Para ler ouvindo:
Nesse último sábado (dia 24) eu conheci o Manso.
Saí com a Lilo para seu passeio matinal de sempre.
Depois dela quase me matar saindo correndo atrás de um cachorrinho para brincar com ele, atravessando ruas e não atendendo aos meus chamados, seguimos para a costumeira praça detrás do meu prédio.
No caminho, encontramos a Nina_ uma cachorra muito linda de um catador de papelão. Sempre conversamos: eu com o senhor e a Lilo com a Nina. O senhor me contou que a Nina já tinha brincado muito com um cachorro vira-lata que estava na praça. Perguntou se eu não queria adotar mais um cachorro, porque ele também não poderia. Disse que eu não poderia, pois não cabe mais nada aqui em casa (um apê de dois quartos).
Chegando na praça, encontrei o tal cachorro: preto e branco, como a Lilo, mas de pernas mais compridas, como a Nany (cachorra da Fefa). Pela energia (e pelos dentes, como algumas crianças me contaram mais tarde), parece ter pouca idade. Ele e a Lilo brincaram até cansar!
Em um canto da praça, estava estendido um papelão enrolado num lençol e uma vasilha vazia. Peguei a vasilha e fui até a portaria do prédio mais próximo, e pedi aos porteiros que dessem um pouco de água para o cachorro. Eles disseram que não poderiam dar água. Desolada, sem saber como ajudar (e de TPM, o que me deixa extremamente melancólica e down), sentei no banco da praça e chorei. E pedi a Deus que olhasse pelo cachorro, tomasse conta dele. Com os dois cachorros me olhando, sem entender. Acho que também me lembrei da Lilo, que também estava na rua antes de ser adotada…
Fiquei lá um tempo_ o que foi ótimo. Porque chegaram duas pessoas (o dono do Zeus e o dono de dois poodles) que fizeram a maior festa com o virinha da praça. E me contaram que estão cuidando dele, dando comida, água. O dono dos poodles me disse que levou o virinha pra casa dele sexta-feira, na hora do almoço; e quando ele viu, o cachorro estava deitadão na cama dele!!! Uma graça! E iria levá-lo de novo. (Ele mora no mesmo prédio em que os porteiros não deram água para o cahorro.) Eu disse que ajudaria também; levaria água e ração essa noite e sempre que pudesse. E entraram no prédio: o moço e o vira, feliz da vida, balançando o rabo!
(…)
À noite eu voltei lá com a Lilo; levando um potinho com ração e outro com água.
O virinha estava rodeado de crianças, brincando. Elas já tinham dado água e ração para ele. Adoraram eu ajudar. O virinha tomou água e comeu um pouco da ração que levei e as crianças guardaram o resto para amanhã. Ele já ganhou até uma bolinha e um nome: Manso.
As crianças planejam comprar uma casinha para ele, para protegê-lo da chuva e do frio. E fazer da praça a morada dele (tem um prédio aqui perto, em uma pracinha próxima a que eu estava, que adotou um cachorro: o Negão. Ele dorme em uma casinha na calçada, e passa o dia ao lado dos porteiros, recebendo afagos e ração dos moradores. Ele já foi até notícia na Folhinha esse ano.)
Disse a elas que seria bom, mas seria melhor ainda se ele conseguisse um dono, que pudesse cuidar sempre dele. Que seria bom que cada um divulgasse aos amigos. Com uma pequena tristeza, eles me responderam: “Ah é. Deixa ele só ficar mais forte que a gente fala para as pessoas dele.”
Despedi-me das crianças com um peso menor nos ombros. Despedi-me do Manso, com um afago e um “Dorme com Deus”.
(…)
Manso é de todos e não é de ninguém. Torço para que ele logo encontre um lar, onde possa se abrigar da chuva, do frio e dos maus-tratos. Enquanto isso não acontece, ajudarei no que for possível. Caso você queira, ou conheça alguém que queira adotar um cão simpaticíssimo, entre em contato por aqui ou pelo meu e-mail (mariliazafig@gmail.com).

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Este post foi escrito no sábado. Hoje, segunda, ele já merece um update: Manso continua lá na praça. E já ganhou vários cuidadores. Não sei como vai ser quando chover, pois não tem nada cobrindo a caminha de papelão… As crianças já juntaram R$60,00 para comprar a casinha dele. E a Lilo adora brincar com ele (não sem antes roubar um pouco de sua ração).




































