06.30.08

Sociedade descartável

Enviado em Papo Sério tagged , , às 0:08 por Marília

Esse mês, li uma coluna muito interessante de Luiz Roberto Marinho, novo colunista da Revista Vida Simples (revista que adoro e assino).

Ele fala sobre o quanto nossa sociedade tornou-se descartável. Adepto da linha “dize-me o que compras, e eu te direi quem és”, ele faz um breve relato de situações em que dá de cara com o excesso. Excesso de afazeres, excesso de informações, de publicidade e de bens.

De mudança para um novo apartamento, ele conta que um dos proclamados diferenciais do prédio é ter um depósito, para que os moradores possam guardar as tranqueiras que vão comprando, sem pensar, e que acabam por não usar/caber no apartamento.

Hoje, a cada dia, surge um modelo novo de celular, uma câmera digital mais potente, um opcional diferente para o carro, um aparelho de som com mp3 e cartão de memória, novas roupas da moda… e se não tomamos cuidado, somos engolidos por essa avalanche de novidades. Antenado é quem tem o iPod último tipo, mesmo que tenha comprado o penúltimo há três meses. Design e marca são mais valorizados do que a durabilidade. E nessa, o lixo, as coisas inúteis vão se acumulando.

As coisas são muito transitórias, efêmeras. Até mesmo os relacionamentos são assim (veja o exemplo do “ficar”).

Ele termina a coluna citando o sociólogo Zygmunt Bauman em Vida Líquida: “em um mundo repleto de consumidores e produtos, a vida flutua desconfortavelmente entre os prazeres do consumo e os horrores da pilha de lixo”.

E eu, termino esse post alertando para o consumo consciente, sem excessos.

7 Comentários »

  1. Menina Eva disse,

    Adorei o texto. Também gosto da Vida Simples.

    É uma delícia, né?

    E parar pra pensar que, nessa nossa sociedade asséptica, tudo vem acondicionado em papel, dentro de uma embalagem plástica. As coisas que a gente compra, todas são, em última análise, lixo.

    Verdade!

    Fiquei pensando nisso depois de ver o filme do robozinho Wall*e. Deu vontade de apagar todas as luzes, comer comida comprada na feira em sacola de pano, fazer meu próprio papel.

    Ah, vou ver o filme nesse domingo!! Uhuuu!!

  2. Wallace disse,

    Falou tudo! Nada a acrescentar!

    Obrigada!

  3. Trotta disse,

    Como dizia Tyler Durden, “eu tenho pena das pessoas que lotam as academias tentando parecer como Calvin Klein ou Tommy Hilfiger mandaram. A propaganda nos manda perseguir carros e roupas, trabalhando em empregos que odiamos, para poder comprar coisas de que não precisamos. A televisão nos educou, nos fazendo acreditar que um dia seríamos milionários, estrelas de cinema, astros do rock… mas não vamos. Estamos começando a aprender esse fato, e isso nos deixa muito, muito putos”.

    Clap! Clap! Clap!

  4. Fefa disse,

    Pois é, a cada dia mudam se as coisas e a nossa sociedade parece se adaptar rapidamente as novas tecnologias e deixar de lado o “velho”.

    Agora, consumo consciente, sem excessos, fica bem difícil com tantas novidades ao nosso redor, não é? O que é uma pena, claro!

    É dificílimo! Mas dá pra segurar um pouco, né?

  5. Igual uma amiga que tinha um celular fantástico… e um belo dia ela quis me vender esse celular, porque queria comprar um novo. E eu perguntei o que tinha com o celular. Ela respondeu que ela já o tinha fazia muito tempo, tava na hora de comprar outro.

    E “muito tempo” = meses.

    É, pois é… é bem assim que funciona!

  6. Adoro seus postes. Sempre têm algo de bom para oferecer

    Parabéns

    Ah, brigadim! ;)

  7. Chico disse,

    Nunca te agradeci pelas constantes visitas no Filmes do Chico. Então… obrigado! Sobre essa coisa do consumismo desenfreado, só posso dizer uma coisa: eu melhorei… heheh…

    Que bom! ;) E nem tem que agradecer, não! Abraços!


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