Ok, a Páscoa já passou. Mas justamente por já ter passado é que quero falar sobre.
A despeito de piadas ótimas sobre a confusão criada pela mistura entre símbolos pagãos e cristãos, fato é que, para mim, a Páscoa não tem todo esse significado, esse peso religioso.
Provavelmente isso se deva ao fato de eu não me considerar católica (nem de nenhuma outra religião). Embora batizada, “primeira-comunhonada” e crismada, não me encontrei no catolicismo. Talvez por grande parte da minha família ser espírita, talvez por parte da minha família não seguir religião nenhuma. Talvez pelo fato de eu achar que o catolicismo impõe regras demais, que nem o próprio Jesus impôs.
A Páscoa sempre representou a passagem de um tempo de trevas para outro de luzes, isto muito antes de ser considerada uma das principais festas da cristandade. A palavra “páscoa” – do hebreu “peschad”, em grego “paskha” e latim “pache” – significa “passagem”, uma transição anunciada pelo equinócio de primavera, que no hemisfério norte ocorre a 20 ou 21 de março.
Na Idade Média, os antigos povos pagãos europeus, nesta época do ano, homenageavam Ostera, ou Esther. Ostera é a Deusa da Primavera, que segura um ovo em sua mão e observa um coelho, símbolo da fertilidade (você já deve ter ouvido a frase “fulana tem filhos igual a um coelho”), pulando alegremente em redor de seus pés nus. A deusa e o ovo que carrega são símbolos da chegada de uma nova vida. Ostara equivale, na mitologia grega, a Persephone. Na mitologia romana, é Ceres. Ostara representa o renascimento da terra, muitos de seus rituais e símbolos estão relacionados à fertilidade.
O Domingo de Páscoa é determinado pelo antigo sistema de calendário lunar; a data cristã foi fixada durante o Concílio de Nicéa, em 325 d.C., como sendo “o primeiro Domingo após a primeira Lua Cheia que ocorre após ou no equinócio da primavera boreal” (outono, para nós do hemisfério sul).
A festa da Páscoa passou a ser uma festa católica após a última ceia de Jesus com os apóstolos, na Quinta-feira santa. Os fiéis celebram a ressurreição de Cristo e sua elevação ao céu.
Para os judeus, a festa da Páscoa é a mais importante de seu calendário, pois o povo celebra o fato histórico de sua libertação da escravidão do Egito, cujo protagonista principal desse evento foi Moisés no comando de seu povo pelo mar vermelho e deserto do Sinai.
Os espíritas não celebram a Páscoa (o que não impede que seus adeptos participem dos demais festejos cristãos e nem invalida a festa da Páscoa). Para o espiritismo, a Páscoa judaica representa a libertação da ignorância e das mazelas para o conhecimento e comportamento ético; enquanto a Páscoa católica representa a vitória da vida sobre a morte. O momento serve para uma reforma íntima: abandonar o velho que há dentro de cada um, para renascer um homem novo, e fazer uma pausa para reflexão acerca da moral de Jesus e do amor aos semelhantes.
Os muçulmanos também não celebram a Páscoa. Para eles, a data pode ter um efeito de renovação da fé.
Nas religiões afro-brasileiras, predomina o agradecimento à existência e a Jesus que, segundo eles, expulsou todos os espíritos ruins para nos salvar.
Dentro dos templos budistas, não há nenhuma manifestação em louvor à Páscoa. Todas as celebrações budistas têm base nos ensinamentos de Buda, com a crença de que se deve valorizar a vida sem fanatismo e materialismo. Por isso, não há nenhuma determinação imposta aos seus seguidores.
E eu encontro um pouco de mim dentro de cada religião (ou seria um pouco de cada religião dentro de mim?). Talvez me identificando mais com as filosofias espírita e budista. Acho que me identifico mais com essas duas porque consigo encará-las como filosofias, não como uma religião cheia de regras.
Não preciso e nem quero me “filiar” a nenhuma religião. Para mim, basta seguir o ensinamento básico e comum a todas as religiões e teorias religiosas: “amar aos outros como a você mesmo; não faça aos outros o que não gostaria que fizessem a você”.
Ultimamente, tenho percebido que esse ensinamento (aliado a outras correntes filosóficas como as que falam sobre o poder da mente) tem me feito acreditar muito no Homem e quase esquecer que existe algo maior no Universo; uma força maior, uma energia boa que está em todos os lugares (esse é o meu Deus).
E senti que não posso me afastar tanto desse Ser. Senti que quero ler mais sobre filosofias religiosas. Conhecer mais. Essa Páscoa fez crescer em mim o desejo de renascimento.
Quer conhecer um pouco mais também? Clique nos links e leia mais em outros lugares. Nunca deixe sua vontade de saber ficar saciada! Quer me dar dicas de leituras? Sou toda ouvidos!
Sobre a Páscoa:
http://www.culturabrasil.org/pascoa.htm
http://pt.wikipedia.org/wiki/P%C3%A1scoa
http://www.armazemdesonhos.com.br/CantinhoEspirita/mensagens/visaoespiritapascoa.htm
http://www.simplescidade.philips.com.br/rio-janeiro/
Sobre o Budismo:
http://www.vertex.com.br/USERS/san/artigos.htm
http://www.iej.uem.br/honen99_00.html
Sobre o Espiritismo:
http://www.nossolar.org.br/index.php
http://jc.uol.com.br/2007/03/20/not_134961.php