Pegando um gancho com o post anterior, vou falar sobre a morte. O post ficou um tanto quanto funesto.
A morte sempre esteve presente na minha vida. Está presente na vida de todos, mas vou enfocar aqui a minha vida apenas.
Quando eu tinha 2 anos de idade, minha mãe morreu de aneurisma cerebral. Embora não me recorde dela (nem do rosto, nem da voz, nem de nada), e embora tal fato não me deixe triste (nem nunca tenha deixado), sempre senti muita falta dela. Falta de carinho de mãe, de papo de mãe, de beijo de mãe, de conselhos de mãe. Falta dela durante minha adolescência (que foi uma época braba, como é para todo adolescente). Falta de um apoio, um colo. Falta dela nos momentos felizes e também nos tristes. Quem assumiu a função dela, com muito empenho, foi meu pai, pessoa que amo demais! Também minha avó materna me criou e amou como se eu fosse sua filha, que ela perdeu e nunca se conformou com tal perda. Também minhas tias maternas sempre me tiveram em lugar especial, assim como meu tio. Sinto falta até de um irmão nascido dela, pra me fazer companhia nos momentos difícieis e nos bons. Meu pai se casou de novo e, desse casamento, tenho duas irmãs. A relação em família foi muito difícil durante muito tempo (assunto para outro post? Não. Assunto para ser esquecido e abandonado!); agora, tudo está em paz.
Perdi tios fantásticos! Dois mais chegados: um a quem chamava carinhosamente de Lula (Luís), e ele, em contrapartida, me chamava de Mauí (explicação: meu pai se chama Amauri. Quando pequena, não sabia dizer seu nome, dizia Mauí, daí veio o apelido); chamava minha mãe de Mafofa (ela se chamava Mafalda); e deu vários outros apelidos para toda a família. Ele era divertido! Acho que já morreu há uns dez anos… não tenho certeza. Outro se foi mais recentemente (há pouco mais de um ano): Irone. Igualmente divertido! Contava várias histórias mirabolantes, tirava sarro de tudo… um barato!
Perdi uma professora, que era mais do que professora, era amiga. Psicóloga-professora da faculdade, foi ela quem me iniciou no caminho da pesquisa científica. Suas aulas faziam meus olhos brilharem… me arrepiava! Era uma mulher fantástica! Quando o Rodrigo ficou internado, ela me acolheu, me abraçou, me consolou. Jamais esquecerei de tanto carinho! Pelas demais professoras, fiquei sabendo que ela falava sobre mim tempo todo: que eu tinha talento, que era isso e aquilo… Morreu por um tumor no cérebo, tão logo o descobriu; menos mal.
Falando em Rodrigo internado, esse foi outro susto que passei! Reclamei com Deus e o mundo! Não era justo que eu perdesse mais uma pessoa que amava! Acho que minha bronca foi ouvida! Ufa!
Minha mais recente grande perda foi de minha segunda mãe: minha avó. Aos 95 anos incompletos, acho que em julho do ano passado. Cabelo branquinho, pele enrugadinha… um carinho imenso por mim, desde sempre! Todos os primos e tios já sabiam: era a neta preferida! Era um barato bater papo com ela… deitar em seu colo e receber seu cafuné… Ô coisa boa! Sempre se emocionava com minha chegada e com minha partida; assim como se emocionava ao telefone. Linda! Fofíssima! Morreu sem sofrer, dormindo. Sua partida trouxe muito pesar a todos pois era muitíssimo querida! Lembro-me de meu pai me abraçando e chorando sua perda.
Após esse fato, fiquei um bom tempo depressiva… pobre Rodrigo, que me aguentou! A vida não tinha sentido! Os pensamentos que circundavam minha mente eram que a vida é muito triste, pois quase todos os que amamos morrerão antes de nós, sofreremos muito ainda ao longo da vida. Qual é a graça de viver? Viver para sofrer? E, depois, ao ficar velho e sem ninguém que veio antes de você, morrer e deixar seus filhos e netos tristes.
Ainda penso que a vida é muito injusta. Se pudesse escolher, escolheria não sofrer a perda de ninguém! Nem de bichinho de estimação, nem de amigos, nem de pais, nem de ninguém. Acho que desse aprendizado, já tive o suficiente, e, se me é permitido dizer, já tive até demais! Sei que outras perdas me aguardam… lido até que bem com isso, mas não concordo! Tal fato não me deixa mais depressiva… graças ao meu gatinho, que sempre esteve a meu lado, me escutou, me deu colo e carinho, me deu uma torta de limão na hora exata!
É de senso comum que “a morte é a única certeza que temos na vida”. É verdade, eu corcordo. E acho que quem morre vai para um lugar melhor do que o que nós vivemos. Também acho que todos temos uma missão na vida e, tão logo a cumprimos, partimos. Encaro a morte com bons olhos, não é essa a questão. Apenas fico triste de não ter mais a companhia da pessoa querida.





































Puxa Má, é triste mesmo. E vc, como já me conhece, deve imaginar que eu me emocionei lendo o post.
Eu não sei lidar com a morte não. E acho que todos sabem que eu tenho medo tb. Apesar de ser a única certeza que a gente tem mesmo.
Posso dizer que gostei desse post pois fiquei conhecendo uma parte da sua vida que eu não sabia. Tinha curiosidade, mas nunca quis tocar no assunto, não sabia como você lidava com isso.
Mas eu acredito que Deus sabe o que faz e que não dá o peso maior do que a gente possa carregar. E eu tenho certeza que você foi forte o suficiente, e ainda será em outras situações como essa.
Também tenho essa certeza… mas digamos que eu não concorde com o sistema…
A minha também era meu xodó… mas… enfim…
Apesar de ser um pouco triste, é o melhor post que eu já li sobre a morte… :]
Acho que, no fim, a vida acaba sendo um grande ciclo: a gente vem, cumpre a nossa missão e vai para um “outro lugar”. E talvez um dia volte, com uma nova missão, uma nova vida e tantas outras coisas novas. O problema é que as pessoas que a gente ama ficam por aqui, cumprindo a missão delas, ainda…
;**
Vc os ouviu né?
Eles estão ai… Atrás do véu…
Nós vamos um dia os encontrar!
Épocas realmente complicadas quando isso acontece?!
E realmente difíceis de entender ou aceitar!
Gosto de posts retrospectivos como esse. Está muito lindo! Será que alguém escreverá coisas bonitas assim sobre mim, quando eu me for?
Não sei o que comentar, eu só sei fazer comentários engraçadinhos, e não caberia um aqui.
Abraço, Má!
Má! Brigadão pelo comentário!
Me desculpe. Não consegui ler os seus últimos posts.
Agora eu ficaria muito feliz em ver uma foto da sua nova (velha) jaqueta jeans personalizada.
Um beijo!
Apesar de tantas perdas vc parece ter sempre superado e levar uam vida bacana, fico feliz por vc!
Eu até hoje só perdi dois avós (distantes) e um médico querido. Na verdade ainda não sei o que é a dor de perder alguém bem próximo.
beijos
Fiquei pensando que talvez seja mais triste quando a gente “perde” as pessoas que ainda estão vivas. Ou quando elas “perdem a gente.
É Má, talvez o problema seja exatamente esse. Se os laços são fortes, a dor pode ser maior quando se “perde” a pessoa viva.
Seu texto me confirmou o que já pensava: você é uma pessoa especial. Como gosto muito de ler a Bíblia, adotei como crença o ensino bíblico sobre a morte. É difícil de lidar com a perda de entes queridos, mas está longe de ser um problema sem solução.
Beijos, minha linda!
O trem da vida
Há algum tempo atrás, li um livro que comparava a vida a uma viagem de trem. Uma leitura muito interessante, quando bem interpretada. Isso mesmo, a vida não passa de uma viagem de trem, cheia de embarques, alguns acidentes, surpresas agradáveis em alguns embarques e grandes tristezas em outros.
Quando nascemos entramos nesse trem e nos deparamos com algumas pessoas que julgamos que estarão sempre conosco: nossos pais. Infelizmente, isso não é verdade, em alguma estação eles descerão e nos deixarão órfãos no cominho, amizade e companhia insubstituível… Mas isso não impede que durante a viagem, pessoas interessantes e que virão a ser mais que especiais para nós embarquem.
Chegam nossos irmãos, amigos e amores maravilhosos…