o fundo de minha alma. Maldizendo e rogando pragas a seu povo, ela foi escalpelada (teve seu couro cabeludo arrancado) e, depois, teve seu coração retirado do peito. Enquanto morria, seu coração, assim como seu ventre, era repartido entre a tribo. Seu corpo foi jogado na fogueira. O ritual foi até a madrugada, quando os índios foram dormir em suas tendas.

 

Pasmos, eu e os policiais deixamos o local e voltamos à Califórnia. Theodore era o mais desconsolado e indignado. Pedi para ver os recortes antigos de jornais que Moonshadow estava lendo antes de ser raptada. Eles falavam sobre a revolta da tribo Yankee com a fuga de um de seus membros com um homem branco. Nesses recortes, o chefe dizia que Moonshadow seria encontrada, aonde quer que estivesse e, por ter traído os ideais de seu povo, seria morta. Na época, ninguém havia dado importância ao fato; todos diziam ser somente ameaças. Havia uma inscrição no artigo; a mesma que estava inscrita no centro da porta. Pela história, pelos símbolos e pelos comentários dos jornalistas sobre o assunto, matei a charada. Os símbolos diziam: “Não há perdão”.
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Comentários

Má! Pra dizer que não esqueci do seu blog. Preciso ler com calma cada texto dele. Um beijos
Ricky | ricardula.nafoto.net | 24/11/2005 10:19
Resposta: Valeu, Rick… preceiso voltar a publicar qualquer coisa… Abração!

Sexo, Drops e Rock´n´Roll (1998)

26 jul

Tema: A influência do sexo, da droga e do Rock´n´Roll na vida do jovem.

Nas décadas de 60 e 70, o rock surgiu no mundo: Beatles, Jimmy Hendrix e outros deuses conquistaram os jovens com suas baladas inovadoras. Numa época em que o sexo era tido como tabu, os hippies lutavam por liberdade total ao mesmo tempo em que usavam drogas e ouviam rock_ o Woodstock foi um festival que reuniu tudo isso num único lugar.
De lá para cá, novas bandas surgiram, mas a essência continua a mesma. Apareceram novas drogas_ mais poderosas e letais (sem deixar de lado o cigarro e as bebidas alcoólicas; drogas aceitas pela sociedade)_, e o sexo não é mais encarado como tabu e sim com algo natural_ embora ainda existam pessoas ditas conservadoras. Numa estatística feita, apenas 1% das mães da geração de 60 desejariam que suas filhas se casassem virgens.
Mas, por que esta mistura? Será que a droga é necessária para a desinibição do jovem para o sexo e a música serve como um fundo musical? A geração tida como “geração saúde” é a que mais usa drogas de toda a história?
Tanto o sexo, quanto a droga e o rock dão prazer, ou, pelo menos, faz com que os problemas sejam momentaneamente esquecidos. Mas, enquanto sexo e música influenciam o jovem de forma positiva (na maioria dos casos), as drogas sugam a vida de seus corpos em formação. Ao invés de sumirem, os problemas agravam-se mais e mais com a droga. Esses três fatores têm um papel importante na formação do caráter do jovem, ou seja, o caráter depende da visão de mundo, da posição de cada adolescente frente não só à famosa trilogia, como a tudo na vida.
Nem todos os jovens usam drogas, gostam de rock ou têm o sexo como fundamental, mas todos têm uma opinião a respeito. Talvez, o lema da “geração saúde” seja outro; não tão pesado quanto o da geração de 60. Pode ser que o número de jovens usuários de drogas seja ínfimo. O rock e o sexo, ainda em alta, fazem parte do mundo da maioria dos adolescentes atuais. Então, por quê não “Sexo, Drops e Rock´n´Roll”?

O Preço do Progresso (1998)

4 jul

Foi-se o tempo em que os netos reuniam-se ao redor de suas avós para ouvirem histórias. As pessoas não mais se aglomeram em torno do rádio a fim de ouvirem notícias ou novelas. Não há mais serenatas, não há mais romantismo.

Os anos passaram e o progresso veio. A cada dia, novos utensílios são inventados ou melhorados. O avanço tecnológico chegou a tal ponto que é possível operar um paciente com raio laser.

Quem quer manter-se informado, ouvir histórias ou músicas, ver novelas…, tem à sua disposição um arsenal de opções: jornais, revistas, aparelho de som, a Internet… Internet: da invenção do computador à criação do mais importante meio de comunicação mundial foi um só passo. Hoje, milhares de pessoas têm acesso à Internet, tanto para o trabalho quanto para o lazer.

O progresso é contínuo; não pára nem para tomar fôlego. O mundo está ficando cada vez mais mecanizado e, a cada dia, mais pessoas têm acesso a essa industrialização.

Mas tudo tem seu preço: as florestas são destruídas para dar lugar às fábricas, o ar e a água tornam-se locais de despejo comunitário, os funcionários das fábricas são obrigados a ceder seus lugares às máquinas. Até o campo está mecanizado.

A massa de desempregados aumenta dia após dia e ninguém pensou em alguma solução possível. O campo mecanizado expele trabalhadores para as cidades, que estão superlotadas há vários anos, mas continuam crescendo.

É mais fácil ter um relacionamento virtual do que se envolver realmente com outra pessoa. É mais prático fazer compras sem sair de casa. É melhor trabalhar em casa do que enfrentar o trânsito todos os dias.

Viver assim é, aparentemente, melhor e mais dinâmico, mas, desse jeito, em breve todos estarão obesos, com problemas nas articulações e sofrendo de enfartos. Até quando será possível viver num mundo virtual?

Não sou robô (1998)

1 jun

Moda, moda

Escravizadora dos homens

Sãos de consciência.

Anúncios, ofertas,

Tudo é feito para fazer

Com que nós, pobres mortais,

Gastemos nosso suado dinheiro

Com luxúrias sem fim.

Ah, mas a qualidade é melhor!

Ah, mas vestem bem!

Tolices dos dias atuais

Não há mais seres humanos

O que existem são robôs uniformizados:

O mesmo sapato, calça, blusa,

As mesmas unhas, os mesmos esmaltes,

Bonés, relógios, carros.

Moda

Ditadora que impõe comportamentos

Quem não a segue

É louco, brega ou quer aparecer.

Quando, na verdade,

É único, não admite cópias.

Oh, meus irmãos,

Saiam de suas fantasias

E mostrem-me seus rostos.

A dignidade humana

Não depende das marcas,

Meros objetos de desejo e consumo,

Mas sim do coração, da mente,

Do eu-interior, do eu-único

De cada um.

Pingüins de Enormes Geladeiras (1998)

1 abr

Tema: Blocos Econômicos.

NAFTA, COMECON, CEE, MERCOSUL… As alianças políticas e econômicas estão tornando-se cada vez mais freqüentes no mundo atual. Os países reúnem-se em blocos com o objetivo de fortalecer-se economicamente; já que, o comércio, as relações entre eles são facilitadas dentro desses blocos.

O Brasil também está agregado a um bloco econômico: o MERCOSUL, do qual fazem parte alguns países da América do Sul. O MERCOSUL foi criado para que a América do Sul se unisse, com o objetivo de concorrer igualmente (ou, pelo menos, com diferença mínima) com os Estados Unidos.

O presidente norte-americano, Bill Clinton, almeja criar a ALCA (uma união econômica entre Estados Unidos e países do MERCOSUL). Mas essa união só será concretizada quando o Brasil, assim como os outros países do MERCOSUL, conseguir uma competitividade econômica razoável.

É o fenômeno da globalização que atinge todo o mundo. Até mesmo os países emergentes (como o Brasil) estão sofrendo essas mudanças. A diferença é que nesses países, as mudanças vêm acompanhadas por planos de estabilização. Como conseqüência, têm-se que esses presidentes tornam-se puramente decorativos, pois há sempre alguém que, embora ocupe um cargo de menor importância, possui mais autoridade.

 

Quando o mundo, num futuro próximo, estiver totalmente globalizado, ter-se-ão presidentes ou meros pingüins de geladeira? É esperar para ver os resultados.
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Comentários

Ué, morreu o blog? :(
Trotta | claquette@mac.com | http://claquette.blogspot.com/ | 01/05/2005 14:49

 

 

Um presente muito especial (1998)

24 mar

Tema: Aniversário de 18 anos.

Hoje estou completando dezoito anos. Sinto que uma fase da minha vida já passou. Sinto-me importante, pois agora poderei tirar carteira de motorista, participar mais ativamente da política do país e…

“Dim-Dom” _ a campainha interrompendo meu fluxo de pensamentos. “Quem será?”.

Ao abrir a porta, dei de cara com o carteiro. Ele trazia um envelope grande endereçado a mim e sem remetente. Agradeci-lhe, mas onde já se viu não me dar os parabéns?!?

Olhei para o envelope, curiosa. Quem poderia tê-lo mandado. “Abrir ou não abrir, eis a questão”. Fiquei nessa luta, por um tempo (sempre quis ficar num dilema bobo, com as atrizes de novela). Por fim, abri-o. Dentro havia uma folha em branco, um CD e uma foto minha de quando eu tinha uns quinze anos. “Nossa! Que estranho!” Fiquei amedrontada de início, mas depois fui vencida pela curiosidade. “Por onde começar?… Pelo CD!”.

Coloquei o CD no aparelho de som. Era uma ópera de Shakespeare que falava de amor. “Será que quem me mandou a carta quer que eu seja Sherlock Holmes?” A ópera é linda_ assisti-a com um ex-namorado quando tinha quinze anos; ele foi meu único grande amor. “Hum…” Comecei a unir a foto ao CD_ “Será que foi ele?”.

Olhei a foto. Sim, não restavam dúvidas. A foto foi tirada na casa dele. Eu dei-lhe minha foto para que servisse de lembrança. Mas, uma idéia atravessou minha mente como um raio. Na peça, Sherlock desvendou um enigma colocando a folha contra a luz. Resolvi fazer o mesmo e qual não foi minha surpresa ao ver cupidos, corações e… Uma mensagem: “Passarei aí mais tarde para buscar minha foto. O CD é para você. RF”. Após um breve instante de perplexidade, fiquei eufórica: era meu amor que voltava do exterior!

“Tenho que me arrumar”, pensei. Tomei um banho demorado, coloquei minha melhor roupa… Parecia uma princesa.

Às oito horas da noite, a campainha toca novamente. Abro e na minha frente está um imenso buquê de rosas vermelhas e brancas, segurado por RF.

“Feliz Aniversário, meu amor”.Após chorarmos abraçados, conversávamos mais que… Com licença, leitor, mas agora, o momento é pra ser vivido só a dois.
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Comentários

Não seja por isso!!!!!
Patty | 01/04/2005 01:47
Resposta: kkkkkkkk…

estive aqui
Patty | 31/03/2005 14:17
Resposta: grande coisa… rs…

 

 

Eu (1998)

23 mar

Tema: Uma janela aberta para a minha vida.

Era nove de janeiro de 1982. À noite, na Maternidade São Paulo, eu nasci. Prematura, media mais ou menos 30 cm e pesava pouco mais de 1800g, fui direto à estufa, onde passei minha primeira semana de vida.

Muito brava e brincalhona, tinha medo de minha irmã, Alphena, uma cadela da raça boxer, que zelava por mim com muita dedicação.

Momentos de puro prazer intercalados por várias atribulações depois que minha mãe se foi. Decepção, medo, ódio, pavor… eram esses os sentimentos que nutri durante toda a minha infância e parte da adolescência. Não gostava do meu corpo: entrei na puberdade precocemente e me sentia diferente das outras meninas. Sofri muito com as brincadeiras de mau-gosto dos colegas e até mesmo da minha madrasta_ que nunca gostou muito de mim por eu ser a única lembrança viva da união de meu pai com minha mãe.

A fase de ouro chegou com todo o seu vigor e trouxe vários conflitos. Chegando ao ponto de pensar em suicídio, saí do poço em que me encontrava amadurecida. Com a idade veio a beleza; não me achava desengonçada, mas sim graciosa e bela.

Sempre procurando vencer obstáculos e atingir minhas metas, lutei, e luto, por meus ideais. Ambiciosa, realizar-me-ei profissionalmente quando for profissional da saúde. Sensível e transbordando sentimentos, sentir-me-ei completa quando me unir definitivamente com minha cara-metade.

Aliás, o amor chegou mais cedo em minha vida. É muito bom viver um relacionamento gostoso onde o amor é o sentimento que reina absoluto_ embora esse namoro seja escondido da minha família, já que meu pai não quer que eu namore antes de entrar numa faculdade.

Sempre fui estudiosa e apreciadora de boa leitura. Também gosto, e muito, de músicas que passem alguma mensagem. Meus números preferidos são o 3 e o 5; cores, branco, preto e marrom. Meu sonho é viver de acordo com meus planos.

Já aprendi que a vida nem sempre é como quero, mas sei que posso trabalhá-la para que fique do meu gosto.

Um grito para a morte (1998)

17 mar

Tema: A favor da eutanásia.

“Meu nome é João. Sou um paciente terminal e há dez anos moro na UTI do Hospital das Clínicas de São Paulo. Não sei bem se são exatamente dez anos, pois aqui a gente perde a noção do tempo, só sei que me parece uma eternidade.

A espera angustiante me envolve. Não sei se amanhã poderei acordar e, se realmente acordar, encontrar minha família exatamente com a deixei. Será que minha mulher não me trocou por outro? Será que meus filhos ainda se lembram do pai brincalhão que eu fui?

Será… Oh, palavra ingrata_ aliás, é uma palavra que não deveria existir, pois só traz a dúvida, a incerteza.

Será que morro amanhã?!?

Não sei se meus amigos ainda se lembram de mim_ não sei se ainda tenho alguém pra cuidar de mim caso eu sobreviva. A dúvida me mata, pouco a pouco.

A cada segundo que passa, sinto o fio da vida indo embora, me abandonando. Todos me abandonaram. Resta-me apenas a enfermeira, que de hora em hora vem a meu quarto.

Minhas forças estão se esvaindo. Não sei se vale a pena lutar por um amanhã de luz, pois posso decepcionar-me com o mundo lá fora.

Sinto-me um sonâmbulo, pois vejo um pouco da vida e um pouco da morte. Esta situação me esgota.

Vou juntar minhas forças e o restante da minha fé para chamar a morte. Quero acabar com essa dor, de uma vez por todas. Preciso dizer um adeus definitivo a este mundo.

Nessas horas, a idéia da morte é minha única companheira e sua estrada me parece ser a menos sofrível e a mais consoladora.

… Será que morro hoje?!?”
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Estive aqui
Patty | 18/03/2005 01:14

Mil e uma noites… na fila dos desempregados (1998)

16 mar

Tema: Só existe realização profissional quando o indivíduo atende a sua vocação íntima.

O desemprego bate seu recorde: são milhares e milhares de “sem-nada”. Há uma minoria que não trabalha por opção, mas a maioria foi despedida devido à mecanização, onde um robô é capaz de exercer o trabalho de dezenas de homens em um tempo menor.

Há casos em que o trabalho adulto é substituído pelo infantil; já as crianças trabalham para ajudar aos pais e, portanto, não exigem salários maiores nem melhores condições de trabalho; como na colheita de laranja, em Sergipe, onde 12 mil crianças trabalham. Há muitas crianças vivendo da prostituição e de outros subempregos. A vida tornou-se um grande palco de uma luta sangrenta, onde o vencedor é aquele que tem dinheiro_ a essa altura, dignidade é uma palavra desconhecida.

Com a crise econômica, a maioria dos indivíduos opta por exercer uma profissão lucrativa_ mesmo não sendo de seu gosto. Pesquisas mostram que é difícil tornar-se um bom profissional numa atividade em que não se tem prazer. O profissional deve ser dedicado e comprometido com seu trabalho. As pessoas notam, prestam atenção em quem gosta do que faz, em quem trabalha por prazer e não por obrigação. Sendo bom na profissão, o dinheiro irá aparecer algum dia.

Não se pode escolher uma profissão apenas por, atualmente, ela oferecer boas oportunidades de emprego, pois isso pode mudar com o tempo. Atividades consideradas como bem remuneradas, revelam seu outro lado: não basta ser médico ou advogado, é preciso ser muito competente e saber ir atrás de novas oportunidades.

Há muitos médicos que precisam trabalhar em três locais diferentes para conseguir obter um salário decente no final do mês. Há pessoas que abandonam seus empregos para venderem cachorro-quente na rua. A crise já atingiu a todos.

O indivíduo deve atender ao apelo da sua vocação para realizar-se profissionalmente. O bom profissional, aquele que não se cansa de estudar, de buscar algo novo, sabe driblar o desemprego.

Não existem fórmulas de sucesso. Este está no interior de cada indivíduo, tímido como um botão de rosa. Depende exclusivamente das pessoas fazer com que esse broto germine.

Não há motivo para comemorações (1998)

15 mar

Tema: Brasil: 500 anos entre a floresta e a escola.

Em pleno século XXI, o Brasil ainda é latifundiário, a agricultura é a base de sua economia e está nas mão de poucos. O poder passa de geração a geração dentro de uma mesma classe dominante há séculos.

Quando Cabral chegou aqui, deparou-se com índios e florestas mas não se intimidou: matou os índios e desmatou as florestas. Fato que ocorre até hoje_ o índio Geraldino foi queimado por 4 adolescentes de Brasília, a Mata Atlântica está reduzida a uma pequena faixa de terra, a Amazônia é desmatada constantemente para diversos fins.

Os colonizadores utilizaram-se do trabalho escravo. Os patrões de hoje também o fazem. Em Sergipe, 12 mil menores trabalham na colheita da laranja e quase todos tiveram suas digitais corroídas pelo ácido cítrico. Na mineração, crianças colocam em risco seus pulmões e sua vida em troca de míseros trocados. Aproximadamente 7,5 milhões de jovens de 10 a 17 anos trabalham (a maioria vende doces nos semáforos ou se prostitui), o que representa 11,6% da força de trabalho brasileira. Em contrapartida, o desemprego entre adultos é alto devido ao medo que os empregadores têm do prejuízo, já que a economia ainda não se estabilizou.

Em meio à miséria no Nordeste, onde os responsáveis são os políticos que desviam verbas, a Copa do Mundo polariza paixões nacionais e emoções patrióticas. O futebol deixou de ser brincadeira de criança e envolve a mídia e a bolsa de valores. Disque 0900, sensacionalismo e lixo cultural, assim é a mídia brasileira.

País multifacetado, onde o cinema está recuperando seu fôlego e o voto é obrigatório, pois os políticos sabem que a instrução do povo não é das melhores e, do contrário, muitos não votariam. Querem privatizar faculdades públicas (aliás, já venderam quase tudo ao estrangeiro) e retirar os cursos técnicos das escolas públicas, dizendo ser por economia. Mas não medem esforços para que o Brasil seja o líder do Mercosul e possa competir com o Estados Unidos na futura Alca. Fazem campanhas contra a automedicação, responsável por 80% dos lucros das indústrias farmacêuticas e 40% das vendas das farmácias e ao mesmo tempo formam médicos antiprofissionais que desconhecem as fórmulas químicas dos remédios e cometem abuso sexual e negligência. Policiais, que deveriam proporcionar segurança, matam 111 pessoas no Carandiru e 7 crianças na Candelária e ficam impunes. Pessoas não têm onde morar devido à ganância e ao descaso de alguns.

Gênios da música e da literatura brasileira tentaram e ainda tentam mostrar ao povo que já é hora de abrir os olhos e acordar a justiça, que dorme há cinco séculos.

São 500 anos no atraso. O Brasil vive ainda no século XVI ou na Idade da Pedra?
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Estive aqui
Patty | 16/03/2005 11:57

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