11.27.07

Cantina Capuano

Enviado em Bate-Papo às 22:57 por Marília

Depois que o Carlino (1881-2002) fechou as portas, o título de restaurante mais antigo da cidade passou para a cantina Capuano, aberta em 1907 por imigrantes do sul da Itália. Suas mesas, durante décadas, estiveram entre as mais freqüentadas de São Paulo.

E foi exatamente lá que nós (leia-se eu, e Fefa) fomos almoçar no sábado, dia 17 de novembro. Pedimos uma lasanha, que estava magnífica, como sempre! Fotos aqui.

Eu e o Rô conhecemos lá por acaso… há alguns anos. Queríamos comer alguma massa no Bixiga, tradicional bairro de imigrantes italianos. Passeando pelo bairro, avistamos uma placa em frente a uma pequena porta que dizia “Cantina Capuano: a cantina mais antiga de São Paulo”. Nos entreolhamos: seria lá mesmo. A casa é super simples e ao mesmo tempo aconchegante. Pedimos uma lasanha e um vinho. Que lasanha era aquela! Que sabor, que textura, que maravilha!! Pronto! Ficamos fãs! Já voltamos outras vezes; e já levamos amigos para conhecê-la também! E, agora, indico-a para vocês!

“O velho Capuano era assim, um capo tosta, um cabeça-dura, calabrês de Cosenza, que teimou em servir comida onde somente vendia vinho. O endereço era na Rua São Domingos, no bairro paulistano do Bixiga. Francisco importava barricas do tradicionalíssimo tinto Cirò e oferecia nacos de parmesão e sardella, também vindos da Itália. O povo trazia o pão de casa e ficava por ali, jogando bisca para ver quem financiava a bebida.

Acontece que o povo foi ficando com fome, e Francisco mais Filomena, a primeira mulher, acharam que cabia mudar para a Major Diogo, 263, onde passaram a oferecer um belo fusilli ao sugo na sala da casa. Depois veio o arroz com toucinho acompanhado de camarão com cebolinhas. E o cabrito a cacciatore revezado com frango a cacciatore. E a salada de miolo de alface. Pera ou maçã de sobremesa. Café. Cardápio fechado.

Isso foi em 1907. No Bixiga, a mãe das cantinas fez fama. O ambiente era rústico, com toalhas de papel sobre as mesas e prateleiras sobre canos de água. No salão de cima cabiam de 12 a 15 mesas. No de baixo, quase um porão, umas dez. Mas de povo tinha pouco. Francisco cobrava caro, mesmo porque não era barato comer fora na época. Mas oferecia muito.

Como a cantina ficava perto do TBC, atores como Procópio e Bibi Ferreira batiam ponto no lugar lá pelos idos de 1955 a 1960. Entre os engravatados que freqüentaram a “casa de pasto” constam o presidente da República Washington Luís, os presidentes do Estado de São Paulo Altino Arantes e Carlos de Campos, os governadores Lucas Nogueira Garcez e Adhemar de Barros. Getúlio Vargas tentou, mas solicitou um almoço. Francisco só oferecia jantar. Não abria exceção, nem para a fome presidencial.

Na cozinha, o calabrês pilotava soberano o fogão a lenha. Ele mesmo matava os cabritos e os frangos. E detestava que pedissem tempero. “Na mia casa, a comida já está salgada.” Sua terceira mulher, Concetta Scuotto, napolitana, 35 anos mais moça, foi quem dobrou o cuoco. “Por influência dela, nosso pai começou a oferecer também refrigerantes e cerveja, mas apenas Antarctica”, lembra Francisco Gabriel Capuano, o filho. Antes era apenas água e vinho Cirò.

Ainda por influência de Concetta, Francisco decidiu vender a cantina. Ela queria voltar para a Itália. Ele, meio a contragosto, aceitou. Passaram o negócio adiante em 3 de julho de 1962 para Ângelo Mariano Luisi e Savério Viola. Francisco tinha então 77 anos.

A saudade o trouxe de volta à América um ano e meio depois. Quis recomprar a cantina, mas Luisi não quis vender. Estava no contrato que o nome-fantasia Capuano também não lhe pertencia mais. Foi um baque para o calabrês, que, como tal, não se quedou: entre 1966 e 1967, assumiu em sociedade a Cantina Chamarré, no Bixiga mesmo. No ano seguinte, pediu a casa da Major Diogo, da qual era proprietário. Ali manteve a Cantina do Ciccio até 1971. Ciccio era seu apelido. Morreu em abril de 1977, com 92 anos.

Quando Francisco pediu a casa da Major Diogo, Ângelo Luisi, já sem Savério Viola, mudou-se para a Rua Conselheiro Carrão, 416, onde a Cantina Capuano funciona até hoje. No corredor comprido, agora de sua posse, Ângelo e a mulher, Ângela, tentaram manter o esquema de cardápio único de Francisco. “Minha mãe aprendeu a fazer as receitas do Capuano com os olhos, ele não explicava direito”, afirma Elizabetta, filha mais velha dos Luisis, que hoje toma conta do empreendimento com o marido, a irmã, Teresa, e o marido dela. “Não explicava porque não queria vender a cantina”, emenda Ângelo.

Ângela, que morreu no ano passado, manteve o fusilli e o cabrito a cacciatore, mas deu vez ao nhoque, ao ravióli, à bracciola, à polpeta. Pedem R$ 33,60 pelo fusilli, num prato mais que bem servido para dois. A dobradinha sai bem. Nas noites de sábado e no almoço de domingo, Ângelo ainda dá uma canja no bandolim e no clarinete. Parece um menino. Tem 87 anos.”

Fonte: http://www.estadao.com.br/suplementos/not_sup24900,0.htm

8 Comentários »

  1. Fefa disse,

    É realmente tudo de bom esse lugar. A lasanha é qualquer coisa de mto bom!

    Inesquecível… hummm!

    E então aquela senhora que nos recebeu na porta não era a Angela e sim a filha dela, não é?

    Pelo visto, sim!

    Qdo voltaremos?

    Beijos!

    Pergunta difícil, viu? Vc viu no site uma promoção que deixamos passar? Duas! Ganha um vinho quem comemorar o casamento ou aniversário lá!! :(

  2. jujudeblu disse,

    Nhain, eu já tinha comentado, mas acabou indo pro post de baixo! hehehe

    Eu vi!! Mas não faz mal! Respondi lá tb!

    Então, repito o comment aqui, e digo que eu seria a primeira comentadora do post em questão! Puá!

    Uhuuuu!! Risos…

    Digo que já passei pela cantina… ela é mesmo meio “rústica”, mas pelo que vcs falaram, ela é mesmo muito boa! Um dia eu vou lá, para comer! ;~)
    Bjinhos, Má!

    Vai sim, Ju!! Beijos!

  3. Márci disse,

    Creio que já tenha ouvido falar dessa cantina, esse nome não me é estranho….Agora com uma propaganda dessa, eu me sinto obrigada a conhecer qualquer dia….Adooooro lazanha e afins !

    Pois pode ir!! É maravilhosa!!

  4. Eu simplesmente adoro essa cantina!
    Não tenho coragem de ir lá e tentar qualquer outra!
    Lá é bom demais da conta Sô!

    Uai, sô!! É mesmo muito bão!! ;)

  5. Claudia Lyra disse,

    Gente, bem que eu queria ir a SP com tempo pra poder conhecer esses lugares, nham, nham…

    Valeria muito a pena, viu?

  6. neutron disse,

    Esse post me deu até fome, de tanta comida boa que tem aí. Nhan, hehehehe…

    Acho que eu já tinha visto uma reportagem sobre a cantina no Uol. Muito legal saber a história toda :)

    Responder esses comentários tb está me deixando com fome… ui!

  7. Cadinho RoCo disse,

    Não conheço a cantina citada, mas o Bixiga, este sim, é lugar iesquecível.
    Cadinho RoCo

    Muito obrigada pela visita! O Bixiga é muito bom, não? Quando voltar, dê uma passadinha na Cantina e na padaria Basilicata; você não vai se arrepender! Volte sempre!

  8. Trotta disse,

    E eu que fui até lá e não pedi a lasanha? Mas pelo menos comi o fusili, que foi o primeiro prato deles! ^_^

    Pois é!! Não lembro se já pedi o fusili, viu?


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