A Origem das Espécies completa 150 anos em 2009 e seu autor, Charles Darwin, completaria 200.
Não é preciso ter lido o livro para saber quem é Darwin; seu legado faz parte da cultura universal. Ao questionar a origem da vida e a superioridade humana, Darwin abriu feridas que ainda hoje custam a cicatrizar.
Darwin tinha convicção de que os seres vivos não são imutáveis, de que eles evoluíram de um único ancestral movido por forças naturais_ o que vai de encontro à idéia criacionista, na qual o homem é um ser único criado à imagem e semelhança de Deus.
Os dois pensamentos continuam vivos até hoje, e em constante conflito: se para os evolucionistas a doutrina da criação divina é fruto da ignorância e ameaça o mundo com uma sombra de obscurantismo e intolerância, para os criacionistas, o darwinismo se associa ao materialismo e está levando a sociedade ao colapso moral.
É claro que religião não é sinônimo de criacionismo, assim como ateísmo não é de evolucionismo. O próprio Darwin, que estudou para ser pastor anglicano afirmou “Não me parece haver qualquer incompatibilidade entre a aceitação da teoria evolucionista e a crença em Deus”.
Uma recente pesquisa britânica, realizada pelo Instituto Faraday para Ciência e Religião, aponta que 32% dos britânicos se simpatizam com a idéia do criacionismo, segundo a qual o mundo foi criado em uma semana há menos de 10 mil anos. Para 51% vale uma nova versão, com roupagem pseudocientífica, em que a vida na Terra vem evoluindo ao longo de milhões de anos, mas Deus planejou tudo e executou o processo. Esses números são parecidos nos EUA e no Brasil, segundo uma pesquisa feita pelo Ibope em 2004.
Uma discussão atual no Brasil é sobre o ensino laico nas escolas; ou seja, falar apenas do evolucionismo e deixar a vida religiosa com a família e a comunidade.
O embate promete se prolongar por muito tempo.
Resumo da matéria de Luciana Christante na Revista da Cultura, março 2008.
Tirinha de Carlos Ruas, do blog Um Sábado Qualquer.
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