05.12.08
Uma pequena cidade grande
Em meus passeios diários com minha cachorra (que se chama Lilo) encontro com várias pessoas, que também estão passeando com seus cachorros.
Percebi que passei a receber, e também a dizer, mais cumprimentos como “Bom dia” e “Como vai?”, desde que comecei a passear com a Lilo. Teci, então, a teoria de que passear com o animal de estimação contribui para a convivência em sociedade.
Minha cachorra já é sociável por natureza: quer comunicar-se tanto com os outros cachorros quanto com seus donos, fato que acaba por me aproximar dos demais donos.
Munida de papel e caneta (mentira, as anotações foram todas feitas mentalmente), resolvi fazer uma pequena entrevista com os acompanhantes de cachorros que encontrava pelo caminho. Ao todo, foram nove os entrevistados. Responderam à seguinte pergunta: “Passear com seu cachorro aproximou-lhe das demais pessoas?”.
A resposta foi unânime: “Sim!” Mas não parou aí.
Uma senhora japonesa, dona de um poodle preto chamado Torá (um dos melhores amigos da Lilo) completou: “Moro aqui há quase vinte anos. Só há dois, quando adquiri o Torá, é que conheci essa praça, que fica atrás da minha casa.”.
Outra senhora, dona de um espevitado schnauzer, chamado Jack, completou: “Eu não conhecia o bairro! Só fui conhecê-lo depois do Jack!”.
O adestrador de um simpático labrador de nome Bug ressalta: “Quem gosta de cachorro cumprimenta, vem conversar. Quem não gosta, passa longe!”.
Eu mesma: moro aqui há pouco mais de três anos e meio e só após adotar a Lilo (há sete meses) é que fui conhecer a praça que fica atrás do meu prédio!
Outra constatação: sei o nome de todos os cachorros amigos da Lilo, mas se souber o nome de um dono é muito!
Dia desses, estava na padaria e fui abordada por uma moça: “Não trouxe sua ferinha hoje?” Ao que eu respondi que não, enquanto me perguntava de onde eu conhecia aquela mulher. Só quando cheguei em casa, me dei conta: ela é dona de um dos “amigos da Lilo”.
Meu bairro ficou com cara de cidade do interior, na qual todos se cumprimentam, todos se conhecem. E até se preocupam uns com os outros!
Há um mês, a dona de um beagle chamado Zeus me contou que tinha um cachorro perdido na praça e que ela achou que fosse a minha! Preocupada, descreveu a Lilo para um dos meninos que havia visto o tal cachorro, ao que o menino respondeu: “Não, tia, não é a Lilo não! Pode ficar tranqüila!”.
E, de repente, São Paulo ficou pequena, do tamanho de uma praça de bairro.
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Oscar Luiz disse,
Segunda-feira, 12 Maio, 2008 às 23:31
Ainda há esperanças…
Um abraço!
Christian Gump disse,
Segunda-feira, 12 Maio, 2008 às 23:39
Adorei esse relato!!
Dani disse,
Terça-feira, 13 Maio, 2008 às 10:56
Nossa, sabe que depois desse texto estou pensando seriamente em adquirir um cachorro… sò nao sei onde vou colocà-lo em meu apto…
Muito bom seu artigo! Parabéns!
Carol disse,
Terça-feira, 13 Maio, 2008 às 13:31
LINDO! Adorei!!!
Dá até vontade de arrumar um cachorrinho!
São Paulo tem suas facetas interioranas, por isso gosto tanto daqui!
Um beijo! =D
Cecilia disse,
Terça-feira, 13 Maio, 2008 às 13:42
Olha só! Fiquei muito feliz de ler o seu relato. Fiquei até com vontade de comprar um cachorro.
De algum dia eu me mudar mesmo para Sampa, esta será a minha primeira providência.
Oscar Luiz disse,
Terça-feira, 13 Maio, 2008 às 14:46
Nossa!
Melhor do que achar dinheiro na rua é encontrar pessoas gentis no nosso caminho!
Muito obrigado pelo carinho.
Você, claro que também já está nos meus links. Não apenas pela gentileza, mas sobretudo pela qualidade do que eu encontrei aqui.
Um beijo!
Carlos Hotta disse,
Terça-feira, 13 Maio, 2008 às 17:12
O Jaguaré tb parece cidade do interior… até que a especulação imobiliária chegue…
Arthurius Maximus disse,
Quarta-feira, 14 Maio, 2008 às 5:19
Por outro lado, no metrô da “Paulista” uma senhora fica presa pela bolsa na porta do trem que começa a se mover. desesperada, tenta se desprender da porta sem sucesso e começa chorar.
O vagão estava lotado. Foi necessário que eu me deslocasse do lado oposto ao da mulher, empurrando a “moçada” que se espremia no vagão e a ajudasse a se soltar da porta. Ninguém sequer riu ou pareceu se incomodar com o fato.
Esse é o retrato fiel de São Paulo.
Fefa disse,
Quinta-feira, 15 Maio, 2008 às 11:19
É realmente impressionante a capacidade desses bichinhos de mudarem a nossa vida, rotina, e tudo mais. E a gente passa mesmo a ser mais sociável, até porque eles são também, já vão logo falando “Oi”, aí não tem como não puxar papo com o outro dono.
E a Lilo é um doce, faz mesmo a festa na rua
Trotta disse,
Quinta-feira, 15 Maio, 2008 às 11:33
Muito legal parar um tempo para conhecer um pouco mais sobre a vida das pessoas ao seu redor. Mas faltou entrevistar aquele que disse que vc era irmã do Bodas. XD
Márci disse,
Quinta-feira, 15 Maio, 2008 às 11:48
Quero um cachorro para poder ir passear tb…Nhunf !
Luciana disse,
Quinta-feira, 15 Maio, 2008 às 14:40
Dos textos mais bonitos que já li. Simples e singelo. Parabéns, Marília, pelo texto, pela sensibilidade e pela Lilo (fiz um post sobre ela, acho que entra semana que vem
)
ana p. disse,
Domingo, 18 Maio, 2008 às 15:22
Eu sempre quis ter um cãozinho, não sei se pra me aproximar mais das pessoas, mas sim pq eles são mto melhores do que as pessoas. Isso é fato!
São mais humanos que os humanos, se é que vc me entende. E são tão humanos que se comunicam e nos ajudam a se comunicar. Num é isso, é ou não éééééééééééé??????
Que trem é esse de blogueiro repórter, bem, conta pra mim??? Eras sem blogar!!!!
Rodrigo Figueiredo disse,
Segunda-feira, 26 Maio, 2008 às 22:19
Realmente! Só com ela pra gente conhecer direito a praça e as pessoas que nos rodeiam!
Mas que eu ainda acho ela grande eu acho!