08.04.08
Um vômito
Se este post tivesse sido escrito há algumas horas, ele teria outra cara. Muito, muito pior. E down. Porque eu iria contar como o meu domingo foi péssimo! Sem dó e nem piedade de como vocês ficariam após lê-lo. Se ficariam se remoendo como eu fiquei o dia todo. Eu queria pôr pra fora mesmo enquanto a história não tivesse um desfecho. Talvez alguém lá de cima tenha ficado com dó de vocês e mexeu seus palitinhos. Porquê de mim, ninguém teve dó, até há algumas horas.
(…)
Estava eu, comendo meu pastel na feira em frente de casa, ao meio dia aproximadamente. O Manso também estava lá, comendo restos de pastel e balançando seu rabinho feliz e contente. De manhã, ele já tinha brincando muito com a Lilo, e como havia chovido de madrugada, os dois estavam parecendo porquinhos!
De repente, um cachorro maior correu atrás dele e ele se desnorteou um pouco e resolveu sair correndo da feira e ir para a praça, onde ele mora. Havia uma rua no meio do caminho. E um carro descendo a rua em disparada. Uma freada brusca. Uma batida fenomenal. Imaginei que nunca mais a Lilo brincaria com seu amigo. Que eu nunca mais levaria água e ração para ele. Que nunca mais veria ele na praça onde levo a Lilo todos os dias, duas vezes por dia. Ouço um choro de cachorro. E vejo o Manso correr em disparada de volta. Desnorteado, chorando, correndo insanamente. Um cara do meu lado, que também conhecia o Manso saiu correndo atrás. E mais outro com um carro. Mas o danado correu e sumiu.
O carro que o atropelou? Nem sinal. Nem nada. Um covarde ao volante.
Deixei as compras da feira em casa e fui para a praça saber notícias. O cara de carro ainda estava procurando-o. Voltei para casa.
Passei a tarde revendo a cena, com o coração apertado. Chorando, atônita. Lembrando do quanto ele estava feliz e bem. Voltei lá na praça às três e meia da tarde. O cara do carro não tinha achado o cachorro. Nem a senhora que me dava notícias, que também ajudou na busca.
Mais um pouco de sofrimento. Tristeza. Eu e o Rô saímos à procura dele, de carro. Nem sinal.
Às oito horas da noite saí para passear com a Lilo na praça, levando água. “Para quê a água?”_ me perguntou Rodrigo. “Para, caso o Manso apareça, ela tenha o que beber.”
Na praça, tomei outro caminho com medo de olhar para a casinha vazia do Manso. Quem veio ao meu encontro? Ele. Não acreditei. Quase ajoelhei e agradeci aos céus. Abracei-o, apalpei-o para ver se não tinha nada quebrado, e depois dei uns tapas na bunda dele e chamei-o de feladaputa por não ter olhado antes de atravessar. Ele estava assustado e carente, até pediu carinho ao Rodrigo, que nunca morreu de amores por ele. Também estava mancando da perna esquerda e com a direita ralada da queda. Animou-se e até brincou um pouco com a Lilo, devagar. Sem balançar o rabo.
Vim para casa um pouco melhor. Gostaria de ter dinheiro para levá-lo a um veterinário, só para ter certeza de que ele está bem. Vou conversar com o cara que mais cuida dele na praça e ver o que ele vai fazer. Gostaria que ele tivesse um dono. Uma coleira com um telefone para que pudessem ligar caso ele se perca.
(…)
Ficou mal? Pois faça o favor de não trânsitar pelas ruas em alta velocidade. Faça o favor de parar para prestar socorro quando atropelar um animal ou uma pessoa. Faça o favor de não abandonar seu animal. Cuide de quem você ama e de quem te ama.
“Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.”

















































Rodrigo (bodas) disse,
04/08/2008 às 0:15
Agora, imagine como foi o meu domingo: por causa de um cachorro que eu nem gosto tanto, nem quero muito papo, passamos o domingo deprê. E tenho que dizer que até eu fiquei preocupado com o desgraçado.
Sonia Regly disse,
04/08/2008 às 12:05
Parabéns pelo Blog, ele é muito bom!!!! Muitos outros selinhos virão, se depender de mim, vc ganhará muitos selinhos.Parabéns!!!!!! Vou linkar seu lindo Blog.
jujudeblu disse,
04/08/2008 às 18:51
Ai que dó, Má! Nhunfa! Mas ainda bem que ele reapareceu… E ainda bem que ele tem vizinhos como vcs! ;~)
Fefa disse,
04/08/2008 às 22:44
Por um instante pensei um monte de bobagens!!!!! Mas, a cena de você me falando que até o palpou para ver se ele estava inteiro me vem em mente, e isso já faz um tempo. Essa foi outra história ou eu bebi?
Meu Deus, que nervoso. Tadinho do Manso, me corta o coração também em ver que ele não tem de fato um dono! :S
E infelizmente, a quase veterinária que vos escreve não tem recursos suficiente para atender o Manso ou qualquer bicho, sozinha. Ainda precisa contar com a ajuda de outros. Mas eu chego lá. E no que for preciso, podem contar comigo.
Heloisa disse,
05/08/2008 às 11:17
Fiquei nervosa por causa do bichinho… Tadinho dele! Sabe, Má, minha filha de 9 anos parece muito com você quando se trata de animais. Ela fica arrasada quando vê um bichinho abandonado ou doente e diz que gostaria de levar pra casa pra dar carinho e cuidar. Fico triste de não poder apoiá-la. Ela quer ser veterinária.
Obigada pelas visitinhas.
Beijos.
Fina Flor disse,
05/08/2008 às 22:41
apoiada, querida!!!!
não socorrer é covardia e abandonar, idem!!!
mas que bom que ficou tudo bem
beijocas
MM.
>>> obrigada por ter pousado na polêmica do canteiro
ozzythewizard disse,
06/08/2008 às 9:23
Veja pelo lado bom,
Pelo menos não era uma criança abandonada.
=]
Cães e gatos sempre aprontam das suas. Fico feliz que a história tenha terminado bem…
Mudando de assunto: vai mais fotos da Copa Guindaste de Buraco?
hehe
Christian Gump disse,
07/08/2008 às 8:11
O Pior é que o dono do carro ainda deve ter saído xingando porque pode ter amassado seu veículo! [raiva]
Mas o que eu gostei mesmo foi do seu comentário no comentário da Heloísa: desde criança eu queria ter um lugar grande pra colocar todos os cachorros abandonados que eu encontrasse, e ter gente dedicada a cuidar deles!
Mariana disse,
07/08/2008 às 18:27
Olha, imbecis como esses não param nem qdo atropelam crianças, qm dira cachorro!!
Afe!! até eu fiquei angustiada!
Ainda bem que ele esta bem!
Pq não tentam leva-lo na UIPA, uma consulta la deve ser uns 20 reais, e eles tratam direitinho …