Dia desses me deu uma saudade… saudade de ser bixo.
Parece que foi ontem que entrei na faculdade.
Sempre quis a área de saúde. Medicina, para ser mais exata. Me encanta a possibilidade de fazer algo pelo outro, assim como me encanta o corpo humano. Acho fascinante o funcionamento do cérebro, o concatenamento dos órgãos, o caminho das palavras no nosso cérebro até chegarem à boca (alguém já parou para pensar em como tudo isso acontece?). Fantástico!
Mas, enfim, após três anos de cursinho realizados com esforço, pero no mucho (porque não sou de ferro), estava cansada de prestar Medicina e sempre morrer na praia. Fui atrás de outros cursos que me interessassem. Uma amiga estava no primeiro ano de Fonoaudiologia, me interessei pelo curso e arrisquei. E passei. Primeiro lugar na USP, terceiro lugar na Unicamp e sétimo lugar na Unifesp. Fiquei com a Unifesp por me sentir melhor acolhida e pela facilidade do acesso (via metrô).
Dia da matrícula: vim sozinha de Poços para São Paulo e fiquei na então casa do meu gatinho, que matou o dia de serviço para me acompanhar (achei lindo!). Desembarcamos no metrô Santa Cruz, mapinha na mão, descemos a Rua Pedro de Toledo até a Atlética da universidade. Um tumulto na porta: pessoas sendo pintadas, fotos, comemorações, risos e choros.
Vem a pergunta: “É caloura?” Sim. “De que?” De Fono. “É caloura de fono! EEE! Aê, caloura! Parabéns! Vai fazer a matrícula primeiro e depois vem pra cá, hein? Não foge não!” Entramos na Atlética, entreguei uns documentos, assinei outros; matrícula feita! Demos uma volta pelos estandes montados no local, que vendiam camisetas, adesivos, agenda e outras coisas com o logo da faculdade. Sem dinheiro, Fica pra depois, era o que dizia; meu gatinho até ofereceu dimdim, mas melhor deixar pra depois mesmo.
Saí da Atlética com meu guarda-costas particular! Pra quem não conhece o Rô, eu explico: ele é relativamente alto, forte e gorduchinho. Bota a maior panca! E ainda saiu de braços cruzados com cara de mau! As veteranas, meio amedrontadas perguntaram a ele se podiam me pintar. Ele disse que eu era quem decidiria. Elas perguntaram: “Podemos te pintar?” Eu poderia ter dito que não. Mas qual é a graça de passar numa faculdade e não ser pintado? Sair incólume, sem vestígios da sua entrada no mundo universitário? Para mim, nenhuma. Pode, pode pintar! “EEE!” E pintaram rosto, cabelo, braços, camiseta (que era branca, mas ficou esverdeada) e calça jeans (que ganhou duas mãos verde-azuladas na bunda e nunca mais ficou sem elas). “Pronto caloura! Pode ir embora! Nem precisa fazer pedágio não!” (tenho certeza que não me fizeram pedir dinheiro no semáforo devido ao meu guarda-costas particular).
Subimos para o metrô: eu e meu guarda-costas. Em cima do metrô há um shopping. Fui no banheiro desse shopping e lavei o rosto e os braços, para tirar o excesso e entrar no metrô sem chamar muito a atenção. Voltamos para casa.
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Primeiro ano é uma coisa muito boa, e muito especial! É uma nova vida, uma nova etapa. Novos amigos e professores. Nova cidade, no meu caso. Novas experiências. Morar com o namorado. Novos conhecimentos. Novo estilo de vida: ter que fazer meu próprio café-da-manhã ao invés de encontrá-lo pronto foi difícil no começo, cuidar da casa ainda é um desafio (risos). Entrada para a vida adulta com os dois pés ainda na juventude.
Faculdade é algo muito bom! Acho que é a melhor fase da vida! Você aprende, se diverte, tem responsabilidades, mas não tantas. Nos quatro anos de facul aprendi a amar minha profissão! Trabalhar em grupo, atender a pacientes, estudar para as provas, festejar, curtir.
Me formei em dezembro do ano passado… chorei horrores. Era uma vitória, mas ao mesmo tempo uma despedida; dos amigos e da juventude, de uma certa forma, irresponsável. Que saudades!
Todo esse sentimento foi despertado em mim porque este mês foi matrícula dos calouros. Não fui pintar ninguém, mas, como moro próximo à faculdade e continuo nela cursando especialização, presenciei vários bixos fazendo o mesmo caminho que fiz, há tempos. Uns descendo a Pedro de Toledo e perguntando a “veteranos camuflados”: “Onde é a Atlética da Unifesp?” “É caloura? EEEE caloura!!!” Outros subindo pintadérrimos. Olhei para uma menina que subia, toda pintada. Quis dizer-lhe meus parabéns, aproveite, é muito bom, é a melhor fase da sua vida! Mas tudo o que consegui for sorrir imensamente. Talvez ela tenha achado que estava rindo dela, e não para ela. Fazer o quê?
Mas esses fatos me trouxeram à tona a delícia que é a faculdade, com os prazeres de cada ano: calouro, segundo ano, semi-deuses (como são chamados os terceiro anistas, na minha faculdade) e deuses! Os formados são chamados, carinhosamente, de velhos. Sou uma Velha. Com saudades esmagadoras do meu tempo de faculdade. Foi a melhor época da minha vida, e jamais a esquecerei.
Esse post me emocionou, de verdade.






































